Polícia investiga as causas do atentado contra jornalista
Polícia investiga as causas do atentado
Texto: Ieda Rodrigues
Uma das hipóteses investigadas pela polícia é de que o atentado sofrido anteontem à noite pelo jornalista Nélson Gonçalves, do Jornal da Cidade, seja uma vingança, com motivação política, segundo o delegado Seccional de Polícia, Antônio Ciocca. A polícia já investiga as possíveis causas do atentado, mas preferiu não dar detalhes para não atrapalhar as investigações.
Antônio Ciocca entende que o atentado não se configura uma tentativa de inibição de publicação de matérias. No entanto, como o jornalista afirma não ter outros motivos para sofrer o atentado, uma das hipóteses está sendo investigada, é a de vingança.
A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) abriu inquérito e está investigando o caso, visando descobrir o autor ou autores dos disparos, segundo explicou o delegado titular da delegacia, J.J., Cardia. Por enquanto, as pistas são a moto, o colete usado pelo condutor, e um Gol branco, visto por testemunhas passando em frente à casa do jornalista. No momento dos disparos, o Gol estaria próximo e com a com a porta aberta, dando retaguarda à ação.
Como aconteceu
Por volta das 23h10, quando se dirigia à sua residência no Jardim Redentor II, Nélson Gonçalves foi surpreendido por duas pessoas que estavam em uma moto Honda CG-125, vermelha. Um homem encapuzado, que estava na garupa da moto, disparou quatro tiros contra o jornalista, que se jogou no chão no momento dos disparos. Os tiros não chegaram a atingir o repórter, mas perfuraram o veículo Gol 1.8, marron, que estava em sua propriedade.
Nélson Gonçalves deixou a redação do Jornal da Cidade por volta das 23 horas, quando foi em direção
à sua residência, na quadra 9 da rua Rafael Pereira Martini. O repórter parou o carro em frente ao portão da garagem e, quando abria o portão ouviu o barulho de uma moto se aproximando. Ao perceber um homem encapuzado, intuitivamente, o jornalista se deitou ao chão. O condutor da motocicleta estaria usando um capacete vermelho, segundo as informações, com um jaleco parecido com os utilizados por um prestador de serviço de mototaxi. O autor dos disparos, da garupa, estava encapuzado e com blusa e calça escura.
Já no chão, após o primeiro disparo, o jornalista rolou (movimento chamado pela polícia de parafuso), tentando evitar que fosse atingido pelas balas. O homem encapuzado atirou com a arma de fogo em direção ao repórter, na calçada, enquanto a moto permanecia parada, no meio da rua, com o motor ligado. Foram efetuados quatro disparos. Quando estava no chão, o repórter gritou pela ajuda de um policial militar (Gimenez), que mora no fundo de sua residência. O policial chegou a atirar contra a moto quando estava já dobrava a esquina, em fuga.
Ainda no chão, o jornalista avistou um Gol branco, modelo antigo, que antes tinha sido visto passando pela mesma rua. A mulher dele, Daniella Cessetti, tinha percebido a presença do Gol por volta das 21 horas. Quando tentava entrar pela porta da sala, Daniella ouviu um estouro, mas o vizinho de um bar logo em frente comentou, em seguida, que não sabia do que se tratava. Depois do segundo episódio, a perícia técnica localizou um projétil no canto da parede (o equivalente a altura da panturilha). Do mesmo Gol que parecia dar retaguarda para a moto deveria ter saído o disparo.
Os disparos foram ouvidos pelo policial militar, vizinho do jornalista, e acompanhado pelo proprietário do bar (Eliseo) em frente
à residência. Apesar dos quatro tiros, o jornalista não foi atingido diretamente por nenhuma bala no chão, chegando a ter um pequeno ferimento na mão direita, na hora em que rolava na calçada.
Dos quatro tiros, um atingiu o pneu traseiro direito do Gol, outro perfurou a traseira do veículo (com o projétil se alojando no estepe) e outros dois acertaram a calçada.
Trata-se da terceira tentativa de atentado contra o jornalista Nélson Gonçalves em nove meses. Durante a ocorrência de bombas contra a residência de vereadores, em Bauru, um veículo de propriedade de um colega de redação do JC foi atingido, por engano.
