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Editorial

B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

Internet não tira o homem da caverna

Internet não tira o homem da caverna

Autor: B. Requena - ele é editor de Internacional do JC

Nos dias atuais, imaginar que a humanidade esteja desfrutando de certos avanços como a rede internacional de informações via computador, a Internet, é algo fantástico. Contudo, no outro lado da moeda, é deprimente constatar que há muita gente vivendo na Idade da Pedra Lascada. Há, ainda, a nosso ver, uma terceira posição. Trata-se daquela que, embora pareça um grande avanço, é o mais puro retrocesso. Sem contar outras das quais não se forma fácil nem rapidamente uma opinião a respeito, como o garoto que num programa de TV interativo, desta semana, faz uma chantagem emocional com a garota sua namorada: "ou transa até o dia do meu aniversário ou será o fim de tudo". E como hoje segredo é palavra que só consta no dicionário, a família toda, talvez também o papagaio, o dono do bar da frente, o verdureiro

é que vão decidir: transa ou não transa, deixa ou não deixa e por aí vai. Se aí há algum avanço na TV para os valores sociais é tema para cada um refletir. Se é agradável (na vida real, não na fictícia) para os jovens envolvidos ter a questão amorosa tão íntima submetida a "plebiscito", torná-la tão pública em relação a parentes, vizinhos e amigos, também é sinal dos tempos e só os namorados de hoje podem opinar...

O segundo assunto é a guerra que o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, declarou contra o Governo Federal (Exército). Para fazer isso, Itamar provou que é um homem topetudo. Como comandante-em-chefe das Alterosas, não é a primeira vez que o caudilho pensa em ir à guerra contra o príncipe rebelde FHC. Aliás, sua criatura. Infelizmente, Itamar não revela se pretende proclamar a independência de Minas Gerais ou se está só a se rebelar contra a "derrama" imposta por Brasília.

De qualquer maneira, seria muito interessante ver o generalíssimo

(Itamar) Franco pôr em ação sua máquina de guerra na fronteira. Dizem que as Minas Gerais desenvolveram potentes "bombas" de doce de leite, sem contar os mísseis de longo alcance "Iau" (cujo nome é o contrário de "uai"). Esses mísseis, quando caem, esparramam grande quantidade de pães de queijo envenenados. Há também os famosos tanques "Tutu", armamento pesado com tração de feijão que quase sempre vence pela flatulência. E, finalmente, a técnica mineira de colocar doce de leite cremoso no asfalto, rente com a represa por onde passa o inimigo. Os tanques vão derrapando, escorregando no doce e caindo n'água da represa de Furnas. Oh, Itamar!

Quanto ao comerciante paulistano que ordenou lhe cortassem o punho, ficando maneta (te peguei, hein, leitor), meu temor não está sendo tanto pelo que aconteceu com o rapaz. É que ele está sendo procurado demais para dar entrevistas aos jornais, emissoras de rádio e televisão. E isso provoca uma certa projeção e uma inveja generalizada em muita gente que tem quase inexistente o QI (queijo impróprio) dentro da castanha. Dizem que dois empresários estão dispostos a ajudar o "aleijado por conveniência". Basta começar a divulgar muito o sucesso e brevemente distinguiremos nas ruas os casados e noivos por aliança no anular ou no médio. Sem contar os prejuízos das fábricas de luvas, que terão que vender seus produtos para a população com 50% de desconto. A você, leitor, não aconselho que adote essa medida extrema. Porque depois não será fácil aparecer alguém te dando uma "mãozinha". Como vemos, na era da Internet, ainda há gente vivendo no tempo das cavernas.

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