Rádio pirata é lacrada pela Polícia Federal
Rádio pirata é lacrada pela Polícia Federal
A FM Geração Jovem, que operava em 97,9 no dial dos rádios em Bauru, foi lacrada ontem numa operação da Polícia Federal. A denúncia foi recebida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a PF tratou de coibir o crime, que é enquadrado no artigo 183 da lei 9.472 e diz respeito à não existência de autorização por parte do Ministério das Comunicações para transmissão. A detenção, nestes casos, pode variar de 2 a 4 anos. A multa gira em torno de R$ 10 mil.
A rádio funcionava num cômodo da residência de Arlindo Luiz Ribeiro, 40 anos, localizada na quadra 8 da Alameda dos Goivos, bem próxima a uma grande empresa radiofônica da cidade. Ainda assim, a FM Geração Jovem conseguiu operar por 11 meses, com programas musicais e veiculação de anúncios.
Foram apreendidos somente os equipamentos utilizados para radiodifusão, como 141 CDs, um transmissor, uma mesa de operação e um microfone. O restante do mobiliário, de acordo com o delegado Washington Meneses, permaneceu no local. O dono da casa foi encaminhado à Cadeia Pública de Bauru sem apresentar resistência.
Um funcionário estava na rádio no momento do flagrante policial, mas foi liberado. A PF não soube precisar quantas pessoas prestavam serviços à emissora. O alerta dado por Meneses foi que tanto funcionários quanto anunciantes procurem obter informações antes de estabelecer ligações com estes tipos de atividades. Quanto à população em geral, deve apresentar suas denúncias pelo telefone 0800-379900.
As rádios piratas dificultam a comunicação das ambulâncias, viaturas policiais e do Corpo de Bombeiros, torres de comando de aviões, além de interferir na transmissão de aparelhos de rádio e televisão.
O que é uma rádio pirata?
"Rádio pirata" identifica um tipo de atividade específica na radiodifusão sonora. O termo surgiu no início da década de 60, na Inglaterra, para identificar irradiações em FM cuja estação emissora encontrava-se em um navio na costa britânica, porém fora do controle das milhas marítimas. Essa estação considerada ilegal pelo governo inglês foi montada por jovens que não aceitavam o monopólio estatal e não suportavam as programações das emissoras oficiais controladas pelo governo.
A emissora pirata tinha uma produção musical baseada no movimento de contra-cultura que não tinha espaço nas emissoras oficiais e era combatida pela programação conservadora da cultura inglesa. Para combatê-la o governo inglês ampliou seu domínio sobre as milhas marítimas. Quando a rádio pirata foi apreendida houve uma reação da juventude inglesa que fez surgir centenas de emissoras em território inglês.
Portanto, o termo pirata se aplica especificamente às irradiações ilegais que transmitem do mar para a terra. No Brasil, o termo foi adaptado e passou a identificar estações de rádio irregulares. Em São Paulo, também foi usado na década de 80 por algumas emissoras, mas foi logo depois descaracterizado. Nas poucas iniciativas que se têm notícias em meados de 1990, no Rio de Janeiro, a emissora ilegal confundia emissões clandestinas com emissões piratas já que algumas iniciativas procuravam emitir sem permitir a identificação e tinham uma característica político-partidária. Em alguns registros fotográficos ou em vídeo os participantes dessas poucas emissoras apresentavam-se fantasiados e mascarados de piratas.
O termo pirata passou a ser usado como pejorativo de tudo quanto
é ilegal pelos proprietários das grandes emissoras e pela indústria de produção cultural para identificar cópias ilegais de seus produtos em música, cinema e vídeo.
Fonte: http://www.clipinfo.com.br/radiousp/radiobr/oqradp.htm