Provedores diversificam serviços para cativar clientes
Provedores diversificam serviços para cativar clientes
Texto: Luciano Augusto
Nos últimos anos, o número de empresas que fornecem acesso à Internet aumentou sobremaneira. Em Bauru, a situação não é diferente. O mercado local é bastante concorrido e quem quer permanecer, precisa diversificar seu cardápio de serviços e prestar um atendimento personalizado.
Bauru tem uma comunidade estimada de usuários em torno de 10 mil, entre diretos e indiretos. Distribuindo pelos 10 provedores de acesso, tem-se o número de mil usuários para cada empresa. A média de preço que usuário paga para ter Internet em casa gira em R$ 35,00 (full time ou limite ilimitado de horas) o que dá um custo médio diário de pouco mais de R$ 1,00, fora as tarifas telefônicas.
Para fugir da forte concorrência, cada um estabelece um plano de ação. O preço, alegam as empresas, já não é a forma mais confiável de conseguir novos clientes. Atendimento e qualidade do serviço prestado é o que, atualmente, mais tem interessado para o usuário.
"Nós adotamos a política de não mudar de preço. Optamos por prestar um serviço de qualidade e não ficar num leilão de preço", afirma o proprietário da NetAlfa, Ovídio Segantin Júnior, 28 anos. Ele explica que quem trabalha baseado apenas tentando fornecer preços muito baixos e com uma margem muito apertada, "a tendência é, dentro de um ano ou dois, a empresa quebrar". Ele acredita que as empresas deveriam se preocupar menos com o preço e mais com atendimento, qualidade e cativar o cliente oferecendo variedade de serviços.
Com a tendência atual de "regionalização" dos grandes provedores nacionais, como o Universo On-Line (UOL), SBT On-Line (SOL) e a chegada do ZAZ-Bauru, o proprietário da Net Alfa adianta que as empresas que mais devem sofrer são as que caíram na briga do menor preço. Porque? "Porque já trabalham com custo baixo e se perderem clientes (perdendo uma fatia do mercado para os grandes), irão passar por dificuldade".
De acordo com Segantin Júnior, Bauru tem provedores em excesso e a cidade não comporta mais empresas. Para ilustrar, ele cita o exemplo da cidade de Marília, que não é tão menor que Bauru e tem apenas dois provedores.
As empresas já identificaram que o usuário que escolhe um provedor por ser o mais barato, assim que descobrir um outro mais barato, ele vai mudar. Essa
é a explicação do gerente de suporte da Adapta Informática Informática, Ricardo Augusto Carneiro, 21 anos.
Até agora, afirma Carneiro, "provedor de acesso conseguia trabalhar como provedor de acesso". Com a introdução de novas tecnologias, como o acesso
à Internet via cabo, as empresas não terão mais o filão do mercado de provedores.
A saída foi diversificar a atuação oferecendo outros serviços, como a confecção de home-pages para empresas. "As empresas de informática estão sendo desbravadores (principalmente no interior), porque temos que ensinar as empresas a utilizarem este serviço", complementa o gerente da Adapta Informática.
Os grandes também não assustam a empresa de informática. "No início eles oferecem diversas vantagens, mas, com o passar do tempo, pegam um espaço próprio".
"Estamos há dois anos no mercado e, nesse tempo, mudou muita coisa e mais gente passou a acessar a Internet também", aponta o gerente da Bauru On Line, Ivo Leite, 32 anos. O acesso, cita como exemplo, está mais rápido e a tecnologia avançou sobremaneira.
Para ele, concorrência é uma questão de qualidade; "quem tem irá permanecer". E qualidade se consegue entendendo o público. Bauru, lembra Leite, tem o público universitário, por exemplo,
"que é bastante interessante". As empresas, confirmando a tendência, também estão se interessando mais em usar os benefícios da Internet.
Leite explica que a tendência para o futuro é o preço seguir em queda, não tanto pela concorrência mas mais pelos avanços tecnológicos. De acordo com ele, nos Estados Unidos da América o preço médio para um acesso full time está em torno de US$ 16,00. Já no Brasil, como praticamente todo equipamento usado é importado, o acesso ainda custa mais caro.
