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Expotécnica

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 8 min

Professor explica como melhorar produção

Professor explica como melhorar produção

Texto: Luciano Augusto

Os mais de 150 participantes da Expotécnica (ciclo de debates da Grand Expo 99) puderam aprofundar os conhecimentos em relação

às melhores formas de manejo do gado e a adubação e recuperação das pastagens bem como os erros mais freqüentes que o pecuarista comete nestas atividades, através da palestra do professor Moacyr Corsi, da Escola Superior Agrícola Luiz de Queiros (Esalq), de Piracicaba.

A II Expotécnica foi aberta oficialmente pelo prefeito Nilson Costa, com a presença do secretário da Agricultura e Abastecimento, Cynise Pereira Leite, do presidente da Associação Rural do Centro Oeste (Arco), Paulo Pereira Rangel Filho, do presidente do Sindicato Rural, Maurício Lima Verde Guimarães, do diretor do Escritório de Desenvolvimento Regional (EDR), José Luiz Pontes, entre outras autoridades.

"Deixamos claro para o produtor que temos condições de produzir bastante a um custo muito acessível", comentou o professor. Outro ponto questionado por ele foi a justificativa dada pelo produtor de que "não faz porque não tem recursos".

De acordo com Corsi, para melhorar a produtividade do rebanho não é preciso disponibilizar grandes áreas. Pelo contrário, uma pequena propriedade pode apresentar uma produtividade bastante elevada, se forem tomadas algumas medidas.

Corsi, que também já havia participado da Expotécnica do ano passado, explicou, por exemplo, que se 10% de uma propriedade receber a adubação correta é possível agrupar o rebanho neste local. Os outros 90% da propriedade poderão ser usados em outras atividades ou até mesmo arrendadas para terceiros.

Outra medida de fácil aplicação e que não demanda grande monta de investimento é fazer com que o pasto fique mais uniforme dentro da propriedade. Corsi esclareceu que basta agrupar os animais, fazendo com que os lotes fiquem maiores, "aproveitando mais uniformente as pastagens". Em seguida, faz-se uma rotação dos animais entre os pastos.

Depois de um certo tempo, apontou o professor, "as próprias pastagens vão mostrando que alguns locais não são consumidos". No local, passaria-se uma cerca elétrica

(custo mais baixo) e inicia-se o processo a um custo muito baixo.

De acordo com o palestrante, sem a utilização de técnicas específicas de manejo, a produção anual por hectare fica entre três e cinco arrobas. Ao passo que fazendo uso das técnicas, essa produtividade anual passa de 30 arrobas por hectare. "Para se ter uma idéia, tem alguns trabalhos mostrando que o retorno financeiro por hectare chega a ser de R$ 500,00, se for trabalhado intensivamente. Hoje, o produtor tira, anualmente, ao redor de R$ 30,00 por equipares", revelou.

Por outro lado, Corsi ponderou que a introdução dessa nova mentalidade traz modificações profundas

à propriedade, "inclusive na atitude que o produtor tem em relação à produção, pois quando ele intensifica a produção, necessita de maior atividade junto à propriedade, que passa a exigir uma atenção maior do produtor". Ainda assim, o professor garante que o custo benefício é bastante favorável e "os produtores que utilizam essa tecnologia estão tendo um retorno muito favorável".

O maior problema do País nesta área, segundo Corsi,

"ainda é a falta de informação". Isso poderia ser facilmente resolvido caso o produtor se interessasse mais em buscar informações nos sindicatos rurais das suas cidades. Corsi destacou que o País tem um enorme potencial na área devido, principalmente, às suas condições climáticas, extensão territorial e a topografia. "Mas, pelo interesse do pessoal, acho que eles querem mudar e a informação ajuda, efetivamente, a mudança".

Para hoje, a Expotécnica reserva palestras sobre fruticultura, no período da tarde. Das 15 às 15 horas, o professor doutor do campus da Unesp de Bauru, Aluízio Costa Sampaio, fala sobre "Pesquisa e Andamento com Frutíferas na região de Bauru (abacaxi, figo, goiaba e morango)".

Em seguida, o engenheiro agrônomo e pesquisador científico José Antonio Alberto da Silva, da Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro, Interior do Estado, ministra a palestra "Uso de Fitoreguladores nas Culturas de Citrus Visando Produção na Entresafra".

Após o coffe-break, é a vez do engenheiro agrônomo Carlos Henrique dos Santos, do campus da Unesp de Botucatu, falar sobre "Uso da Irrigação no Manejo do Florescimento em Limão Taiti".

Na quarta-feira, a Expotécnica segue tratando de plasticultura. Na quinta, o tema será ovinocultura e, na sexta, o Sebrae e a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral

(Cati) apresentam o projeto de Sistema Agroindustrial Integrado

(SAI), uma parceria das duas instituições. A Expotécnica

é promovida pela Associação Rural do Centro Oeste (arco), Cati, Sebrae, Sindicato Rural de Bauru, Unesp e Secretaria Municipal de Agricultura. A entrada é franca.

