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Andréia A. Ascari
| Tempo de leitura: 3 min

Paciente do Centrinho escreve para ministro da Saúde

Paciente do Centrinho escreve para ministro da Saúde

Texto: Andréia Alevato Ascari

Uma paciente do Centrinho, Larissa Usberti Sotto, 9 anos, que

é portadora de deficiência auditiva bilateral profunda, com perda progressiva, escreveu para o ministro da Saúde, José Serra, pedindo para que ele envie verbas para a compra de aparelhos auditivos e para o implante do aparelho coclear multicanal para todas as crianças.

"Minha alegria é saber que as crianças podem ouvir e as que ficaram surdas possam ouvir novamente", disse Larissa.

O ministro respondeu pessoalmente a carta de Larissa e explicou que mensalmente o Centrinho recebe uma verba do Sistema Único de Saúde (SUS) para o pagamento de alguns procedimentos, como cirurgias e compra de aparelhos auditovos.

"(...) Nós estamos ajudando = vai, mensalmente, dinheiro. Dinheiro do Ministério (que é o SUS, você sabe o que é?); aumentamos o pagamento para alguns procedimentos

(cirurgia, aparelhos) e também incluímos novos aparelhos na ajuda que o Ministério da Saúde dá.", disse Serra em sua carta.

Larissa, que é de Piracicaba, contou que escreveu mais duas cartas, uma para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Barjas Negri, e outra para o governador Mário Covas. Negri respondeu a cartinha de Larissa. Covas, não.

"Eu vou escrever de novo para o Covas pedindo que ele responda minha carta. Quero saber se ele leu ou não", completou.

Larissa começou a perder a audição aos 4 anos de idade. A causa é desconhecida. Na época, seus pais compraram um aparelho auditivo.

"Hoje eu sei que meus pais pagaram muito caro no meu aparelho", comentou.

Seu problema foi aumentando. Foi quando a família de Larissa procurou ajuda no Centrinho, que atendeu a menina e emprestava aparelhos auditivos, conforme a necessidade.

Em junho desse ano, a audição de Larissa sumiu completamente. Foi quando os médicos do Centrinho avisaram que ela iria realizar um cirurgia de implante coclear multicanal. A operação foi realizada entre 11 e 15 de agosto. Desde o dia 22 deste mês, Larissa ativou os eletrodos do seu aparelho.

Segundo a fonoaudióloga Regina Bortoleto Amantini, o implante coclear multicanal é formado pela parte interna e externa. A parte interna fica embaixo do couro cabeludo e dentro do ouvido interno. A parte externa é formada pelo microfone, pelo processador de som e por uma antena. O microfone capta o som, envia para o processador e depois para a antena, que manda para a parte interna.

"Esse implante é eficientíssimo e indicado para pacientes que não têm mais resultado com o aparelho auditivo individual", afirmou a fonoaudióloga.

O implante coclear multicanal é realizado no Centrinho desde 1990. Até hoje, foram feitas 144 cirurgias desse tipo. Larissa se considera uma menina de sorte, por ter conseguido o implante.

"Sou uma garota de sorte e gostaria que todas as crianças e pessoas que não podem ouvir conseguissem aparelhos auditivos ou os implantes cocleares multicanal. Eu sou tagarela e informada. Assisto TV, leio jornal e acompanho as notícias. Aqui no Centrinho as pessoas que nos atendem são muito carinhosas, o Tio Gastão, os médicos de ouvido, Lamônica e Orozimbo, a Regina (fono) e a Regina (enfermeira), a Leandra, e todas as outras pessoas que têm contato com a gente e que nem dá para citar todos os nomes", concluiu Larissa.

A estimativa da Organização Mundial de Saúde

é de que 1,5% da população brasileira apresenta deficiência de audição neurossensorial profunda. Se considerarmos que o Brasil tem cerca de 160 milhões de habitantes, então são 2.400.000 deficientes auditivos.

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