Na segunda tentativa de atentado, o pedreiro Alexandre Humberto dos Santos, disse à polícia que foi contratado pelos ex-seguranças do ex-prefeito Izzo Filho, Carlos Roberto Thomaz e Djalma Duarte Gonzaga, para atirar nas pernas do jornalista. Os depoimentos constam de inquérito policial e ação que tramita no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Políticos cobram esclarecimento de atentado
Texto: Josefa Cunha
O atentado à bala sofrido pelo jornalista Nélson Gonçalves na noite de anteontem convergiu a atenção da classe política local para a necessidade urgente de elucidação do fato. Várias lideranças se mobilizaram junto às autoridades policiais da cidade, cobrando a identificação e punição dos responsáveis dentro do menor prazo possível.
Quase nenhum dos políticos entrevistados ousou vincular os disparos contra Gonçalves aos atentados à bomba ocorridos no início do ano contra as casas de vereadores que faziam oposição ao prefeito cassado Antonio Izzo Filho, hoje detido na cela especial da Cadeia Pública de Bauru. A maioria, entretanto, revelou-se adepta da teoria de que o incidente com o jornalista tenha motivação política.
Nélson Gonçalves realizou diversas matérias revelando o envolvimento do ex-prefeito Izzo Filho em condutas escusas e já havia sido vítima de outras várias ameaças. O jornalista, assim como outros profissionais do Jornal da Cidade, chegaram a registrar boletim de ocorrência para preservação de direitos, informando a ocorrência de ameaças anônimas. Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil de Bauru conseguiu desvendar a autoria dos atentados contra os vereadores. Na ocasião, sete suspeitos foram presos, dos quais quatro trabalhavam para Izzo Filho. O pedreiro Alexandre Humberto dos Santos, um dos suspeitos, confessou a autoria dos crimes contra os parlamentares e acusou o ex-prefeito de ser o mandante. Santos, inclusive, revelou que fora contratado e pago para atirar nas pernas do repórter e que só não cumpriu o serviço porque o valor recebido era muito modesto
- R$ 500,00.
Relacionado ou não com esses fatos anteriores, o atentado de anteontem voltou a preocupar os opositores do prefeito cassado, principalmente os vereadores que fizeram oposição ao governo dele. Ontem, o presidente da Câmara, Paulo Madureira
(PPB), acionou pessoalmente as polícias Militar e Civil, solicitando providências urgentes no sentido de coibir novas tentativas criminosas. "Isso é uma loucura e não podemos adiar as soluções. Bauru não é uma 'terra de ninguém', mas uma sociedade organizada. As autoridades competentes têm que solucionar esse caso o mais rápido possível porque estamos assistindo à continuidade das ameaças", disse.
O vereador Luiz Roberto Relvas (PDT), uma das vítimas dos atentados à bomba, também cobrou das autoridades competentes todas as medidas possíveis para esclarecer a origem dos disparos efetuados contra o repórter. "Como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Bauru, quero implorar aos órgãos de segurança o empenho necessário na resolução de mais esse ato, que coloca não só a imprensa, mas também a sociedade e a democracia em alerta", manifestou-se.
O grave fato também mobilizou os deputados estaduais bauruenses. Carlos Braga (PPB) revelou-se preocupado com a notícia e enviou comunicado de solidariedade. Já o pedetista Pedro Tobias informou que iria encontrar-se pessoalmente com o secretário da Segurança Pública do Estado, Marco Petrelluzzi, para cobrar dele a interferência junto à polícia bauruense. "Vou pedir que ele cobre agilidade na elucidação de mais esse banditismo. Bauru não pode voltar a ser uma cidade sem lei e receio que esse atentado represente a volta do grupo izzista. Sem dúvida, o motivo dos disparos foi político, porque, até prova em contrário, penso que a vida do jornalista Nélson Gonçalves é limpa. Como os antecedentes existem, fica difícil não vincular os fatos", disse, indicando suas suspeitas.
Manifesto
Em manifesto escrito, as diretorias de Bauru e São Paulo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado repudiaram o atentado contra o repórter do Jornal da Cidade, reivindicando publicamente o apoio das polícias civil e militar e das secretarias estaduais da Segurança Pública e Justiça. "Atos covardes como esse só provam que a verdade incomoda a muitos, principalmente aos poderosos que acham que podem calar a boca e pôr fim ao idealismo de um jornalista através de uma bala. A verdade prevalecerá sempre! Reivindicamos o apoio das autoridades para colocar os criminosos atrás das grades, que é o lugar onde merecem estar", cita o manifesto.