Regulamente é rígido para nelores

Texto: Luciano Augusto

Os julgamentos de animais que participam da Grand Expo 99 cedeu lugar, ontem, às entradas da raça Brangus e Blond'Aquitaine e à pesagem e o exame de prenhês da raça Nelore, um dos destaques da exposição, com mais de 500 animais inscritos (379 Nelores padrão e 114 Nelores mochos).

Com o julgamento da raça agendado para quinta-feira (nelore padrão) e sexta-feira (nelore mocho), os animais passaram, ontem, pela pesagem e pelo teste de prenhês, seguindo o

"rígido regulamento" da Associação dos Criadores de Nelores do Brasil (ACNB).

A pesagem dos nelores foi realizada pela manhã, enquanto que os testes de prenhês das fêmeas foi feita à tarde. De acordo com o organizador de pecuária da Grand Expo 99, Walter Rossi, a prenhês das fêmeas tem que ser confirmada no parque de exposição, "segundo o regulamento da raça, que é um dos mais rígidos".

Uma exceção é quando o animal apresenta um atestado de prenhês de outra exposição, respeitando a validade de 45 dias do documento. "Caso contrário, o animal será excluído da competição".

Quanto à pesagem, reza o regulamento que o animal macho, com oito meses de idade, tem que pesar, pelo menos, 260 quilos. Já as fêmeas com a mesma idade devem pesar, no mínimo, 230 quilos.

Três juízes (que não se comunicam entre si) participam do julgamento da raça, na quinta e sexta-feira).

Rossi comenta que o Nelore (entre as suas duas especificações: Nelore padrão e Nelore Mocho) "é a raça com maior volume de animais em todos os anos". As principais características destes animais são: vigor, constituição robusta, sadio, ativo, dócil, com musculatura compacta e bem distribuída por todo o corpo e bem definida de acordo com o sexo do animal.

Brangus e Blonde D'Aquitaine

As raças Brangus e Blonde D'Aquitaine tiveram seu primeiro dia de entrada ontem, que continua durante o dia de hoje. Para a raça Brangus foram destinadas 230 argolas (230 espaços para receber os animais) e para o Blonde foram dispensadas 100 argolas.

Em relação à raça francesa Blonde,

é a segunda vez que ela participa da feira. A primeira apresentação, como mostra, ocorreu em 1979 por intermédio de um convênio com o Consulado da França.

O julgamento do Brangus será feito no dia 11 de novembro. No mesmo dia, será realizado também a solenidade de abertura da I Exposição Nacional da Raça Brangus. O julgamento do Blonde D'Aquitaine ocorre no dia 13 de novembro.

Final de semana positivo para Expo

Conforme afirmação da Associação Rural do Centro Oeste (Arco), o primeiro final de semana da XXVI Exposição Regional de Animais e Produtos Derivados de Bauru, a Grand Expo 99, foi bastante positivo. Segundo estimativas da Arco, apenas em seus dois primeiros dias, mais de 30 mil pessoas passaram pelo Recinto Mello Moraes.

De acordo com a organização da exposição, o público presente no domingo (show do Jota Quest) foi de aproximadamente 20 mil pessoas. No sábado (show da dupla Teodoro e Sampaio), 10 mil populares já haviam comparecido ao Recinto.

A assessoria de imprensa da Arco comentou que o balanço, até o momento foi bastante positivo e está dentro da previsão feita previamente. A expectativa para os dias de portões abertas também são otimistas. Segundo assessora Mara Silvia Ramos, no ano passado perto de 40 mil pessoas passaram pelo Recinto nos dias em que a portaria esteve liberada para o público e, por isso, se espera um resultado similar para este ano.

Ela também afirma que não foi registrada nenhuma ocorrência grave. O único incidente aconteceu no recinto preparado para abrigar os leilões. Um boi estourou uma cerca e provocou ferimentos leves em duas pessoas que acompanhavam o leilão. Os dois feridos foram medicados e passam bem.

Quanto à movimentação financeira do primeiro final de semana da Grand Expo 99, a assessora de imprensa da Arco informou que ainda não foi possível levantar os dados, que deverá ser conhecido nos próximos dias.

Campeão da raça Canchim

O pecuarista Irineu Lopes Machado, da Fazenda Santana (Angatuba/SP) foi o grande destaque do julgamento dos bovinos da raça Canchim, no domingo, 7 de novembro, na Grand Expo 99. Machado ocupou o topo da classificação com quatro animais de sua propriedade, o que lhe rendeu o título de melhor criador e melhor expositor.

O boi Hamilton da Ilma foi o grande campeão da prova, e Indolente da Ilma ficou como reservado campeão. Entre as vacas, a grande campeã foi Terra Nova 4K e Tosca 4K foi a reservada campeã.

A raça Canchim foi desenvolvida no Brasil, na década de 40, pelo técnico Antônio Teixeira Viana, na Embrapa de São Carlos (SP), e tem origem sintética (cinco oitavos do Charolês e três oitavos do Zebu). O animal tem como principais características a pelagem clara e a docilidade, e é utilizado para corte. