Bauru envia 500 para a Marcha dos 100 mil em Brasília
Bauru manda 500 para a Marcha dos 100 mil em Brasília
Texto: Márcia Buzalaf
Cerca de 500 pessoas vão partir de Bauru, na próxima quarta-feira, para Brasília com o intuito de demonstrar a insatisfação geral com o governo, mais particularmente, com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Os nove ônibus vão levar representantes sindicais e estudantes para a manifestação nacional, juntamente com 15 mil assinaturas colhidas na cidade contra o Governo Federal.
A Marcha dos 100 Mil sobre Brasília, que está marcada para o dia 26, quinta-feira, deve mobilizar todo o Brasil para uma ação conjunta que visa, entre outros objetivos, instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) para apurar as responsabilidades na privatização do sistema telefônico no País. "O objetivo é pressionar os deputados para enquadrar o presidente por crime de responsabilidade na privatização da Telebrás", explica Laércio Pereira, diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região.
Além dos bancários, as outras categorias de trabalhadores de Bauru que também devem participar do encontro são os metalúrgicos, os ferroviários, os servidores municipais, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), os trabalhadores na construção civil, os professores da rede estadual, os funcionários públicos das escolas, os trabalhadores em saúde e os estudantes.
Além da discussão em torno da política econômica ditada pelo Fundo Monetário Nacional (FMI), que prejudicou a camada mais baixa da sociedade, a Marcha dos 100 Mil deve levar 1,5 milhão de assinaturas colhidas no Brasil todo contra o governo de FHC.
Outra manifestação conjunta que deve resultar do encontro é uma greve geral de um dia em todo o território nacional a ser agendada pelas lideranças, em particular pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), durante a Marcha dos 100 Mil.
Para Pereira, a população está bastante mobilizada para o impeachment de FHC. Segundo ele, quando o sindicato aborda a população para participar do abaixo-assinado contra o presidente, a resposta é logo positiva.
Na opinião do sindicalista, a insatisfação do povo é porque algumas instituições e bancos estão lucrando mais do que nunca. "O povo sabe que, sempre que alguém perde, outro alguém está ganhando", explica Pereira.
Campanha salarial deve ser intensificada
Em negociação ocorrida ontem, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não apresentou contraproposta e disse querer alterar jornada de trabalho dos bancários. Por este motivo, o Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região realizou, na manhã de ontem, a partir das 11h de hoje, na agência da Nossa Caixa Nosso Banco, uma manifestação que visa "agitar" a campanha salarial.
O principal foco de atenção dos sindicalistas é o lucro dos bancos. Em material distribuído, o sindicato divulga os lucros dos bancos, no primeiro semestre de 1999, e o relacionamento entre os banqueiros e o presidente, em tom de sátira.
Na última quinta-feira, na Executiva Nacional dos Bancários e a Fenaban, a parte patronal não apresentou contraproposta para as reivindicações dos bancários e disseram querer negociar a jornada de trabalho dos bancários e o anuênio (adicional por tempo de serviço). Para o sindicato, tudo indica que os bancos vão querer aumentar a jornada e acabar com o anuênio. A continuidade das negociações está marcada para o próximo dia 31 de agosto ou dia 1º de setembro.
Entre as principais reivindicações da campanha, estão o reajuste salarial de 27,6% (reposição das perdas salariais de 1º de setembro de 94 até agora e mais a produtividade), a garantia de emprego, a ampliação do horário de atendimento à população
(das 9h às 17h, com 2 turnos de trabalho e a contratação de mais bancários), a redução de tarifas e juros para todos, a participação nos Lucros ou Resultados de 25% do lucro bruto dos bancos, divididos entre os bancários, melhores condições de trabalho e saúde e mais segurança para bancários e clientes.