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Redação
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Tietê terá "educação sobre as águas"

Tietê terá 'educação sobre as águas'

Projeto vai levar estudantes de Barra Bonita para passeios de barco com direito a aulas sobre a importância e história do rio

Barra Bonita - Em parceria com a Navegação Médio Tietê, empresa pioneira no cruzeiro fluvial turístico no rio Tietê, a ONG Mãe Natureza dá início hoje de manhã, ao projeto 'Educando sobre as águas'. A iniciativa tem ainda o respaldo da Prefeitura da Estância turística de Barra Bonita, através do Departamento de Educação.

O programa envolverá inicialmente cerca de oito mil estudantes de onze escolas do município. Os primeiros 1,6 mil alunos embarcarão nos navios San Diego (capacidade para 400 pessoas) e San Marino (700 passageiros), quando terão a oportunidade de conhecer mais de perto o ecossistema do principal rio paulista, seus valores históricos e sua importância para o desenvolvimento econômico do Estado.

As aulas ficarão a cargo dos irmãos e comandantes dos navios, Édson e Hélio Palmesan que há tempos vêm chamando a atenção para a importância da preservação do rio. O empresário, ecologista e presidente da Mãe Natureza, Hélio Palmesan, informa que todos os estudantes interessados em participar do programa, que inclui passagem pela eclusa, podem se cadastrar na sede da ONG ou no escritório da empresa (telefones 641-0033 ou 641-2422). "Inicialmente vamos atender estudantes de Barra Bonita, mas pretendemos estender o projeto para outros municípios", diz. A primeira viagem do projeto está marcada para as 9 horas de hoje e a segunda para as 13h30, no porto fluvial de Barra Bonita.

Palmesam lembra que hoje, a maior preocupação em relação ao rio Tietê está relacionada

à poluição e lixo que saem de São Paulo rumo ao Interior. Embora já tenha sido alcançada pelo lixo sólido composto por garrafas plásticas e latas (que, de qualquer modo, já cruzaram mesmo toda a extensão do rio), a água do rio Tietê em Barra Bonita ainda sobrevive. Palmesan explica que um rio absolutamente saudável tem seis miligramas de oxigênio por litro de água. Essa é a quantia ideal, e os rios que apresentam esse índice têm suas águas classificadas como

ótimas.

O Tietê, em Barra Bonita, já foi assim. Depois, foi rebaixado para bom e, hoje em dia, apresenta índice aceitável, que varia entre três e quatro miligramas por litro - o que continua garantindo a sobrevivência dos peixes, como mandiúvas, lambaris, dourados e pintados, e das aves que se alimentam deles, como socós e biguás. Mas a poluição da água vêm crescendo e assusta os ambientalistas de Barra Bonita: a mancha anaeróbia, área em que a quantia de oxigênio na água é menor que o ideal, avançava 15 quilômetros por ano, conforme pesquisa concluída há dois anos, e já está próxima à barragem do rio, em Barra Bonita. A expectativa de Palmesan é que o projeto de despoluição implementado em São Paulo, além da exigência de que as Prefeituras submetam os esgotos municipais a tratamento, antes de lançá-los ao rio, reduzam a velocidade do avanço da mancha anaeróbia.

Mas a preocupação se justifica. No Tietê que cruza São Paulo, o índice de oxigênio na água

é nulo, correspondente a zero. No trecho do Alto Tietê, esse índice, segundo calcula Palmesan, deve atingir um miligrama por litro d'água, o que não permite a sobrevivência dos peixes.

Além da concentração de oxigênio na

água, outro índice que permite avaliar sua qualidade

é o volume de aguapés existentes no rio. Essa espécie vegetal se prolifera em águas poluídas, porque consegue retirar sua alimentação dos elementos químicos poluentes, que atuam como um adubo para os aguapés. Com o tempo, as plantas vão morrendo e, em sua decomposição, liberam outros gases poluentes. Os aguapés causam ainda outras duas conseqüências danosas: ao se multiplicar na superfície do rio, impedem que o sol invada suas águas. Sem a luz do sol, seres vivos que se mantêm submersos, mas realizam fotossíntese (como as algas e alguns vegetais), mais cedo ou mais tarde vão morrer e deixar de fornecer oxigênio à água. Os peixes que se alimentam desses seres vivos também vão morrer, e toda a cadeia alimentar do rio vai estar gradualmente comprometida. O outro problema é que, ao esconder o fundo do rio, os aguapés ocultam madeiras e outros objetos sólidos que podem atingir as embarcações e causar danos consideráveis. Os condutores das barcaças que navegam pela hidrovia Tietê-Paraná têm sido vítimas dessa armadilha, que muitas vezes destrói hélices das embarcações.

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