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Qualidade do andar

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Estrutura óssea do pé se define aos 3 anos

Estrutura óssea do pé se define aos 3 anos

Texto: Sabrina Magalhães

Apenas 5% das pessoas permanecem com o pé chato após os cinco anos de idade. Estes terão o problema por toda a vida

Todo recém-nascido tem a planta do pé plana, reta

- o chamado "pé chato". A estrutura óssea do pé se desenvolve progressivamente e em 80% dos casos adquire o formato normal e definitivo por volta dos três anos de idade. Neste processo, quanto mais precoce é o desenvolvimento da habilidade de andar, mais rápida é a formação óssea. Segundo o ortopedista Leonardo Barbi, após os cinco anos apenas 5% das crianças permanece com o pé chato. Estes terão a anomalia

óssea por toda a vida.

O médico explicou que, anatomicamente, o pé é dividido em três partes principais: o antepé (parte da frente e dedos), o médio pé e o retropé

(região do calcanhar). Pode haver deformidades em quaisquer destas partes, sendo que a mais comum aparece na curvatura interna da planta. Quando ela não se forma, há o que se chama pé plano ou chato (porque se achata no chão). Em casos mais raros, a curvatura pode ser acentuada demais, formando uma cavidade muito elevada - o pé cavo. Estas anomalias quase sempre são genéticas, ou seja, há outros casos na família.

"Para essa pessoa que tem o pé chato, plano, o desgaste do lado interno da sola do sapato vai ser uma constante. A vantagem

é que quase sempre não há dor ou outro sintoma. Apenas uma alteração do andar, a pessoa caminha com o pé esparramado no chão. Há uma diferença estética na marcha, que só é percebida quando a pessoa está descalça. Já o pé cavo, que é uma deformidade mais grosseira, resulta num desgaste na parte de fora da sola do calçado, com dor no calcanhar e nas laterais da parte anterior do pé e com claudicação

(a pessoa tende a andar mancando). As causas são desconhecidas."

Quando a deformidade é assintomática, ou seja, sem dor, não há necessidade de fazer um tratamento. Geralmente o médico só indica uma palmilha corretiva, que é confeccionada com elevações e baixo relevo, de forma que o pé se encaixe e equilibre melhor a pressão. Isso melhora a estética da marcha e reduz o desgaste dos sapatos.

Alinhamento

Leonardo Barbi salienta, no entanto, que há pessoas que têm o formato do pé normal, mas têm um alinhamento alterado, em conseqüência de uma anomalia na rotação do fêmur (principal osso da coxa): se ele tem rotação externa, a ponta dos pés tende a se voltar para fora durante a caminhada e vice-versa. "Além do efeito estético, a criança pode levar mais tempo para ganhar equilíbrio. Ao invés de ter equilíbrio total para correr, andar, marchar por volta de 1,5 ano, ela vai precisar de mais tempo para adquirir amadurecimento neurológico e só então conseguir dominar a marcha com os pés para dentro."

Questionado a respeito das conseqüências destas deformidades para as articulações, o ortopedista explicou que, principalmente no caso dos pés planos, há uma sobrecarga exagerada na parte anterior e interna dos joelhos. "Isso

é ainda pior no indivíduo obeso, que tem o Índice de Massa Corpórea acima dos padrões para a idade

(quando o resultado da conta 'peso dividido pela altura ao quadrado'

é maior que 25). Além da sobrecarga característica do pé chato, há a sobrecarga do peso. Então, com o tempo, pode haver dificuldade na marcha. Marcha com dor e claudicação (manca)."

Palmilha só com orientação médica

O ortopedista Leonardo Barbi ressalta que o uso de palmilhas para correção da pressão nos pés precisa tanto de orientação médica quanto o uso de antibióticos. Segundo ele, uma simples observação do andar diante do espelho é suficiente para se perceber que há uma alteração no andar ou no formato dos pés: "A primeira observação é se dói no dia-a-dia. Segundo, se você anda com a ponta dos pés voltadas para dentro ou para fora durante o passo. Ou se o calcanhar está muito rodado para fora, fazendo com que o arco interno do pé caia, ou se este arco

é muito elevado."

No entanto, estas observações não garantem um diagnóstico, ou seja, a pessoa percebe que há uma anomalia, mas não é capaz de identificar qual

é o defeito. "Além disso, estamos falando de deformidades isoladas, mas elas podem aparecer associadas. Por exemplo, o paciente pode ter um pé cavo e ao mesmo tempo um pouco de rotação externa ou interna. Existem pessoas que têm o cavo e o calcanhar rodado para trás, tomando a aparência de pé plano. Então, para cada tido tem uma palmilha. Muitas vezes as pré-fabricadas podem resolver. Outras vezes não, o médico tem que orientar a confecção."

Para o ortopedista Ary Souza, além disso, boa parte das pessoas que tem deformidades nos pés pode conviver perfeitamente com elas. "Existem muitos mitos e o principal deles é o do pé chato. Antigamente a gente usava palmilha para tudo. Hoje, sabemos que são poucos os pés chatos que exigem palmilha. Os pais costumam se desesperar quando notam que os filhos caem muito ou que têm os joelhos para dentro. Mas nem todos precisam ser tratados. Vai chegar uma hora que ele vai andar com o joelho certo. E raramente o problema persiste. Se persiste, pode ser feita uma cirurgia corretiva. É cada vez mais comum a cirurgia para correção do pé chato."

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