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Paulo Toledo
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Trabalhadores preparam greve geral nos Correios

Trabalhadores preparam greve geral nos Correios

Texto: Paulo Toledo

Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos

(ECT), em todo o País, estão preparando um movimento grevista que pode levar à uma paralisação dos trabalhos. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) realiza uma assembléia, amanhã e domingo, em Belo Horizonte (MG), para analisar a proposta feita pela empresa, considerada ruim, e definir quais as medidas que serão adotadas.

Ezequiel Ferreira Lima Filho, 36 anos, do comando nacional de greve, disse ao Jornal da Cidade, por telefone, de Brasília, que a tendência é que não ocorra acordo com a empresa. Como o Sindicato dos Empregados no Correio de Bauru e Região não é filiado à entidade, a Federação promete atuar na região para fazer com que o movimento tenha sucesso. Porém, Francisco Theodoro de Souza Neto, 57 anos, presidente do sindicato local, acredita que não haverá mobilização na região, uma vez que a proposta da empresa terá que ser aceita para que os empregos sejam preservados.

Lima Filho disse que a proposta feita pela empresa não agradou à categoria e os trabalhadores decidiram dar continuidade a operação padrão e à programação de greves.

O comando de greve mantém o aconselhamento para que a proposta da empresa não seja acatada. "Vamos fazer de tudo para Bauru parar também. Vamos conversar com os trabalhadores e mostrar a eles a necessidade da greve. A federação vai atuar na região", afirmou.

A empresa está oferecendo um reajuste salarial de 2%, mais abono de 40% do salário e a incorporação da produtividade que era paga trimestralmente. Esse último item é considerado ruim tanto pela Federação quanto pelo Sindicato, pois cria diferenciações salariais entre os trabalhadores em percentuais que variam entre 3% e 9%. Além disso, propõe a flexibilização de horário como forma de repor as perdas, retira a liberação dos dirigentes sindicais e não oferece nenhum reajuste de benefícios, segundo a federação.

Desde o início da semana os Correios das principais cidades do País estão funcionando em ritmo de operação padrão, informa a Federação. A operação padrão faz parte do movimento da categoria para pressionar a direção da empresa e consiste em realizar os trabalhos de forma lenta, levando em consideração as normas de qualidade regulamentadas pela empresa. A operação padrão terá continuidade até o dia previsto para a greve geral, 8 de outubro.

De acordo com a Federação, a ECT, por sua vez, alerta que se a operação padrão atrasar o andamento dos trabalhos a empresa vai recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho

(TST).

Sindicato

O presidente do Sindicato de Bauru, Souza Neto, afirma que, no momento, a principal preocupação é a preservação dos empregos e, por isso, acredita que não haverá movimento grevista na região, que abrange a área entre Botucatu, Presidente Prudente e Araçatuba. Para ele, os trabalhadores estão aguardando o reajuste proposto pela empresa. O presidente diz que a tendência é que a proposta dos Correios seja aceita.

Souza Neto afirma que, no fim das contas, a Federação acabará assinando o acordo com os itens propostos pela empresa. Para ele, a atuação da Fentect é muito mais política. "Ela visa mais a política do que os próprios empregados. Faz isso para poder aparecer", cutucou.

Apesar de considerar a incorporação da produtividade ruim, Souza Neto diz que o próximo passo é lutar para que a ECT passe a pagar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

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