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Desarmamento

Erika de Lima
| Tempo de leitura: 3 min

Comemoração de desarmamento infantil não é festejado

Comemoração de desarmamento infantil não é festejado

Texto: Erika de Lima

Mesmo hoje, sendo o Dia do Desarmamento Infantil não há muito o que se comemorar em Bauru. De acordo com o 2º tenente da Polícia Militar (PM), Wladimir Borges de Freitas, a criminalidade nas escolas está crescendo e o número de adolescentes que portam armas também. "A violência nas escolas está aumentando e principalmente devido ao surgimento de gangues nas escolas do município", afirma.

Neste ano a PM registrou três casos de alunos armados com revólveres em algumas escolas de Bauru. As quais as diretorias pediram para não ser identificadas. Além desse registro, a PM também fez outra ocorrência de mais dois casos. Dois professores foram agredidos por alunos, sendo que um dos mestres foi esfaqueado próximo da escola. Dois dos jovens agressores eram envolvidos com tráfico de entorpecentes, o outro só usava a faca para se mostrar superior, informou Freitas.

Até mesmo houve uma pequena evasão nessas escolas, porque os alunos ficaram com medo e não quiseram voltar a estudar. Segundo o tenente Freitas, cerca de 31% dos estudantes da escola Durval Guedes de Azevedo abandonaram-na por medo das agressões das gangues que lá existem.

Em geral, os menores agressores que possuem armas estão envolvidos com tráfico de entorpecentes e fazem parte de gangues. Freitas explica que o adolescente que está nessa situação sempre carrega consigo uma arma. E relata:

"A cada 12 armas apreendidas após disparo, uma foi usada por adolescente, ou mesmo contra ele. Ano passado foram registradas 367 brigas entre os estudantes da cidade".

Os furtos também são cometidos em grande parte por menores, que também participam de gangues. Cerca de 14% dos furtos de objetos que ocorrem em Bauru são cometidos por gangues. Para a Organização das Nações Unidas (ONU) esse índice é muito elevado para ocorrências de furtos. E 13% dos veículos roubados tem envolvimento direto de um adolescente.

Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) mostram que em cada sete mortes ocorridas na região, há um adolescente envolvido como agressor.

Para o tenente Freitas, o problema é o envolvimento precoce do adolescente com armas de fogo. "Os jovens acabam tendo contato com armas desde cedo, até mesmo em clubes de tiros ou competições. Isso deveria ser proibido, porque a cada 130 pessoas no mundo que manuseiam armas, uma é criança", reflete.

Mas, isso não é tudo. Conforme informou o tenente, no estado de São Paulo, 12% das mortes de policiais tem envolvimento de adolescentes dos 12 aos 17 anos. Sendo que são utilizadas armas em 98% dos casos.

Um levantamento realizado pela ONU verificou que são cometidos três milhões de crimes anualmente dentro das escolas, isso significa ocorrem 16 mil crimes por dia, ou então, um crime a cada seis segundos. Nesses crimes inclui desde simples furtos até mortes de estudantes.

No entanto, há no município algumas escolas que participam do programa Jovens Contra o Crime da PM e tem surtido resultados positivos. Esse grupo objetiva evitar crimes no meio escolar, integrando alunos, família e polícia, para solucionar os conflitos existentes dentro da escola.

Freitas diz que em Pirajuí após o trabalho preventivo

(Jovens Contra o Crime) as brigas numa escola foram reduzidas de 93 para quase nenhuma por mês. Para ele o trabalho em comunidade e principalmente o interesse do estudante é o que torna o programa eficaz.

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