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Pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 8 min

Pesqueiros trazem novidades

Pesqueiros trazem novidades

Texto: Roberta Mathias

A elevação da temperatura convida a família para a pescaria. Novos pesqueiros são opções para quem quer se divertir nos momentos de folga. Na região de Bauru, vários pesque e pague surgem para dividir o promissor comércio da pesca, que cresce a cada dia no Brasil.

Bauru ganhou, em outubro, duas novas opções para lazer em pesqueiros. Dentro da cidade, um deles é ideal para quem não quer voltar para casa "sapateiro"

(aquele que não fisga sequer um exemplar). É o Pesque-pague Fiu-Fiu, que fica na Vila Santa Luzia e já atrai visitantes de outros bairros de Bauru. Lá, dificilmente o pescador volta para casa sem peixes, as tilápias chegam a fazer graça para os visitantes.

A outra opção, também bem próximo

à cidade, é o Pesque e Pague Sonho Pintado - para quem é frequentador de pesqueiros, é o antigo Sonho Dourado, que esteve fechado por mais de seis meses e agora está com novos proprietários. Localizado próximo ao Cemitério do Ipê, o pesqueiro está sendo repovoado com peixes de várias espécies como pacu, tilápia e pauçu e promete ser um bom local para descontrair e pescar.

Pesque-pague Fiu-Fiu

De propriedade de Roberto Ferreira Dias, 64 anos, e Francisco César Tiengo (Fiu-Fiu), 34 anos, o Pesque-pague Fiu-Fiu foi inaugurado há um mês e já conta com frequentadores fiéis dos bairros vizinhos. O local possui uma infra-estrutura para a pesca com dois tanques que são cercados para maior segurança dos pescadores-mirins. Lá, é possível fisgar tilápia (inclusive a vermelha), pacu, carpa, tambacu, piraputanga, matrinxã, piauçu, cachara e corimbatá de vários tamanhos.

Um diferencial é que o tanque principal foi construído todo em concreto. Segundo Tiengo, mantém a água

(que vem de poço artesiano) sempre limpa. "Alguns dizem que tem interferência, mas eu crio peixes há mais de 10 anos e não vejo diferença", diz Tiego. Tudo começou com a sua criação de lambaris, que foi crescendo e exigindo um espaço maior, daí para a sociedade e o pesqueiro foi um passo. Na chácara também são criadas minhocas da espécie gigante africana para a venda a pescadores.

No Pesque-pague Fiu-Fiu as tilápias vermelhas "desfilam" em cardume diante dos pescadores que ficam esperando uma fisgada, que nem sempre vem. Mas é difícil sair sem peixe. A fisgada vem dos peixes escondidos e pode ser um matrinxã briguento.

Nunes Cardoso Felício e o filho Lucas, 10 anos, visitaram o pesqueiro pela primeira vez e fizeram a festa. Em cerca de duas horas, usando minhoca, queijo e massinha como isca, Lucas já havia fisgado mais de quatro peixes. "O pacu é o mais gostoso de pegar!", conta Lucas.

Rogério Leal, 35 anos, mora em São Paulo e esteve em Bauru aproveitando o feriado. Ele já frequenta pesqueiros há bastante tempo apostando na segurança, tranquilidade e sabor do peixe. Em suas visitas a Bauru, já pescou nos pesqueiros Pexe Loko, Vó Bina, Sakai e, no final de semana, experimentou o Pesque-pague Fiu-Fiu. Segundo ele, o lugar é muito agradável. Em sua casa, todos são consumidores de pescados, principalmente quando são fisgados no mesmo dia. Pelo menos uma vez a cada 15 dias ele vai pescar.

Já as amigas Benedita Fabri, 45 anos, e Edileide Ferreira, 30 anos, não perdem um final de semana longe da lagoa. Elas trabalham na mesma empresa e, na sexta-feira, já combinam a pescaria. "É mais emocionante pegar os que estão no fundo. Os peixes coloridos (tilápias vermelhas) passeiam e não mordem a isca. A gente pode jogar ao lado delas e elas nem ligam!", conta Benedita. Edileide, após fisgar um belo corimba, chama as tilápias de "manecas" do lago. Edileide conta que as pessoas acham que elas não sabem pescar. "Meu namorado, que não pesca nada, vive falando que eu compro os peixes."

Roberto, 44 anos, e o filho Gabriel Salnite, 23 anos, estiveram no Pesque-pague Fiu-Fiu pela primeira vez e saíram com vários corimbatás no samburá. Mas o preferido para a pescaria de Roberto é o piauçu. "Apesar de ter muitos espinhos, gosto de pescá-lo porque é bom de briga." Já Gabriel prefere o pacu, principalmente pelo sabor. Eles moram próximo ao pesqueiro e aproveitaram o feriado para relaxar.

Pesque-pague Fiu-Fiu fica na Rodovia Marechal Rondon, Km 343, sentido Interior-Capital. O telefone é (0--14) 239-0349. O pescador encontra tilápia (inclusive a vermelha), pacu, carpa, tambacu, piraputanga, matrinxã, piauçu, cachara e corimbatá. Todos os dias, das 9 às 20 horas. Pacu e piauçu - R$ 5,50; tilápia, corimbatá e carpa - R$ 4,50; matrinxã e piraputanga - R$ 6,50; cachara

- R$ 11,00. Limpeza simples é grátis. Não cobra taxa para a pesca e fornece vara de bambu e a primeira isca

(massa); outras iscas a R$ 0,50. Amplo estacionamento.

