Geral

Bancários

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Bancários fazem manifestação contra BB e CEF

Bancários fazem manifestação contra BB e CEF

Texto: Luciano Augusto

Lutar contra a "exploração dos que estão do lado de dentro do balcão (os bancários) e também dos que estão do lado de fora (os clientes)" em relação

às instituições estatais, Banco do Brasil

(BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), que podem ser privatizados. Esse foi o mote do protesto realizado, ontem, pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região em frente a agência central do Banco do Brasil (BB), conforme explicou o diretor jurídico da entidade, Ivo Fontana Cardoso, 45 anos.

A campanha, tirada em nível nacional pela categoria, faz parte das negociações sobre a campanha salarial dos bancários, cuja data-base é 1.º de setembro.

Os protestos se avolumaram, segundo Cardoso, porque há cinco anos o Banco do Brasil não concede nenhum reajuste salarial e, com a postura de apostar nas negociações e não mais nas paralisações (a última greve dos funcionários do Banco do Brasil foi a quase 9 anos), "os bancários foram acumulando derrotas". Embora a categoria tenha feito o protesto e relatado a situação do funcionalismo do Banco do Brasil, ela afirma que em relação

à CEF, a situação é similar.

"A medida que o tempo foi passando, o Banco do Brasil foi endurecendo com os funcionários", argumenta o diretor jurídico do sindicato dos bancários. De acordo com ele, o banco vem exigindo uma carga de trabalho "nos limites das forças dos funcionários", com uma redução de 50 mil trabalhadores do quadro funcional do banco; o índice de doenças profissionais aumentou; e muitos direitos conquistados estão sendo extintos pelo banco.

É o caso do anuênio, por exemplo, pelo qual todo funcionário, ao fim de cada ano, tem acrescido o percentual de 1% ao salário. Segundo o sindicato, o BB quer incorporar o benefício aos salários, até 31 de agosto, e a partir desta data ninguém mais passaria a ter direito ao benefício.

A mesma prática foi adotada com o plano de cargos e salários,

"que simplesmente, depois de anos, o banco extinguiu". O plano estabelecia que a cada triênio, os funcionários tinham acrescidos aos salários, percentuais de 10%, 12% e 16%, dependendo dos anos trabalhados (funcionários mais antigos recebiam os maiores percentuais).

A alegação do banco, conforme Cardoso, foi de que o benefício significava crescimento vegetativo e hoje, com uma política com moeda estável, esse crescimento não mais se justificaria.

Por outro lado, afirma o diretor jurídico, "o banco vem exigindo metas cada vez maiores e no momento que o funcionalismo cumpre tal meta, o banco estima uma outra maior". Ele ressalta que os planos de metas são atrelados à avaliação de conceito funcional do trabalhador, que é pontuada pelo banco. "No momento que o funcionário não atinge, ele pode ter revista a sua situação em caráter disciplinar e até mesmo demitido", complementa.

De acordo com o sindicato dos bancários e financiários, o Banco do Brasil oferece um abono, de caráter indenizatório, de R$ 1.300,00, para as carreiras administrativas e técnico-científicas, e de R$ 650,00, para a carreira de apoio de serviços gerais. Esse abono seria pago assim que fosse assinado o acordo coletivo, que ainda está em discussão. Neste ponto, BB e CEF divergem. Em relação à Caixa Econômica Federal, o abono oferecido foi de R$ 1.000,00.

Os bancários aproveitam a mobilização da categoria para protestarem também contra a "ordem macro-econômica" do Governo Fernando Henrique Cardoso.

Cardoso lembra que neste ano, o BB completa 191 anos de fundação

(no mês de outubro) e sua função essencial,

"que era servir como banco de fomento e patrimônio do povo brasileiro, criado para o desenvolvimento da política nacional". Para o sindicato, com a implantação do sistema neoliberalista e do Plano Real, o BB acabou desviando-se dessas funções e hoje, "se transformou em mais um banco comercial".

Bancos

O posicionamento dos bancos, tanto o do Banco do Brasil quanto o da Caixa Econômica Federal, é de aguardar a assinatura definitiva do acordo. Até lá, as instituições financeiras dizem não poder opinar.

A assessoria de imprensa da Caixa comentou que o dissídio coletivo é um assunto macro-econômico, que está sendo negociado entre a diretoria do banco e o órgão de representatividade dos funcionários, o Contec.

O Banco do Brasil também alegou não poder se manifestar em relação às negociações do acordo coletivo. Entretanto, a assessoria de imprensa adiantou que no dia 14 de outubro deve haver mais uma reunião entre os presidentes dos sindicatos de todo o País, que representam os bancários, e a diretoria do BB em Brasília, continuando o processo de negociação.

Comentários

Comentários