Jornalista sofre novo atentado
Da editoria de política
O repórter de política do Jornal da Cidade, Nélson Gonçalves, foi surpreendido por um homem encapuzado, na noite de segunda-feira
O jornalista Nélson Gonçalves, da editoria de política do Jornal da Cidade, foi alvo de mais um atentado, a terceira tentativa em nove meses, na noite de anteontem. Por volta das 23h10, quando se dirigia à sua residência no Jardim Redentor II, o repórter foi surpreendido por duas pessoas que estavam em uma moto Honda CG-125, vermelha. Um homem encapuzado, que estava na garupa da moto, disparou quatro tiros contra o jornalista, que se jogou no chão no momento dos disparos. Os tiros não chegaram a atingir o repórter, mas perfuraram o veículo Gol 1.8, marron, que estava em sua propriedade.
Nélson Gonçalves deixou a redação do Jornal da Cidade por volta das 23 horas, quando foi em direção
à sua residência, na quadra 9 da rua Rafael Pereira Martini. O repórter parou o carro em frente ao portão da garagem e, quando abria o portão ouviu o barulho de uma moto se aproximando. Ao perceber um homem encapuzado, intuitivamente, o jornalista se deitou ao chão. O condutor da motocicleta estaria usando um capacete vermelho, segundo as informações, com um jaleco parecido com os utilizados por um prestador de serviço de mototaxi. O autor dos disparos, da garupa, estava encapuzado e com blusa e calça escura.
Já no chão, após o primeiro disparo, o jornalista rolou (movimento chamado pela polícia de parafuso), tentando evitar que fosse atingido pelas balas. O homem encapuzado atirou com a arma de fogo em direção ao repórter, na calçada, enquanto a moto permanecia parada, no meio da rua, com o motor ligado. Foram efetuados quatro disparos. Quando estava no chão, o repórter gritou pela ajuda de um policial militar (Gimenez), que mora no fundo de sua residência. O policial chegou a atirar contra a moto quando estava já dobrava a esquina, em fuga.
Ainda no chão, o jornalista avistou um Gol branco, modelo antigo, que antes tinha sido visto passando pela mesma rua. Sua esposa, Daniella Cessetti, tinha percebido a presença do Gol por volta das 21 horas. Quando tentava entrar pela porta da sala, Daniella ouviu um estouro mas o vizinho de um bar logo em frente comentou, em seguida, que não sabia do que se tratava. Depois do segundo episódio, a perícia técnica localizou um projétil no canto da parede (o equivalente a altura da panturilha). Do mesmo Gol que parecia dar retaguarda para a moto deveria ter saído o disparo.
Os disparos foram ouvidos pelo policial militar, vizinho do jornalista, e acompanhado pelo proprietário do bar (Eliseo) em frente
à residência. Apesar dos quatro tiros, o jornalista não foi atingido diretamente por nenhuma bala no chão, chegando a ter um pequeno ferimento na mão direita, na hora em que rolava na calçada. Dos quatro tiros, um atingiu o pneu traseiro direito do Gol, outro perfurou a traseira do veículo
(com o projétil se alojando no estepe) e outros dois acertaram a calçada.
Trata-se da terceira tentativa de atentado contra o jornalista Nélson Gonçalves em nove meses. Durante a ocorrência de bombas contra a residência de vereadores, em Bauru, um veículo de propriedade de um colega de redação do JC foi atingido, por engano. Em depoimento à polícia, a autoria foi atribuída, na época, à ex-seguranças do ex-prefeito Izzo Filho, que encontra-se preso na Cadeia Pública.
Na segunda tentativa de atentado, o pedreiro Alexandre Humberto dos Santos, confessou que foi contratado pelos ex-seguranças do ex-prefeito, Carlos Roberto Thomaz e Djalma Duarte Gonzaga, para atirar nas pernas do jornalista.
Em depoimento, Alexandre menciona que recebeu R$ 500,00 para atingir o jornalista. Ele descreve que foi até o local, a esquina da redação do jornal, na Benjamin Constant, munido de um revólver 38, mas que não chegou a realizar os disparos. O pedreiro percebeu a presença de seguranças. A versão foi confirmada pelo ex-segurança Djalma Duarte Gonzaga. Ambos estão cumprindo prisão preventiva. Os depoimentos constam de inquérito policial e ação que tramita no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.