Exercício deve ter ritmo acelerado
Exercício deve ter ritmo acelerado
Texto: Sabrina Magalhães e Décio Viotto/AE
A distância percorrida e a intensidade das passadas determinam o resultado da atividade
Para que a caminhada seja considerada atividade física moderada deve ser rápida. "É preciso caminhar um pouco mais depressa do que o normal", observa Adrianne Hardman, professora de metabolismo do exercício humano na Loughborough University, na Inglaterra. "Quando em nossa pesquisa pedimos às pessoas de meia idade que caminhassem rapidamente, caminharam a 6,5 km/h. Para uma pessoa de 75 anos, uma caminhada acelerada poderia ser de 1,6 km em pouco mais de 20 minutos."
Caminhar durante 30 minutos pode ser tão bom quanto correr até suar? De acordo com Hardman, "quando uma pessoa corre, pode gastar 11 calorias por minuto. Em uma caminhada de 5 a 6 calorias. Mas caminhando uma distância maior poderá gastar o mesmo número de calorias de uma corrida." Com relação à saúde, ela assinala:
"Há muitas provas de que os efeitos metabólicos estão relacionados com o total de calorias queimadas e não com a intensidade do exercício."
Os perigos do esqueleto parado
Sedentário é o indivíduo que não gasta 500 calorias por semana - seu gasto diário é de 71 calorias. Apenas um big do MacDonald's tem 420 calorias. De acordo com a Health Education Authority do governo britânico, sedentário é quem não fez nem 20 minutos de atividade física nas últimas quatro semanas.
O cálculo aproximado de sedentários entre os brasileiros estaria entre 70 a 75% da população. Os poucos ativos estariam entre 10 a 15%. Os muito ativos seriam, no máximo, 1% da população -1,6 milhão de pessoas em um universo de 160 milhões.
Tirar um cochilo, sentar-se à escrivaninha, deitar-se na poltrona, passear de carro ou de ônibus, trabalhar no computador, escrever ou ler, costurar, falar ao telefone sentado ou assistir
à televisão são algumas atividades sedentárias.
Para amenizá-las, os médicos recomendam estacionar o carro algumas quadras antes do local de destino e continuar o percurso andando. Ou levantar do sofá para mudar de canal, ao invés de usar o controle remoto. Usar escadas ao invés de elevador. E mesmo para quem passa horas sentado no trabalho, levantar da cadeira e dar uma volta em torno da mesa a cada 15 minutos já ajuda.
Sedentarismo mata:
* Por cardiopatia - os fatores biológicos representam 25% dos casos. O meio ambiente contribui com 9% e o estilo de vida causa 54% das mortes. O risco de morte por doenças cardiovasculares diminui conforme o nível de atividade física. Cai em 66% para aqueles que mantêm 30 minutos por dia de atividade física;
* Por acidente vascular cerebral (derrame) - neste caso, os fatores biológicos correspondem a 21%. O meio ambiente contribui com 22% e o estilo de vida por 50% das mortes;
* Por câncer - os fatores biológicos sobem para 29%, o meio ambiente em 24% e o estilo de vida em 37%. Estudos, de acordo com Victor Matsudo, evidenciam a menor prevalência de alguns tipos de câncer em grupos de pessoas mais ativas.
Curiosidades:
* A chance de uma criança ser sedentária dobra se a mãe for sedentária e triplica se o sedentário for o pai. Mas se o casal é sedentário, a criança tem seis vezes mais possibilidades de ser sedentária;
* Uma maneira agradável de perder calorias é dançando. Perdem-se de 200 a 400 calorias por hora. Pode ser samba, tango, reggae, bolero, mambo e tantas outras danças. Além de queimar gordura, ajuda a modelar o corpo, melhora a flexibilidade das articulações e faz um bem enorme para a mente.
Um exemplo a não se seguir
Um grave exemplo do que pode fazer o sedentarismo é o que ocorre em um diminuto país chamado Nauru, uma ilhota na imensidão do Pacífico Ocidental entre o Havaí e a Austrália. Com 21 quilômetros quadrados, o país era riquíssimo em minas de fosfato. Em 1968, com a independência da ilha, sua população - hoje pouco mais de sete mil habitantes - ficou repentinamente rica. E gorda, muito gorda.
Embora a ilha seja diminuta e tenha uma única estrada, seus moradores têm carros e toda parafernália para sala e cozinha. Nove em cada dez habitantes são obesos, conseqüência da substituição da dieta nativa por alimentos importados. A expectativa de vida baixou
(está em torno de 55 anos) e os sua população apresenta taxas muito elevadas de hipertensão e cardiopatias.
Cerca de 30% dos habitantes acima dos 25 anos e quase 50% de todos os adultos com mais idade têm diabetes - um dos mais altos
índices registrados em todo o mundo. O declínio de Nauru - antes um lugar com coqueiros e outras árvores tropicais, pássaros e mar com muitos peixes - não ocorreu com o fim das suas reservas de fosfatos. Está intimamente relacionado com "a sua" natureza humana.