Ainda com a forte concorrência, "os provedores têm sobrevivido, mesmo duvidando que alguém esteja ganhando dinheiro na Internet com o provimento de acesso", esclarece o gerente de Internet da StarNet, Erick Castro, 26 anos.
Mesmo com a competição com os grandes, Castro afirma que estes nunca foram os maiores concorrentes dos provedores locais e a chegada de mais provedores, não deve mudar absolutamente nada.
Isso, segundo Erick Castro, porque os provedores locais têm serviços muito mais personalizados que um provedor de grande porte ainda não pode oferecer. De acordo com o gerente da Star Net, o principal diferencial para o usuário é a qualidade do suporte técnico. A Star Net, por exemplo, dá suporte técnico gratuito para seus clientes.
Entretanto, lembra o representante da provedora de acesso, é preciso identificar os dois tipos básicos de usuários: o usuário que conhece bem a informática e que dispensa o suporte técnico. "Esse procura uma conexão rápida e um preço compatível"; e o usuário que tem um mínimo de conhecimento sobre o computador, "que é a grande maioria". Para esses, o diferencial essencial é o suporte técnico oferecido.
Por outro lado, argumenta Castro, "os grandes possuem um marketing de grupo muito forte".
Na TravelNet, empresa que atua em Bauru há mais de três anos, "o diferencial sempre foi oferecer um atendimento especial ao público", garante a gerente de marketing, Luciane Faria Cruz, 29 anos. A infra-estrutura da empresa foi montada para atender com qualidade pessoas jurídicas, o que mantém também, uma alta qualidade de atendimento
às pessoas físicas.
Além do serviços como provedora, a TravelNet também oferece o serviço de web mail, com o qual os cliente podem acessar suas mensagens a partir de uma conexão à Internet qualquer e um navegador, sem necessidade de configuração.
Outra preocupação é com a segurança. Para aprimorar essa exigência dos clientes, a empresa trabalha com o sistema firewall, um dos mais modernos sistemas de segurança disponível no mercado. Além disso, lembra Cruz, "a equipe da Travel tem uma orientação de trabalho com qualidade", dispondo de grupo de colaboradores que atuam na área de desenvolvimento de web sites e tecnologia aplicada à Internet.
ZAZ, um gigante que deve chegar em outubro
Texto: Luciano Augusto
Em presença física, o ZAZ
é o maior provedor do País, atuando em mais de 100 cidades. Na região, a empresa deverá começar a operar em outubro e tem grandes expectativas, pois considera Bauru uma região estratégica e com potencial ainda mau explorado.
De acordo com Maurílio Uemura Shintati, 24 anos, diretor do ZAZ-Bauru, a intenção do grupo
é arrebanhar mil usuários até o final do ano, ou seja, em apenas dois meses. Para tanto, desenvolverá fortemente a sua política regional.
"Bauru é um ponto estratégico na região, e pretendemos formar um eixo mais forte entre Bauru e Marília", antecipa Shintati. O interesse na região vem da numerosa população, "que tende aos 400 mil habitantes" e das mais de 10 mil empresas.
Como é oferecido nacionalmente, o ZAZ-Bauru contará com o serviço de vox-mail, o serviço de e-mail por telefone. Fora isso, terá também um escritório local, para dar um suporte regional aos usuários.
"Essa é uma estratégia de oferecer um serviço nacional e ao mesmo tempo dar um atendimento muito pessoal, bem próximo ao consumidor", afirma o diretor do ZAZ-Bauru.
Shintati diz acreditar que ainda existe um mercado em potencial em Bauru que ainda não foi explorado, como, por exemplo, na área corporativa, de comércio eletrônico.
A preocupação em estar mais próximos dos clientes segue tendências verificadas em pesquisas. Segundo os estudos, os usuários procuram qualidade, atendimento, constância da linha, segurança da conexão, e, quase no final da lista, o preço. Mesmo assim, o ZAZ, por ser uma grande rede, também deverá ter condições de oferecer um preço bastante competitivo no mercado.
Na região, o ZAZ já está presente em Botucatu, Tupã e, um pouco mais distante, Oswaldo Cruz. Além de Bauru, o ZAZ deve aporta em breve também em Jaú e Vera Cruz.