Tucanos poderão disputar presidência
Tucanos poderão disputar presidência
Texto: Josefa Cunha
Apesar de confirmado o consenso para o processo de renovação do diretório, o PSDB de Bauru poderá vivenciar uma disputa na escolha do seu futuro presidente municipal. O "racha parcial" é tido como certo nos bastidores, embora os protagonistas da possível polarização
- Edmundo Albuquerque e Rubens Spíndola - evitem fomentar a especulação.
A convenção dos tucanos, marcada para o próximo dia 17, vinha sendo alvo de polêmica até a desfiliação de Tuga Angerami. Na época, três grupos - os tuguistas, o núcleo ligado aos vereadores e uma terceira via que se dizia representante da "base" - ensaiavam lançar chapas distintas. A saída do ex-deputado, entretanto, provocou uma aparente reação aglutinadora e, há cerca de duas semanas, o partido resolveu caminhar unido nas eleições internas.
Divergências relacionadas ao rumo do PSDB nas eleições do ano 2000, contudo, indicam que a escolha da futura comissão executiva, especialmente a do presidente, não será consensual. Os vereadores Edmundo Albuquerque e Rubens Spíndola são os cotados para encabeçar a disputa interna. Spíndola admite discordar das avaliações eleitorais do colega, mas Edmundo ameniza, garantindo que vem trabalhando para a definição de um nome comum no comando do ninho tucano. "Não tenho intenção de disputar a presidência, pelo contrário, gostaria que o processo de renovação do partido ocorresse em total consenso", costurou.
Na verdade, as idéias de Spíndola e Edmundo quanto
à postura a ser adotada pelo partido no pleito do ano que vem são discordantes, para não dizer antagônicas. O primeiro, pré-candidatíssimo a prefeito, defende
- quase que em caráter impositivo - uma candidatura majoritária própria, sejam quais forem os futuros aliados. "Temos que fazer um PSDB forte para assumirmos o Executivo. O nosso partido está no comando administrativo federal e estadual, e tem tudo para chegar ao municipal também", pregou.
Edmundo, por sua vez, não coloca como condição
"sine qua non" a escolha de um nome tucano nas costuras com os potenciais aliados. "Eu também acho que o PSDB tem que ter candidato próprio, mas, antes de tudo, entendo ser necessária uma coligação forte, que nos dê possibilidade real de chegarmos ao governo municipal.
É muito cedo, entretanto, para discutirmos esse assunto", encerrou.
Uma segunda discordância entre os dois vereadores tucanos estaria relacionada às possibilidades de coalizões. Spíndola vem defendendo uma discussão "mais aberta", ou melhor, "aberta a todos". "Não podemos restringir as conversações a este ou àquele partido. Preferencialmente, defendo a aproximação com os partidos de esquerda, como o PT, mas acho que também podemos falar com o PFL e, por que não, até com o PPB, que já apóia o PSDB na esfera federal", comentou.
Mais comedido, Edmundo evitou falar nos potenciais aliados e negou que as conversações estejam limitadas ao PTB de Caio Coube e ao PDT dos irmãos Tobias. O parlamentar, contudo, mesmo sem fazer restrições, deixou claro que não concorda e nem apóia relações mais estreitas com o PPB do deputado Carlos Braga e Paulo Maluf.