Segurança confirma atentados em juízo
Segurança confirma atentados em juízo
Texto: Nélson Gonçalves
Djalma Duarte Gonzaga confirmou, ontem, o depoimento dado à polícia e assumiu participação nos atentados contra vereadores em Bauru
O ex-segurança do ex-prefeito Antonio Izzo Filho, Djalma Duarte Gonzaga, confirmou ontem, no Fórum de Bauru, em interrogatório, que participou de atentados contra a residência de vereadores e deu detalhes dos fatos que levaram à prisão preventiva dele e de outros acusados. A informação foi dada pela advogada do ex-segurança, Nilvana Salomão. Djalma assumiu a participação em vários atentados, conforme já tinha sido esclarecido no inquérito policial, e reiterou a participação de outros contratados.
O depoimento de Djalma Duarte Gonzaga foi cercado de muita expectativa. O ex-segurança foi um dos que confessaram no inquérito civil que teve a participação nos atentados, junto com o pedreiro Alexandre Humberto e o mototaxista Fábio Souza Fernandes. Alexandre e Fábio prestaram depoimento em seguida e negaram a autoria que foi feita no inquérito policial.
Liberdade condicional
O interrogatório de Djalma Duarte Gonzaga foi feito pelo juiz Benedito Okuno. A advogada e procuradora do Estado, Nilvana Salomão, requereu ao juiz que o réu continuasse respondendo o processo em liberdade. A advogada argumentou que o segurança informou que estava sendo pressionado a mudar o depoimento e ameaçado por colegas da prisão se mantivesse o que tinha sido dito no inquérito policial. Nilvana Salomão informou ao juiz que em se tratando de réu que estava colaborando com a Justiça, assumindo a culpa nos casos em que participou diretamente e dando detalhes sobre outros fatos, o segurança correria perigo de vida se retornasse à prisão.
O pedido da advogada de Djalma Duarte Gonzaga foi atendido pelo juiz Benedito Okuno. O ex-segurança foi liberado logo depois de seu depoimento. Segundo Nilvana Salomão o réu contou com o benefício da nova lei de testemunha e ainda foi pleiteado proteção ao segurança em razão das informações que prestou ao processo e da importância de sua confissão para o caso. O benefício não foi extensivo aos demais réus que foram ouvidos ontem. Alexandre Humberto tem antecedentes e negou o que tinha dito à polícia e Fábio Souza não tem antecedentes mas também não foi considerado como colaborador da Justiça.
Djalma Duarte Gonzaga foi proibido de dar declarações
à imprensa sobre o caso. Enquanto esperava a documentação para a liberdade provisória, Djalma mencionou apenas que tinha feito o "que deveria ser feito, contar toda a verdade, conforme o que já tinha sido dito na polícia. Estou arrependido e quero reconstruir minha vida, com minha família".
O segurança passa a responder o processo em liberdade, depois de ficar por mais de oito meses preso na cadeia de Piratininga, cumprindo mandado do desembargador Djalma Lofrano, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. No inquérito policial, Djalma Duarte, assim como o pedreiro Alexandre Humberto, confirmaram a autoria de atentados, mencionando o ex-prefeito Izzo Filho como o mandante dos crimes.
Ontem, Alexandre Humberto, acompanhado da advogada Sandra Mara Freitas, negou as informações que prestou no inquérito policial, presidido pelo delegado J.J. Cardia. Sobre a declaração anterior, Alexandre justificou que foi coagido a dar as informações que não foi acompanhado de advogado. Já Djalma Duarte disse que tanto Alexandre Humberto quanto o mototaxista Fábio Souza Fernandes mudaram o depoimento por orientação da defesa. Djalma disse que também foi pressionado a alterar seu depoimento e que advogados foram até a Cadeia de Piratininga para assumir a causa, desde que mudasse o que disse, livrando a acusação sobre o ex-prefeito. O mototaxista Fábio de Souza, acompanhado do advogado Benedito Murça Pires Neto, negou a declaração dada à polícia.
Hoje serão interrogados os demais presos no caso dos atentados. São eles o ex-segurança Roberto Carlos Thomaz, o ex-assessor da Prefeitura, Nivaldo Aparecido, e o ex-assessor da Cohab, Lourival Dadamus. Destes, Nivaldo Aparecido declarou no inquérito policial que teve participação no atentado à bomba caseira na residência do vereador Erlon Junqueira. O ex-prefeito Izzo Filho é apontado no inquérito policial como mandante dos crimes, mas nega participação.
Confissão à reportagem
O ex-segurança Djalma Duarte Gonzaga declarou ao juiz Benedito Okuno que se arrependeu dos crimes e que procurou o repórter Nélson Gonçalves para manifestar o que tinha ocorrido, antes de ter sua prisão preventiva decretada, no início deste ano.
