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Verminose

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Lombriga é verme mais comum na infância

Lombriga é verme mais comum na infância

Texto: Sabrina Magalhães

Oxiuríase é parasitose que mais incomoda as crianças, porque provoca uma coceira muito intensa

De acordo com a pediatra Maria Luíza Nagao, a ascaridíase, popularmente conhecida como lombriga, é a verminose mais comum entre as crianças. É uma das doenças mais freqüentes no Brasil. Causada pelo Ascaris lumbricoides, um parasita que se aloja do intestino delgado, seu principal sintoma

é a dor abdominal. A contaminação por lombriga se dá através de ovos presentes na água, nos alimentos e na terra (crianças costumam brincar na terra e colocar a mão na boca).

Ingeridos, esses ovos chegam ao estômago, onde se abrem e liberam larvas. Estas iniciam um "passeio" pelos órgãos humanos, a procura de nutrientes: entram nas veias, passam pelo coração, dali vão para o aparelho respiratório e voltam para o intestino, onde se alojam. Então já são vermes adultos, medindo entre 25 e 30 centímetros. As fêmeas começam a botar e põem até 200 mil ovos por dia. Ovos que saem nas fezes do hospedeiro e podem contaminar outras pessoas.

Um hospedeiro pode abrigar entre 4 e 10 lombrigas adultas. Por seu tamanho e pelo "passeio" que fazem no organismo, provocam muitas dores, diarréia e enjôos constantes, deixando a pessoa sem vontade de comer e cada vez mais fraca, sujeita à desnutrição e até a contrair outras doenças e infecções. O tratamento

é feito com medicamentos que induzem a expulsão dos vermes.

Mas Nagao adverte que quando o paciente não recebe tratamento logo, o número de lombrigas aumenta e elas podem se enrolar umas nas outras, formando o chamado "bolo de áscaris", que impede a passagem do cocô, ou seja, o organismo começa a reter as fezes. "É uma complicação séria que pode exigir até cirurgia e essas operações são bastante complicadas." Segundo Ajax Monteiro, não identificado a tempo, o bolo de áscaris pode levar o paciente à óbito (por intoxicação).

Oxiuríase

Logo atrás da ascaridíase, outra verminose bastante comum e incômoda na idade escolar é a oxiuríase, causada pelo Enterobius vermicularis, que mede até um centímetro. Apesar de ser uma parasitose simples, preocupa os médicos por seu sintoma: causa uma coceira intensa na região do

ânus e pode ser facilmente transmitida através de roupas íntimas, de cama e banho.

O oxiúro costuma alojar-se no intestino grosso, ou seja, na porção final do intestino. Quando adultas, as fêmeas se deslocam para o ânus, onde começam a botar (elas põem até 10 mil pequenos e transparentes ovos por dia). A movimentação delas é que causa a coceira. Se a infestação é muito grande, a região anal pode apresentar irritação e até inflamação. Nas meninas, corre-se o risco dos vermes atingirem a vagina, causando infecções.

O local onde os ovos são postos facilita que eles "escorreguem" para cuecas, calcinhas e maiôs. E daí, para lençóis e toalhas. Se outra pessoa usar uma toalha contaminada, vai pegar a doença. Na oxiuríase a auto-infecção

é extremamente comum, porque a criança não resiste e coça a região. Depois, acaba levando a mão à boca e os ovos estão nos dedos e debaixo da unha. A criança ingere esses ovos e a infecção se renova.

A higiene é o melhor caminho para prevenir a parasitose, mas recomenda-se também não usar toalhas, lençóis ou roupas íntimas de outras pessoas. Manter as unhas limpas e bem cortadas e só usar banheiros limpos. Depois de contrair a doença, paralelamente ao tratamento, deve-se ferver todas as cuecas, calcinhas, lençóis e toalhas antes e depois do uso.

Giardíase

A giardíase é outra verminose bastante comum na infância. Uma infestação no intestino delgado causada pela Giardia lamblia, que pode provocar diarréias leves ou importantes, levando a perda de peso séria. Nos Estados Unidos, onde as verminoses praticamente inexistem, sua prevalência é estimada em 7,4% da população. Isso porque a Giardia é muito resistente ao estresse ambiental, inclusive às concentrações de cloro nos reservatórios de água tratada.

Balantíase

Menos comum, é a infecção causada pelo Balantidium coli, um protozoário cujo hospedeiro natural é o porco. Uma doença muito ligada à atividade profissional, atingindo principalmente açougueiros e cuidadores de porcos. O protozoário pode viver no intestino grosso sem causar qualquer dano. Na maioria das vezes os sintomas são quase imperceptíveis, mas podem surgir quadros graves de enterorragia

(sangue nas fezes), evoluindo para prolapso do reto e até morte.

Síndrome "Jeca Tatu"

O Ancylostoma duodenale e seu "irmão" Necator americanus são os parasitas causadores do chamado Amarelão: uma doença que deixa o indivíduo preguiçoso, apático e pálido. "É a descrição do Jeca Tatu, de Monteiro Lobato: um brasileiro preguiçoso, anêmico, de pé no chão", comenta o pediatra Ajax Monteiro.

O Ancylostoma é mais encontrado no Sul do Brasil, enquanto que o Necator é mais comum no Nordeste. São pequenos, têm no máximo 15 milímetros. Adultas, as fêmeas botam de 10 mil a 20 mil ovos por dia, que são liberados nas fezes e se abrem quando em contato com a terra quente e úmida, onde se desenvolvem e permanecem vivos por até três semanas.

Chegam ao homem pela pele ou pela boca. Entrando pela pele, percorrem a corrente sangüínea até o coração ou pulmão. Quando engolidos, vão para o intestino. Em uma das extremidades, têm uma cápsula que parece uma boca cheia de dentes. Estes se cravam na parede do intestino, causando várias feridas e hemorragia interna. Esta perda contínua de sangue e de nutrientes acaba deixando a pessoa anêmica e pálida, com sono, preguiçosa, sem vontade de fazer coisa alguma. Precisa ser tratada para não evoluir para uma anemia profunda.

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