Trabalhadores do novo prédio do Correio reclamam de pagamento
Trabalhadores do novo prédio do Correio reclamam pagamento
Texto: Márcia Buzalaf
Os trabalhadores do Centro de Operações Integradas
(COI), nova central da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT) localizada no distrito industrial de Bauru, estão reclamando o pagamento que ainda não receberam da construtora encarregada da obra, chamada CMK Engenharia e Construções, de São Paulo. Ao todo, 15 ações foram protocoladas na Justiça do Trabalho contra a empresa e o empreiteiro
(chamado de "laranja") da obra.
O advogado do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru e Região, Josemir Redondo Fernandes, afirma que entre 40 e 50 trabalhadores da obra compareceram ao sindicato para fazer a denúncia contra a falta de pagamento. Deste saldo, Fernandes conta, alguns fizeram acordo, outros foram embora de Bauru sem receber e 15 decidiram entrar na justiça para receber o pagamento.
O coordenador comercial dos Correios, Flávio Edson Marques Lemos, 50 anos, afirma que os Correios não têm nenhum tipo de controle deste serviço, que é executado diretamente entre construtora e trabalhadores. Os Correios efetuam o pagamento para a construtora que repassa para as empreiteiras, que são responsáveis por pagarem os trabalhadores.
De acordo com o coordenador dos Correios em Bauru, Nelson do Amaral Martins, uma média de 30 pessoas trabalharam na obra diretamente, sendo que, indiretamente, foram gerados 150 empregos. Segundo o pintor, em toda a obra devem ter trabalhado aproximadamente 60 pessoas.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru e Região, Cláudio da Silva Gomes, afirma que, entre março e abril, o sindicato requisitou diversas fiscalizações na obra pela quantidade de reclamações que estavam sendo levadas até a entidade. Gomes diz que 36 trabalhadores estavam sem registro na construção e que a regularização destes trabalhadores só foi feita sob muita pressão.
O advogado do sindicato diz que os trabalhadores foram contratados no nome de um funcionário da CMK, um "laranja", não da empresa. Esta prática visa não recolher os encargos e tributos relativos aos trabalhadores.
De acordo com um dos reclamantes, Reinaldo Geraldo da Silva, 37 anos, a construtora responsável deve R$ 20 mil pela pintura de todo o prédio. O pintor afirma que, dentro de 15 dias, poderia terminar o serviço, se conseguisse receber o pagamento.
O engenheiro da CMK responsável pela obra, Michel Chedid Jr., 38 anos, nega todas as denúncias e diz inclusive que não tem nenhum pendência de pagamento com funcionários.
O contrato com o trabalhador, segundo Chedid Jr., condiciona o pagamento à execução da obra, ou seja, é por empreita. Chedid Jr. afirma que os trabalhadores não estavam cumprindo o contrato nem realizando o serviço com qualidade.
O engenheiro diz que a única pendência trabalhista que a construtora tem é com o pintor. "É o
único serviço que não está concluído
é o de pintura. Ele não cumpriu o trato comigo", justifica Chedid Jr.
Ele explica que o pintor receberia R$ 9 mil pela obra toda, sendo R$ 2 mil adiantado. "Eu posso garantir que o valor que ele tem para receber é de R$ 7 mil. Nós temos contrato e testemunhas", garante.
Fernandes, advogado do sindicato que recebeu as denúncias, garantiu que o pintor em questão realmente tem aproximadamente R$ 20 mil para receber da empresa.
Silva está trabalhando desde o dia 15 de novembro do ano passado, sendo o empreiteiro responsável por toda a parte de pintura dos quase seis mil metros quadrados de área construída.
Para o serviço, ele montou uma equipe de 17 trabalhadores.
"E eu paguei parte do que devia para este pessoal, mas agora estou em uma situação difícil com minha família, com as contas que tenho que pagar", lamenta.
Silva afirma que a conversação com os responsáveis pela construção foi feita esta semana, quando eles visitaram a obra. Na oportunidade, Silva recebeu um cheque de R$ 1 mil diretamente da conta do engenheiro responsável. Chedid Jr. diz que as folhas de cheque da empresa haviam acabado, por isso, o problema.
Modernização do prédio custou mais de R$ 1 milhão
O valor da construção do COI em Bauru é de mais de R$ 1,280 milhão. O objetivo da reforma é trazer uma máquina de leitura de cartas que processa 40 mil cartas por hora, além de outros benefícios tecnológicos.
A construção do COI começou no início de agosto do ano passado, com previsão de término para janeiro deste ano. Segundo informações obtidas no local, a inauguração estaria prevista para o dia 1.º de agosto, como parte do aniversário da cidade. Mas, nos Correios, a garantia é que a obra esteja pronta nos próximos 90 dias. Por este motivo, Lemos afirma que o complexo deve ser inaugurado no final deste ano.
A construtora não quis fornecer o prazo estipulado na reunião de quarta-feira para a conclusão da obra. Segundo o engenheiro responsável, será menos de 90 dias. A área construída do terreno era de 2.542 metros quadrados que, com a reforma, ficaria com um espaço de 5.885 metros quadrados, um aumento de 3.343 metros. O total da área que os Correios vão ocupar é de 9.615 metros quadrados.
Em relação à licitação da construção, Gomes, do sindicato, afirma que foram feitas inclusive denúncias de que haveria desvio na utilização de materiais na obra. O pintor confirma a suspeita e diz que apesar da construtora falar que vai usar "produtos de primeira, tudo que foi usado foi de segunda linha".