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Marcos Zibordi
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Ortega gastou R$ 120 mil em 9 dias

Ortega gastou R$ 120 mi em 9 dias

Texto: Marcos Zibordi

Servidores municipais de Pirajuí acusaram publicamente prefeito afastado e mostraram documentos

Pirajuí - Em mais um embate da já lamentável situação política de Pirajuí, os servidores municipais fizeram ontem uma espécie de julgamento público do prefeito afastado José Carlos Ortega (sem partido). Segundo documentos apresentados pelos servidores no Ginásio Municipal de Pirajuí, Ortega teria gasto R$ 120 mil nos 9 dias em que ocupou pela última vez a cadeira de prefeito. Os funcionários prometeram impedir a entrada de Ortega na Prefeitura caso ele seja reconduzido ao cargo na próxima quinta-feira, data prevista para mais dos julgamentos na Justiça.

Uma comissão de servidores, eleita em assembléia, obteve autorização do departamento Jurídico da Prefeitura e teve acesso aos documentos que comprovam os gastos. Foram R$ 120 mil nos nove dias em que ocupou a Prefeitura de 6 a 19 deste mês. Na verdade, os dias úteis são cinco, descontados dois dias de greve e mais dois de paralisação.

Segundo a relação dos servidores, Ortega pagou seus salários dos meses em que se encontrava afastado da prefeitura. Ele teria pago retroativamente seus vencimentos dos meses de setembro, outubro e novembro de 98 e, ainda, junho, julho, agosto e setembro de 99. Seu salário mensal é de cerca de R$ 6 mil. Segundo Rosevani Martins, 32 anos, "não existia mais setor de Compras e Contabilidade". Todos os pagamentos eram centralizados no gabinete do prefeito.

Cerca de 300 servidores estavam no ginásio da cidade para ouvirem o relatório que acusou Ortega de recolher e não pagar o INSS, o FGTS e a Unimed desde quando assumiu a prefeitura, em janeiro de 97. Segundo Martins, só a dívida com a Unimed chega a R$ 150 mil.

Segundo os servidores, foram descobertos documentos que comprovam descontos de R$ 10 a R$ 30 reais da folha de pagamento de 88 funcionários públicos.

Contratos com advogados também foram apresentados pelos servidores. De acordo com a denúncia, Ortega teria pago com dinheiro da prefeitura contratos particulares de 20 advogados que o defenderam. O valor gasto é de R$ 260 mil. Nenhum advogado é de Pirajuí.

A representante da "Fundação 19 de Março" também se manifestou para dizer que a escola está sem o repasse da Prefeitura há cinco meses. "A escola vai fechar", disse Margareth Medina Fonseca. Segundo ela, desde outubro de 97 o FGTS e o INSS são descontados dos servidores mas não são repassados aos órgãos competentes. "O diretor da escola pode ser detido por estelionato por causa do não repasse dos descontos".

A decisão, unânime pelo menos entre os que estavam presentes no ginásio, é de impedir a entrada de Ortega na Prefeitura caso ele seja reconduzido ao cargo. "Não trabalhamos mais para o Ortega".

O prefeito Dino Rinaldi não soube informar precisamente a situação econômica da prefeitura. "Nós estamos fazendo um levantamento do caixa e até agora o meu contador não deu uma posição certa da dívida da prefeitura". Ele garantiu que o pagamento dos salários dos servidores será feito até o quinto dia útil de cada mês. "E, do que sobrar, vamos atender os fornecedores".

Os salários, mesmo sendo pagos, não estão tendo repasse do FGTS e do INSS por causa da dívida da prefeitura. O prefeito pretende tentar um parcelamento dessas dívidas.

"Pirajuí estava dormindo e agora acordou. O povo está aplaudindo este movimento do sindicato dos servidores", avaliou Rinaldi. Numa estimativa preliminar, ele informou que a dívida de Pirajuí hoje é de cerca de R$ 3 milhões.

Ortega

O advogado do prefeito afastado, Jacson Leão, 39 anos, disse ontem que nem ele nem Ortega tinham conhecimento do protesto em Pirajuí.

Segundo ele, "os pagamentos que foram feitos são, naturalmente, legítimos e legais. Nos meses em que ele esteve afastado e posteriormente foi reintegrado por medida judicial, demonstrou que o afastamento foi irregular, e assim sendo ele tem direito a receber os proventos dessa época".

O advogado disse que os mesmos funcionários que fizeram o levantamento com relação aos gastos de Ortega deveriam fazer também em relação ao atual prefeito, Dino Rinaldi.

Para o advogado, a expectativa é otimista em relação ao julgamento de Ortega na próxima quinta-feira.

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