Professor da USP acusado de irregularidades rebate as críticas
Professor da USP acusado de irregularidades rebate as críticas
Texto: Adriana Rota
O professor do Departamento de Prótese da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo de Bauru (FOB/USP), Aguinaldo Campos Junior, concedeu uma entrevista coletiva à imprensa, ontem, onde rebateu algumas acusações e insinuações feitas contra ele durante sua gestão como coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisas de Implante Odontológico (Napio). Em companhia de seus advogados, apresentou farto material composto de cópias de documentos aos jornalistas.
Campos Junior iniciou sua fala afirmando que os documentos fornecidos ao jornal Folha de São Paulo, que desencadearam toda a repercussão do caso em matéria publicada no último dia 4, não faziam parte de nenhuma sindicância para investigar o núcleo na ocasião. O que havia, segundo ele, era um processo investigativo destinado a apurar possíveis irregularidades na diretoria da FOB. O objeto de sindicância teria surgido somente após a reportagem da Folha.
Com referência à prestação de contas
à pró-reitoria de pesquisa, a supervisão e a gestão administrativa, dentre outras atividades, caberiam ao conselho deliberativo, conforme determina o regimento geral dos Núcleos de Apoio a Pesquisas (Naps), instituições criadas para atuarem num tempo determinado suprindo as carências da universidade. Ao coordenador científico - cargo ocupado por Campos Junior -, caberia a representar o Nap, elaborar os relatórios científicos e implementar as decisões do conselho deliberativo.
Campos Junior afirmou não ter tomado conhecimento da demissão dessas pessoas, com exceção de um professor. Disse, ainda, que eles poderiam, a qualquer tempo, ter convocado reuniões ou outras atividades. "Decididamente, não era função exclusiva do coordenador científico", salientou. Como os professores desenvolviam trabalhos científicos no Napio, segundo ele, havia um contato direto com a coordenação, que nunca teria recebido solicitação para convocação de reuniões ou qualquer outra espécie. Campos Junior questiona o que chama de "lógica administrativa":
"se alguém tem alguma atribuição legal e regimental, não a cumpre porque alguém não a convocou?", e afirma ter cumprido funções que não lhe competiam.
Quanto ao encerramento das atividades do Napio, Campos Junior admite ter sido solicitada por ele, uma vez que suas finalidades teriam sido cumpridas. "Se fosse realmente uma pessoa centralista, por que proporia a incorporação do núcleo ao Departamento de Prótese onde não tinha, como não tenho até hoje, a função de chefia?", argumentou.
Afirma, ainda, que da data do envio do pedido de desativação
à FOB (em setembro de 1997) ao seu retorno (em 4 de junho de 1998, permanecendo em seu poder até 22 de junho), passaram-se quase 10 meses sem que tivesse notícias do processo neste período. "O que foi feito de 22 de junho de 1998 a 5 de fevereiro de 1999?". Na época, segundo ele, as
"atitudes persecutórias" contra Campos Junior teriam aumentado "significativamente". Trata-se, segundo informou, de retenção de processos de importação, retirada de telefones, bloqueios de correspondência, de almoxarifado, que estariam todos documentados e incorporados aos documentos da comissão de sindicância.
No início deste ano teria sido criada uma comissão de avaliação do Napio, que passou a ser uma entidade de interlocução com a Reitoria, segundo Campos Junior.
"Esta comissão surgiu após eu ter aceitado pacificamente todas as considerações feitas pelo doutor Waldir Antonio Jorge para encerrarmos o núcleo com incorporação de bens ao Departamento de Prótese. O professor Aymar Pavarini, porém, decidir criar esta comissão. Lembro sempre que jamais fui chamado a prestar qualquer esclarecimento. As reuniões de São Paulo não tiveram, nem de longe, um caráter de prestação de contas, mas de tentativa de pacificação de ânimos". O mal-estar com Pavarini teria sido causado pelo apoio de Campos Junior a outro candidato à diretoria na época das eleições. "Não é nada pessoal. Ele foi meu professor, eu o respeito. A discussão é no campo funcional".
Os projetos da (Finep) e da Fundação Banco do Brasil
(FBB), segundo ele, são gerenciados pela FOB. No segundo, a contrapartida da faculdade seria a construção de um edifício que abrigasse a clínica e liberasse espaço no prédio principal do Napio. O prédio, mesmo com recursos, terreno e projeto físico, não teria sido iniciado. "Dali sairiam os equipamentos clínicos e poderiam ser alocados outros, como o torno de usinagem, que foi transportado para Blumenau pela FOB e lá patrimoniado. Assim como a clínica de atendimento de pacientes, estes equipamentos necessitam de espaço físico adequado".
É aí que a Ensimec entraria na história, por ser uma empresa especializada neste campo de conhecimento.
"Foi tudo realizado de maneira transparente e límpida".
A existência da Künzel, empresa de sua propriedade
(mas não administrada por ele), estaria totalmente dentro da legalidade. O que a Künzel possui, segundo ele, é um projeto de pesquisa universidade-empresa com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que teria sido aceito por todos os envolvidos, inclusive a FOB, através do chefe do Departamento de Prótese, seu chefe mais imediato. Campos Junior fala de "preconceito" com o que julga ser "uma alternativa moderna de incorporação de tecnologias de ponta aos processos produtivos, que nos Estados Unidos é chamado de 'research park', aqui de promiscuidade". Disse, ainda, orgulhoso: "O que eu já trouxe de dinheiro para a universidade é mais do que todos os outros professores juntos".
Com relação às cobranças das consultas, Campos Junior afirmou que a cota do SUS que era de 60 implantes caiu para 19 com o ministro Adib Jatene. A partir daí, quem tivesse interesse em fazer o tratamento assim mesmo tinha de pagá-lo, porque o SUS não cobriria. O pagamento era feito na Funbeo, segundo o próprio tesoureiro afirmou em reportagem ao JC na última terça-feira.
A utilização do nome "Napio" teria sido feita para facilitar as vendas da universidade, já que, por ser uma entidade destinada exclusivamente ao ensino, não teria poder para tal. Isso, segundo ele, ocorre no mundo todo. A tecnologia produzida propiciaria um preço bem mais acessível
- um pino de titânio que custa 35 dólares ficaria em torno de 300 normalmente -, e os alunos teriam acesso a essa tecnologia de ponta para desenvolver suas atividades.