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Disputa eleitoral

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Tidei: PDT tem maior PIB político

Tidei: PDT tem maior PIB político

Texto: Nélson Gonçalves

Ex-prefeito vê divergências políticas na frente pró-Tobias e classifica alianças do PDT de

"centro direita"

A disputa eleitoral sempre esquenta às vésperas do lançamento de candidaturas. Entretanto, há um ano da disputa que vai escolher o próximo prefeito de Bauru, já começam a despontar os primeiros embates. O ex-prefeito Antonio Tidei de Lima (PMDB), por exemplo, fez um comentário, ontem, que aborreceu o PDT, ou melhor o presidente municipal do partido, Marcelo Borges. Tidei comentou sobre a saída de nomes tradicionais da legenda, como João Parreira e Roberto Purini. De passagem, o ex-prefeito disse que a frente que se forma, a partir do PDT, tem divergências ideológicas e forma

"o maior PIB político de Bauru".

Tidei de Lima avaliou que a aliança do PTB com o PDT significa

"diante do quadro de filiações a formação de um grupo com duas forças econômicas muito fortes.

É inegável a carreira de sucesso dos representantes das famílias Coube e Tobias, bem como o poderia financeiro desse grupo que se forma". O ex-prefeito completa que "mas trata-se de uma força conservadora, de centro direita. Estas alianças melhoram o quadro político em termos eleitorais porque a população terá ideologicamente mais condições de escolher o melhor candidato". Tidei ainda completa que, a frente, "inclusive conta com eminências pardas na legenda".

Tidei tenta despistar seu comentário. "Não faço juízo de valor, mas constatação dos fatos. Os irmãos Tobias são pessoas de sucesso, não há nada de mal nisso. Agora o PMDB, do ponto de vista político, tem uma visão diferenciada sobre este quadro, esta frente. Não se pode ver sucesso numa frente de contrários", cita. Tidei de Lima continua que a "cidade espera forças somando mas com certa sintonia na área de propostas. Existem pontos de vistas diferentes no grupo que está se formando. A frente não

é pela frente, exige certa sintonia".

Ao comparar a situação do PMDB com os grupos políticos que acenam com aliança para as próximas eleições, Tidei diz que "não vamos nos juntar para depois ver o que vamos fazer. O que vai acontecer é aparecer os interesses conflitantes. Nós estamos conscientes do nosso papel. Vamos primeiro definir uma linha básica, para depois conversar com outras legendas, buscar aprimorar essa proposta para a cidade".

Sobre a possibilidade de isolamento do PMDB, neste momento, o ex-prefeito comenta que "o partido vai sair com candidato próprio e uma chapa muito boa. O PMDB não está vazio de idéias para a cidade. Agora, nós estamos fazendo filiações importantes mas que não são tradicionais, mas isso demonstra que estamos renovando e sem conflitos". Para Tidei, com a saída de João Parreira está aberto o caminho para que o PMDB, em sua opinião, promova a maior renovação entre as bancadas a vereador da próxima eleição.

"Além do Futaro Sato, que tem sua reeleição garantida, pelo trabalho que fez, nós vamos seguramente fazer quatro vereadores e até cinco se a campanha for bem elaborada. Vamos renovar, no mínimo, três vereadores. Ninguém vai renovar tanto", cita.

Para PDT, Tidei precisa

rever a escola quercista

O presidente do PDT, Marcelo Borges, rebate os comentários de Tidei de Lima. Para ele, o peemedebista já sinaliza com o desespero. Na mesma linha, Borges acrescenta que o partido do ex-prefeito sofre as consequências do personalismo político. Para completar, Marcelo Borges compara que a frente de partidos em formação junto com o PDT quer resgatar os estragos das "ultimas duas gestões municipais. Uma pela prática do quercismo, privilegiando empreiteiras, outra pelas denúncias de corrupção".

Marcelo Borges diz que o PDT está trabalhando para a "formação de um grande grupo político, para resgatar essa cidade, que foi arrasada pelas duas últimas administrações. Estamos formando uma aliança com todos os representantes da classe política que estão dispostos a participar dessa grande frente. Além da militância estamos em uma aliança que tem nomes como Caio Coube, Tuga Angerami, Roberto Purini, Moussa Tobias, Pedro Tobias e outros nomes respeitados que querem trabalhar para a recuperação de Bauru".

O presidente do PDT também ironiza em relação a Tidei de Lima. "Nós estamos formando uma frente e quem insiste em se isolar no personalismo vai ficar com aliança antigas, com grupos como o Chase Manhattan e Camargo Correa. E esta frente está acontecendo também porque nomes bons do PMDB se decepcionaram com o Tidei e seu governo", cita. Borges avalia que "a cidade precisa ser recuperada. O Tidei, junto com o Izzo, formaram o desastre para o bem do interesse público".

Ainda que o ex-prefeito não mencionasse diretamente o nome do empresário Moussa Tobias - que foi seu vice-prefeito em 1996 -, Marcelo Borges lamenta o comentário de Tidei em relação ao articulador político do PDT.

"O Tidei falar do Moussa é muita ingratidão. Durante 20 anos o Moussa foi quem costurou, articulou e até financiou o Tidei em termos políticos. Quando o Moussa apoiava ele tudo bem. Agora que o Moussa coloca uma posição divergente, de espírito público, coletivo, o Tidei faz citações", fala.

O pedetista alfineta que o ex-prefeito deveria fazer "auto-crítica e rever a prática da escola quercista, implantada por ele na Prefeitura depois de ser secretário de Agricultura do Estado no governo do PMDB e de ser deputado federal. O PMDB do presente é o PMDB da geração do Quércia, de quem gerou dívidas com o Chase Manhattan e a Camargo Correa no Município. O PMDB foi um grande partido, mas o partido do Ulisses e do Montoro. Aquele era o bom PMDB".

Por falar em formação de uma frente política, o PDT também filiou novos nomes, esta semana. Marcelo Borges confirma a assinatura das fichas de Clorinda Queda, João Parreira, José Humberto Santana, Francisco Monteiro e Francisco Simi, entre outros. O ex-vereador, Claúdio Petroni, que iria para o PDT, assinou com o PSD, que confirmou coligação com os pedetistas. (NG)

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