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Fusão

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Ferrovias fundem operações num processo de "sinergia"

Ferrovias fundem operações num processo de "sinergia"

Texto: Luciano Augusto

Deve ser anunciado, oficialmente, durante o seminário "Negócios nos Trilhos 99 - América Latina", realizado pela Revista Ferroviária em São Paulo, entre os dias 19 e 21 de setembro, a fusão operacional da Ferronorte, Novoeste e Ferroban (ex-Fepasa), definida como "sinergia operacional". A medida visa, segundo as empresas, a diminuição dos custos operacionais das três empresas e uma melhor captação de recursos junto aos organismos financiadores, como por exemplo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Esta "sinergia operacional", pelo menos segundo as três ferrovias, não significa propriamente uma fusão de capital entre as envolvidas. Entretanto, elas deixam claro que "as empresas estão estudando a adoção, no futuro, da sinergia em outras áreas".

As empresas afirmam que nesta primeira fase, a sinergia operacional consiste na reunião das equipes de controle operacional das três empresas em um único local em Campinas. Esta união visa aperfeiçoar a operação de transportes, uma vez que os fluxos de carga da Ferronorte e da Novoeste acabam se desenvolvendo nas linhas da Ferroban.

De acordo com a assessoria de imprensa da Ferroban a opção pela "sinergia operacional" busca a ampliação e a otimização do uso dos equipamentos e da comunicação. Com os centros de operação reunidos será possível obter informações sobre as três malhas ferroviárias em tempo real e reduzir os períodos de ociosidade das composições, trazendo mais eficiência e segurança para as composições.

Manuel Lopes Neto, presidente da Ferropasa, expressando seu contentamento com a "sinergia operacional" afirma que "apesar de ser uma decisão recente, já se percebe que com a sinergia ocorreu uma melhoria no tempo de percurso dos trens".

Capital

Conforme a explicação do diretor da Revista Ferroviária, Gerson Toller Gomes, uma dais mais importantes publicações do gênero na América Latina, os sócios da Ferropasa (Ferronorte e Novoeste) têm também a maior parte do capital da Ferroban.

"Eles procuram fazer um negócio maior, que seja mais viável para apresentar projetos ao BNDES e a outros bancos, também no exterior", completou Gomes. Entretanto, ele apressa em rebater que "não há, ainda, nenhuma recomposição de capital".

Como disse, o interessante para a região de Bauru é que, com a fusão das operações, a Novoeste,

"que sozinha dificilmente se viabiliza", fica mais atrativa do ponto de vista econômico, tanto em relação

à captação de recursos quanto ao fluxo de transportes.

"A Novoeste continuará operando normalmente, com custos menores e com mais acesso a financiamentos, que é o que ela precisa", finalizou o diretor da Revista Ferroviária.

Sindicatos

As entidades sindicais que representam os trabalhadores que atuam nestas malhas ferroviárias criticam o processo de sinergia operacional mas alegam que pouco podem fazer diante desta "nova onda" (as fusões), vista pelas corporações como um meio de aumentarem seus lucros e diminuírem custos, que geralmente costumam significar demissões.

"Do ponto de vista do interesse dos trabalhadores, as fusões implicam um processo de predação de postos de trabalho", disse Roque Ferreira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul.

Na sua opinião, essas decisões vêm conjugadas com a introdução de novas tecnologias e por isso permanece a preocupação em manter postos de trabalho. Para Roque, a principal preocupação dos representantes dos trabalhadores deve ser justamente a manutenção dos direitos e do emprego do trabalhador e não especificamente a questão da fusão das empresas.

Roque aponta que não é nem contra e nem a favor do processo de sinergia operacional entre as três ferrovias. Os questionamentos, afirma, devem ser em cima do "processo de concessão das ferrovias para a iniciativa privada, que foi mais um estelionato praticado pelo Governo Federal". Ele alega que o Governo elencou uma série de razões para a privatização e é "público e notório" que não houve melhorias nenhuma no sistema.

Waldemar Raffa, diretor-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Paulista e representante estadual da Social Democracia Sindical (SDS), comenta que mesmo após a união das operações entre as três empresas, o sindicato que representa continua em negociações com as ferrovias privatizadas porque nenhuma delas concluiu o acordo coletivo com a entidade sindical.

De acordo com Raffa, o que deve acontecer com a fusão de operações é uma confusão jurídica nas relações de trabalho. "Tem, por exemplo, o trabalhador da Ferroban que também trabalha na Ferronorte e isso tem que ser discutido na fusão".

Raffa também teme a demissão de ferroviários. Por enquanto, como ainda não se fechou um novo acordo, há garantias de emprego além de uma "boa indenização".

Mesmo criticando a sinergia de operações, o sindicalista espera que a medida atraia, realmente, novos investimentos. "Nas ferrovias, têm acontecido dois acidentes, em média, por dia, colocando em risco os trabalhadores ferroviários como também toda a população das cidades cruzadas pelo trilhos das ferrovias".

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