Mulher pede ajuda para fazer exames de diagnóstico de doença rara
Mulher pede ajuda para fazer exames e diagnosticar doença rara
Texto: Adriana Rota
A costureira Natalina Nicoletti, portadora de uma doença rara do sistema imunológico, ainda não totalmente diagnosticada, precisa fazer dois exames que serão enviados para análise nos Estados Unidos, embora o sangue possa ser colhido em São Paulo. Eles custam cerca de R$ 700,00, valor superior à renda mensal da família.
Os exames foram solicitados por médicos do Departamento de Imunologia da Universidade de São Paulo (USP), que atuam no Hospital das Clínicas, para uma avaliação de dosagens enzimáticas e do grau de alergia a determinadas substâncias. Isso porque, de acordo com o dermatologista que acompanha Natalina há cerca de sete anos em Bauru, Antonio Carlos Martelli, embora a paciente apresente reações alérgicas sérias após o contato ou consumo de algumas substâncias, nem todas as alterações aparecem em exames comuns, impedindo que se feche um diagnóstico exato sobre o problema.
O médico afirmou que o quadro apresentado guarda alguma proximidade com uma doença chamada angioedema hereditário, mas que ainda não foi possível precisar a causa exata das múltiplas alergias que acometem Natalina: sensibilidade a alimentos, odores, poeira, produtos químicos e de limpeza, medicamentos, fumaça, dentre diversos outros alérgenos.
Convivendo com esse problema há cerca de 8 anos - hoje ela tem 38 -, Natalina disse que toda a família vive abalada e temerosa. "Às vezes a gente até briga por causa disso. Como não posso comer um monte de coisas, eles também são obrigados a acompanhar minha dieta", contou. Ela disse, também, que freqüentemente fica deprimida porque não pode acompanhá-los em festas, por exemplo. "Fico constrangida porque as pessoas oferecem as coisas e não posso aceitar. Além disso, não gosto que me olhem como coitadinha".
Durante as crises, sente fortes dores de cabeça, de ouvido, enjôo, diarréia, fica asfixiada e incha, o que deforma seu rosto e desperta a atenção quando anda em locais públicos. Esse é mais um motivo que impede Natalina de sair de casa, além do medo de se deparar com substâncias que desencadeiem o processo alérgico.
Quanto à alimentação, seu organismo não aceita leite e derivados, ovo, arroz, farinha de trigo, chocolate, conservantes, algumas frutas, legumes e carnes, dentre outros. Embora tenha um acompanhamento nutricional, a restrição alimentar está começando a provocar problemas de coração e descalcificação dos ossos.
Os fatores psicológicos, extremamente relevantes nos casos de alergia, também são acompanhados de perto por profissionais que cuidam de Natalina. A idéia é mantê-la determinada a ficar afastada dos alérgenos, fortalecida para poder enfrentar eventuais discriminações pelo seu aspecto durante as crises e para controlar o medo de novas manifestações alérgicas.
Para evitar as reações, Natalina depende do consumo de uma série de remédios antialérgicos diariamente, que consomem quase R$ 100,00 do orçamento da família, reduzido pelo seu afastamento forçado da função de costureira. Com dois filhos em idade escolar, apenas o marido, que é funcionário público, mantém a casa. As dificuldades estão cada vez maiores porque Natalina foi encaminhada para tratamento em São Paulo, o que a obriga a gastar com passagens de ônibus. "Eu até poderia ir guardando dinheiro aos poucos para fazer os exames, mas iria demorar muito e preciso desses resultados logo para acertar um tratamento", disse, esperançosa.
Serviço
Os exames podem ser feitos em São Paulo, mas têm de ser enviados aos Estados Unidos, ao preço de, aproximadamente, R$ 700,00. Quem tiver interesse em colaborar pode entrar em contato pelo telefone 232-7642 ou depositar qualquer quantia na conta 004-01-010900-5, Banespa, em nome de seu marido, Nélson Nicoletti.