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Desemprego

Ieda Rodrigues
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Paróquia N. S. das Graças faz feirão dos desempregados

Paróquia N. das Graças faz feirão dos desempregados

Texto: Ieda Rodrigues

No domingo, a partir das 8 horas, após a missa, o pátio da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, no Parque Vista Alegre, vai se transformar numa feira. O Grupo de Fé e Cidadania da paróquia, objetivando dar aos desempregados da comunidade uma oportunidade de vender produtos artesanais e, assim sustentar suas famílias, um evento denominado Primeiro Feirão dos Desempregados.

O coordenador do Grupo de Fé e Cidadania, Luiz Gonçalves, disse que o feirão foi organizado após a constatação de que muitas pessoas da área de abrangência da paróquia estão desempregadas. O desemprego começou a ser discutido no início do ano, com base na Campanha da Fraternidade de 1999, cujo tema foi "Sem Trabalho... Por Quê?"

Para conhecer melhor o problema, o Grupo de Cidadania convocou os desempregados da comunidade, que inclui o Parque Vista Alegre, Parque São Geraldo, Jardim Godoy, Jardim Pagani, Vila São Paulo, Pousada da Esperança, entre outros bairros, para se cadastrarem na igreja. O levantamento terminou com 430 desempregados, de diversas áreas, cadastrados.

A partir daí, foram levantadas várias propostas para ajudar os desempregados cadastrados e a que mais obteve aprovação foi a da realização do feirão, segundo o coordenador do Grupo de Fé e Cidadania. No feirão, os desempregados vão vender produtos artesanais feitos por eles mesmos, como doces caseiros, peças confeccionadas em crochê e tricô, peças da marcenaria, entre outros, além de oferecer serviços.

Na opinião de Luiz Gonçalvez, a participação dos desempregados no primeiro feirão não deve ser muito expressiva, mas à medida que o evento for dando resultados, o número de feirantes deve aumentar. A proposta é fazer um feirão por mês.

Para comprar os produtos, a igreja, desde a semana passada, está informando os seus fiéis sobre o evento e pedindo que eles, na medida do possível, adquiram produtos e serviços no feirão. A Paróquia de Nossa Senhora das Graças, conforme explicou Gonçalves, irá fornecer mesas para que os feirantes exponham os seus produtos.

O casal Cláudio Luís Carneiro, 29 anos, e Silvana Cristina Aparecido, 25 anos, estão apostando no feirão para abastecer a dispensa. Ele, que já trabalho como balconista e ajudante geral, está desempregado há dois meses. Ultimamente, tem feito "bicos" como jardineiro e ajudante geral, mas a renda é insuficiente.

Cláudio contou que recorreu a várias pessoas, mas não conseguiu emprego fixo. Silvana, mulher de Cláudio,

é costureira e também está desempregada. O casal está confeccionando guardanapos e tapetes para vender no feirão. O torneiro mecânico Milton Airton Rezende, 42 anos, desempregado há três anos, também aposta no feirão.

Com a experiência de quem já foi masseiro, Minton vai fazer esfirras e cocada para vender no feirão. Ele contou que estava fazendo "bicos" de eletricista, além de comprar e vender carros, mas o lucro com essas atividades caiu muito. Com dois filhos para sustentar e contando apenas com o salário de sua esposa, que é empregada doméstica, Milton acha que o feirão dos desempregados é uma alternativa.

Igreja estuda criar associações

A Paróquia de Nossa Senhora das Graças, ainda visando oferecer oportunidade de trabalho aos desempregados, está estudando a criação de associações de diversas categorias profissionais para facilitar a inserção deles no mercado de trabalho. No cadastramento, além do nome, os desempregados listaram as funções que podem exercer ou habilidades e um endereço para contato.

Conforme Luiz Gonçalves, coordenador do Grupo Fé e Cidadania da Paróquia de N. Senhora das Graças, enquanto não são criadas associações, a igreja está tentando viabilizar a impressão de folhetos com nome, profissão e endereço dos 430 desempregados cadastrados. A idéia é distribuir esses folhetos entre os fiéis da igreja e a outros setores da sociedade.

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