Luiz Cláudio Kodima Rocha, 16 anos, é o "João Poneis", que dá uma força a todos os pescadores no Pesque-pague Fiu-Fiu.

Pesque e Pague Sonho Pintado

Há apenas uma semana, o casal João Bosco, 38 anos, e Elaine Pereira da Silva, 25 anos, iniciou um desafio: administrar o Pesque e Pague Sonho Pintado. O pesqueiro está bem localizado, possui sete tanques para pesca que estão sendo dotados de infra-estrutura para o pescador e um menor, onde será montado um aquário com peixes ornamentais. A idéia

é, em breve, também construir um parque para as crianças.

Como o local foi adquirido há poucos dias, ainda está sendo feita a adaptação dos peixes, separando-os por tamanho e até a aquisição de novos exemplares. Uma família esteve visitando o local, onde puderam passar momentos de tranquilidade.

Marcos Ramos, 48 anos, mora em São Paulo e esteve, acompanhando o grupo. "Nós pescamos muito no Pantanal, lá

é muito bom pescar. Os pesqueiros são interessantes para passar o tempo, descansar, se divertir com a família. Em Atibaia, temos uma chácara em um condomínio, lá há um pesqueiro onde todos se encontram. É muito bom."

No feriado, Marcos aproveitava tentar fisgar lambaris. Com equipamento leve, pacientemente aguardava a fisgada. Já a pequena Nathália, 7 anos, ao lado do avô Ibraim Ibanhez, 80 anos, estava com mais sorte. Em sua primeira pescaria, ela mostrou habilidade e muita intimidade com o peixe. Colocava a isca, tirava o peixe, com cuidado para não se machucar, e guardava. Cada exemplar fisgado era uma festa para Nathália, que pretende ser pescadora e acompanhar os pais ao Pantanal.

O avô Ibraim estava, pela primeira vez em sua vida, pescando parado. "Sempre pesquei. Rio Paraná, Tietê... peguei muito jaú no Tietê. E quando você fisga o peixe pelo rabo? Ele fica com muito mais força, a briga

é boa. Uma vez, estávamos pegando jaú e um amigo fisgou. Inexperiente, ele puxou, o peixe arrebentou a linha e fugiu. Tentamos novamente e outra fisgada. Aí sim ele teve paciência. Cansou o bicho e, surpresa, o jaú estava com a outra linha toda enroscada em sua boca. Dessa vez tiramos o peixe da água." Os momentos no pesqueiro também seriam para jogar conversa fora e relaxar.

O proprietário do Pesque e Pague Sonho Pintado, João Bosco, apesar de não tocar violão, pretende também alugar o local para festas. "Futuramente vamos fazer campeonatos para ver quem pega mais e os melhores exemplares. A idéia também é tornar o lugar especial para as crianças." Já a esposa Elaine é quem está à frente do atendimento no pesqueiro. "Nunca havia trabalhado com pesca, mas estou aprendendo bastante. Agora, com a chegada de novos peixes, esperamos que o movimento aumente e possamos servir também almoço e jantar, além das porções que já fazemos."

Pesque e Pague Sonho Pintado fica na avenida José Vicente Aiello, s/nº, Águas da Ressaca (próximo ao cemitério do Ipê). Telefones 9701-5307 e 239-7111. Lá o pescador vai encontrar tambacu, pacu, piauçu, bagre africano, matrinxã, lambari e tilápia. A entrada

é R$ 2,00 para o pescador (com direito a uma cerveja); vara - R$ 0,50; isca - R$ 1,00 (pote variado); quilo de peixe

(qualquer espécie) - R$ 4,50.

*********** História de pescador*************

Felicidade

Era uma vez, um homem muito rico que resolveu viajar e então pegou seu iate e saiu pelo mundo. Certo dia chegou a uma ilha maravilhosa, cheia de riachos de água cristalina e cachoeiras. Tinha também muitos tipos de árvores frutíferas e muito peixe.

O homem rico começou a andar pela ilha e encontrou um caboclo deitado numa rede, olhando para aquele mar muito azul. Chegou bem perto do cabloco e puxou conversa:

- Muito bonito tudo por aqui...

- É... disse o cabloco, sem tirar os olhos daquele mar.

- Tem muito peixe nesse mar?

- É só jogar a rede e pegar quantos quiser.

- Por que você não pesca bastante?

- Pra quê?

- Com o dinheiro desses peixes você compra uma canoa maior, vai mais no fundo e pega mais peixes ainda.

- Pra quê?

- Com o dinheiro, você compra mais um barco, pega mais peixe e ganha mais dinheiro.

- Pra quê?

- Você vai juntando cada vez mais dinheiro, compra cada vez mais barcos, até chegar um dia em que você terá uma indústria de pesca.

- Pra quê?

- Ora, meu homem, você então será um homem poderoso, um homem rico, terá tudo o que quiser, tudo o que sonhar, poderá comprar um iate como o meu, poderá comprar uma ilha como esta e então ficar o "resto da vida descansando" sem preocupações...

- E o que é que eu estou fazendo agora?!

"A felicidade é o dom de se julgar feliz" Meg Morais (Bauru - publicado no site The Fishing World)

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