Açucar vai subir até 20% para o consumo
Preço de custo do açúcar refinado sobe 100%
Texto: Luciano Augusto
O quilo do açúcar refinado deverá ficar mais salgado para o consumidor e o aumento estimado poderá ultrapassar os 20%. Em 60 dias, o preço de custo do produto passou de R$ 0,26 para R$ 0,52, ou seja, alta de 100%. Os supermercados apontam a cotação do produto no mercado externo e os recentes incentivos do Governo à produção de álcool como os responsáveis pela alta.
O coordenador de compras da rede de supermercados Confiança Max, Paulo Sanches, 43 anos, disse que "a explicação para o aumento é a exportação". A exportação está mais lucrativa que o mercado interno e as usinas estão preferindo vender para o mercado externo do que atender a demanda interna. O recente incentivo do Governo Federal ao programa do
álcool também contribuiu para o aumento.
Por outro lado, Sanches argumenta que o custo do açúcar
à R$ 0,26 estava defasado em relação ao custo de produção. "Mesmo assim, eles deveriam aumentar mais gradativamente".
A tradicional diferença de preço entre os açúcares refinado e cristal também já não existe mais. Segundo Sanches, algumas usinas já "comentam" que poderá haver falta de açúcar cristal no mercado. "O cristal era 20% mais barato e, agora, está praticamente o mesmo preço e as usinas preferem vender o açúcar refinado, mesmo o custo sendo maior, porque traz mais resultados no final da operação", avalia o coordenador de compras do Confiança.
Cláudio Moura, diretor do Supermercado Panelão, comentou que as usinas "se abriram para a exportação" e, inclusive, não negociam compras além da quota tradicional dos supermercados. Antes do aumento, garante Moura,
"dava para comprar quantas cargas quisesse".
Com isso, as usinas pequenas também passaram a lucrar mais. Como as grandes preferem exportar, as pequenas suprem a demanda faltante, mas o preço ofertado é o mesmo.
Os supermercados, para não repassarem a totalidade do aumento para os consumidores, estão trabalhando com os estoques e diminuindo as margens de lucro. Segundo Moura, do Panelão, a margem de lucro do açúcar que é de 20%,
"já considerada pequena", deve cair para 10%.
Mesmo assim, o consumidor deverá sentir um aumento nos preços de, pelo menos 20%.
Usina
Na Usina da Barra, em Barra Bonita, a informação
é de que "o produto não subiu, ele apenas está recuperando as perdas acumuladas". Conforme a usina, o preço do quilo do açúcar refinado no início do Plano Real era R$ 0,68, caiu para R$ 0,26 e, atualmente, está em R$ 0,50.
Os motivos que possibilitaram esta "recuperação" da defasagem foram as "boas possibilidades de negócio no mercado externo". O programa de incentivo à produção de álcool também contribuiu para o reajuste dos preços.
Como "historicamente" ainda há defasagem em relação aos custos de produção do açúcar, existe a possibilidade dos preços serem acrescidos. Mas, segundo a usina, "é preciso ver se o mercado aceita isso, porque é a lei da oferta e da procura". Caso as possibilidades de negociação forem melhores,
é possível que suba mais. Caso contrário, se o mercado estiver ruim, os preços poderão cair.
Papel higiênico
Pressionado pela cotação da celulose no mercado internacional, o preço do papel higiênico, nos últimos 50 dias, subiu quase 50%. O papel de folha simples (mais popular) que custava para o supermercadista R$ 0,75, agora está em R$ 1,19.
"Estão prometendo para este mês mais 20% de aumento", adianta o coordenador de compras da rede de supermercados Confiança.
Com o aumento da cotação da celulose (matéria-prima do papel higiênico) no mercado internacional, o papel higiênico teve seu preço elevado. O produto deve subir entre 15% e 20% para o consumidor final.