Natan rebate críticas e nega traição
Natan rebate críticas e nega traição
Texto: Josefa Cunha
O novo vice-presidente do PSDB, Natan Chaves, eleito ao cargo por aclamação na convenção municipal recém-realizada, rebateu as críticas que o ex-presidente tucano, Carlos Roberto Ladeira, fez ao grupo que agora detém o comando do partido. Horas depois da vitória do vereador Rubens Spíndola à presidência da executiva, conquista que contou com o apoio de Natan, Ladeira classificou como desastrosa a nova formação da cúpula e sugeriu a ocorrência de traição ao comentar o resultado da convenção. "O Spíndola foi o Cavalo de Tróia que trouxe Natan na barriga", disse, na ocasião.
Sem partir para o contra-ataque pessoal, Natan voltou ao assunto ontem e considerou a postura de Ladeira inaceitável. Ele garantiu que em nenhum momento teve intenção de
"passar o tapete" no ex-presidente tucano, que, na convenção, saiu em defesa da candidatura de Edmundo Albuquerque à presidência do partido. "Se eu quisesse trair esse ou aquele grupo, não teria declarado prévia e publicamente o meu apoio ao Rubinho (Rubens Spíndola) e muito menos teria defendido o voto aberto. Aliás, decidi falar que apoiava o Rubinho porque muita gente achava que eu estava do lado do Edmundo. A vitória foi eticamente indiscutível, tanto que acabei aclamado vice-presidente. O problema é que as críticas vêm depois, quando se está longe. Quando li as declarações do Ladeira, me senti como um jogador de futebol que faz o gol da vitória e sai do campo ovacionado, mas que depois é criticado porque o gol estava impedido", comparou.
Segundo Natan, a escolha do presidente ocorreu sem nenhum acordo pré-estabelecido, embora a tentativa de um consenso tenha se estendido até minutos antes da eleição.
"Como não chegamos a um acordo, resolvi ficar com o Spíndola, até porque sempre deixei claro que minha fidelidade seria ao Ladeira e não à quem ele viesse a indicar. Não me senti obrigado a votar e a pedir votos para o Edmundo", argumentou.
A decisão de apoiar Spíndola, entretanto, não esteve vinculada somente a esse episódio. Natan confessou que ficou abalado na véspera da convenção, quando ouviu o petebista e ex-tucano Ricardo Carrijo declarar
"que tudo já estava fechado com Ladeira e Edmundo".
"Ele até chegou a dizer que os cargos para as eleições do ano 2000 estavam definidos. A partir desse momento, comecei a pensar diferente", contou.
Para o vice-presidente tucano, as acusações que lhe imputaram de querer dominar o ninho são comprovadamente descabidas. Como argumento, Natan alega que poderia ter lançado mão de outras táticas se quisesse ter a hegemonia partidária em torno de si. "Eu poderia ter me candidatado sozinho à presidência ou indicado mais gente do meu grupo ao diretório, já que o Edmundo e o Rubinho me ofereceram vagas. Eu sou profissional e, se traí alguém, o fiz abertamente", enfatizou.
Na verdade, a falta de consenso no processo de renovação do diretório tucano teria começado com a não-filiação do empresário Moussa Tobias ao partido. A idéia inicial era ter Moussa no PSDB para que houvesse um consenso geral, com Ladeira mantendo-se na condição de presidente e articulando coligações. O declínio do empresário ao convite, no entanto, teria desestimulado Ladeira, desencadeando a disputa entre Spíndola e Edmundo - o primeiro, defendendo candidatura própria do partido à Prefeitura; o segundo, apoiando coligações com o PDT e PTB, sem fazer questão de um tucano na cabeça de chapa para 2000. "O Ladeira desistiu porque o Moussa não veio. Essa é a verdade e a razão dos acontecimentos seguintes", revelou.
Apesar das críticas recebidas, Natan garantiu que não tem disposição para um confronto com o ex-dirigente, até porque considera democrático e justo o direito a divergências. "Ele está no PSDB e tenho certeza de aqui ficará", disse, num sutil desestímulo ao especulado vôo do tucano para o PDT.