Condutores podem iniciar greve na próxima semana
Condutores podem iniciar greve na próxima semana
Texto: Luciano Augusto
Com a cassação da liminar, de 10 de agosto, que garantia o cumprimento de todas as cláusulas do acordo coletivo do ano passado dos condutores até que outro acordo fosse estabelecido, conseguido ontem pela Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, o sindicato que representa a categoria já assinala a possibilidade de um movimento grevista para os primeiros dias de setembro.
De acordo com comunicado da empresa, continuará entregando as cestas básicas, sendo que os demais benefícios deverão ser renegociados.
Também ontem, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Passageiros Urbanos, Interurbanos, Cargas e Transportes em geral de Bauru e região (Sindtran), participou de nova mesa-redonda com a ECCB, na Subdelegacia do Ministério do Trabalho, em Bauru. Novamente as partes não chegaram a nenhum tipo de acordo.
Continuou agendada, entretanto, uma outra mesa-redonda entre sindicato e ECCB para o dia 31 deste mês, na 15.ª região do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Campinas. Caso mais essa reunião não resulte num acordo definitivo, o SindTran diz que, já no dia primeiro de setembro convocará os trabalhadores para uma assembléia geral.
Por outro lado, o SindTran está providenciando um agravo regimental que será distribuído no Tribunal Superior do Trabalho, na Capital federal. "Não tendo efeito nós entraremos com um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ), também em Brasília. Não tendo sucesso, nos resta a paralisação das atividades da ECCB, porque os trabalhadores já estão saturados e se, dependesse deles, talvez a gente já fizesse greve amanhã", avisou o presidente do SindTran, Elias Pinheiro da Silva, 39 anos.
De acordo com o presidente do SindTran, a medida cautelar movida pelo sindicato que resultou na liminar (que foi cassada ontem pelo Ministro Corregedor da justiça do Trabalho Ursulino Santos) foi fundamentada numa ação direta de inconstitucionalidade e em outros precedentes mais antigos, inclusive do próprio TST.
Silva disse ainda que o já sindicato estará convocando os trabalhadores para uma assembléia em primeiro de setembro,
"quando haverá condições de apreciar a proposta saída de Campinas". Mas Elias Pinheiro da Silva adianta que, se não houver nenhum avanço nas negociações, "poderá resultar numa greve ou num dissídio de greve para que empresa possa se apressar em concluir as negociações".
O presidente do SindTran lembrou ainda que a empresa ainda não pagou os tickets-alimentação dos meses de junho e julho.