A advogada do réu confirmou que Djalma detalhou os contatos que foram feitos com o repórter, que já investigava autoria de atentado em frente ao Jornal da Cidade. Um carro do diagramador Gustavo Dyonísio teve os vidros quebrados mas o alvo era o veículo do repórter. Segundo os depoimentos, o jornalista Nélson Gonçalves e o gerente de produtos editoriais, João Jabbour, deveriam receber um susto. As ordens eram desde uma surra a dar tiros nas pernas. A procuradora do Estado confirmou que Djalma Duarte deu detalhes sobre os contatos que foram feitos com o repórter Nélson Gonçalves.
Se dizendo arrependido, o segurança acabou concordando em se encontrar com o repórter em um bar da cidade, com a presença de sua esposa Patrícia Gonzaga. Neste encontro, Djalma Duarte confirmou ao repórter Nélson Gonçalves que participou de atentados, inclusive aqueles em que a vítima era o próprio profissional do JC.
Diante das informações, o repórter estabeleceu o contato com a Polícia Civil, que investigava a autoria dos atentados contra a residência dos vereadores. Antes, o repórter já tinha feito um contato com o delegado J.J. Cardia, que presidia o inquérito policial, informando que o segurança estava arrependido e disposto a se entregar.
No dia do encontro com Djalma, num bar da cidade, por volta das 15 horas, o repórter, fez o contato para que o segurança conversasse, depois, também com o delegado Silberto Martins, ainda no bar. O então segurança do ex-prefeito Izzo Filho confirmou seu envolvimento e deu informações sobre as outras participações. Depois, Djalma concordou em conversar com o promotor Carlos Roberto Simioni, que também era citado como uma das próximas vítimas, junto com o juiz Mauro Ruiz Daró. Alguns dias depois, o segurança foi preso junto com os réus que hoje respondem pelo caso dos atentados. O delegado Silberto Martins e o repórter Nélson Gonçalves estão arrolados como testemunhas para falar do fato.
Advogados reclamam por não
participarem do interrogatório
Texto: Nélson Gonçalves
O início dos interrogatórios dos réus no caso dos atentados foi marcado por uma reclamação de alguns advogados. O advogado de Izzo Filho, Ailton José Gimenez foi convidado a deixar a sala de audiência para o interrogatório de Djalma Duarte Gonzaga. O juiz Benedito Okuno atendeu a pedido do réu que disse se sentir constrangido sobre a presença do advogado do ex-prefeito em resposta a indagação do promotor Paulo Foganholi.
Ailton José Gimenez deixou consignado nos autos que protestou contra a forma como não foi permitida sua presença na hora do interrogatório de Djalma Duarte. O advogado entende que o requerimento não poderia ter sido formulado pela promotoria, que também é parte interessada no processo. Ainda que respeite a decisão do juiz em determinar o interrogatório sem sua presença, Gimenez acha que foi ferido o princípio da "igualdade das partes". Isto porque o promotor Paulo Foganholi permaneceu na sala.
Ailton Gimenez chegou a convocar colegas da OAB-Bauru para manifestar seu protesto. Segundo o entendimento de Nilton Santiago, o juiz tem poder de polícia e tem a responsabilidade de presidir a audiência mas pode deixar o ato do interrogatório nulo quando não foi observado a igualdade de participação entre as partes no processo. Gimenez, por sua vez, reclama que sua presença no interrogatório era necessária para a fiscalização dos procedimentos. O advogado do ex-prefeito indaga que sem a presença da parte contrária interessada no processo não haverá condições de saber como a audiência transcorreu.
No corredor do Fórum, em frente à sala onde acontecia o interrogatório, os advogados dos co-réus reclamavam que o promotor poderia estar fazendo perguntas ao réu Djalma Duarte Gonzaga. O interrogatório de Djalma é considerado peça-chave para o caso já que ele menciona a participação de outros réus, que são defendidos pelos reclamantes que não puderam participar da audiência de ontem. Para Nilton Santiago, da OAB, o advogado não pode ser impedido da função de pelo menos fiscalizar o andamento do interrogatório. Para ele o impedimento de participação pode tornar nula a audiência. Ailton Gimenez informou que o advogado Alberto Zacharias Toron vai tomar providências contra o procedimento adotado ontem.
Em seguida à discussão, depois do interrogatório de Djalma Duarte, os advogados puderam acompanhar os demais réus ouvidos ontem. No caso, o pedreiro Alexandre Humberto e o mototaxista Fábio Souza Fernandes. Do lado de fora, parentes dos réus acompanhavam a movimentação.