2.400 renegociam com a Cohab
2.400 renegociam com a Cohab
Texto: Adriana Amorim
A Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru fechou esta semana o plano de combate e controle à inadimplência com um saldo positivo de 2.412 contratos renegociados. Em um período de 51 dias, a inadimplência caiu de R$ 12 milhões para R$ 9,2 milhões.
Os mutuários inadimplentes que procuraram a Cohab puderam fazer o recálculo da dívida, ou seja, acertar o valor da prestação da casa própria de acordo com o aumento salarial. As mensalidades atrasadas foram jogadas para o final do contrato. Além dos 2.412 mutuários de Bauru, outros 2.102 de outras cidades da região fizeram a negociação.
A Cohab também regularizou os contratos de gaveta, que são firmados informalmente entre o proprietário do imóvel e terceiros. Foram regularizados 299 casos em Bauru e 266 na região. A Companhia acredita que outros 250 contratos ainda devem ser acertados. Com a situação definida, a pessoa que comprou o imóvel passa a ter seus direitos garantidos, inclusive o de recálculo de dívidas.
Em toda a região de sua abrangência, a Cohab conseguiu reduzir as dívidas dos mutuários de R$ 38 milhões para R$ 30 milhões. O presidente da Companhia, Daltayr Valim, considerou o resultado positivo. "Mesmo porque acreditamos que os efeitos da campanha ainda não acabaram", acrescenta. Ele acredita que mais mutuários devem fazer a renegociação.
"Podemos dizer que o resultado foi efetivamente muito bom".
Na prática, os resultados começam a ser percebidos a partir desse mês, quando os negócios fechados até agosto devem surtir efeito. O mutuário que estava inadimplente precisa manter as prestações atuais em dia para obedecer o acordo que joga a dívida para o fim do contrato.
A Cohab aposta que esses mutuários vão manter o pagamento, diferente do que vinha sendo feito anteriormente. O presidente acredita que a Companhia vem mostrando pulso firme, fazendo com que o morador respeite as regras. "Antes a Cohab estava desmoralizada", afirma Valim. "As pessoas ficavam devendo por anos e nenhuma providência era tomada contra elas". A partir de agora, quem não cumprir o determinado pode ser despejado.
Há casos de mutuários que não quitavam prestações há oito anos. Entre eles estão os que pagam mensalidades baixa - cerca de R$ 30,00 - até os que estão na média de R$ 120,00. Em Bauru, os núcleos mais problemáticos são o Mary Dota e José Regino.
Valim diz que a iniciativa que atendeu 12.830 mutuários em Bauru deve ser intensificada também em outras cidades que fazem parte da área de abrangência da Cohab local.
Projeto beneficiará classe média este ano
A classe média será o público alvo de um projeto da Cohab que deve ser colocado em prática a partir do próximo mês. Numa iniciativa inédita na cidade, a Companhia vai utilizar cerca de R$ 840 mil para construir apartamentos.
Os imóveis serão construídos em uma área pertencente a Cohab localizada nas proximidades da avenida Nações Unidas, na altura do Ceagesp. No terreno de 11.000 metros serão construídos 240 apartamentos de 50 metros quadrados cada um, em prédios com dois andares e elevador. Cada imóvel será vendido por R$ 35 mil.
O presidente da Cohab, Daltayr Valim, argumenta que nos últimos tempos foi construído um número muito grande de casas populares para mutuários de baixa renda na cidade.
"É preciso diversificar", disse.
Para o ano que vem, está prevista a construção da Vila Ecológica, um núcleo habitacional que deve ter cerca de dois terços da área reservados para
áreas verdes. A obra será realizada na região do Jardim Chapadão e será destinada para pessoas que tenham renda de até três salários mínimos.
Segundo Valim, a Cohab pretende também, a partir do ano que vem, construir casas, prédios e imóveis destinados ao comércio em áreas que não foram exploradas nos núcleos habitacionais já entregues. (AA)
Plano de cargos e salários
é concluído
A Cohab vai enviar, na próxima semana, o plano de cargos e salários para registro no Ministério do Trabalho. O estudo foi feito por um grupo de trabalho da Companhia e estipula tetos para a quantidade de funcionários.
O plano vem sendo discutido desde março. Agora, ele determina que a Companhia tenha no máximo 120 funcionários efetivos e 24 de confiança. O presidente da Cohab, Daltayr Valim, diz que o plano colabora para o enxugamento do quadro funcional, que sofreu alterações depois que ele assumiu o cargo, há cerca de seis meses.
Ele afirma que a Companhia chegou a possuir 70 cargos de confiança e passou de 354 funcionários para 142. Com isso, a folha de pagamento saiu dos R$ 1,080 milhão para R$ 398 mil. Valim diz que, além dos cortes de pessoal, houve também redução de salários. "E se não conseguirmos novas obras, teremos que demitir ainda mais", afirmou.
O presidente da Companhia argumentou que o enxugamento do quadro de funcionários não é uma atividade simples e que a função da Cohab foi, durante muito tempo, esquecida. "Serviu apenas como cabide de emprego". Agora, garante ele, a situação mudou. (AA)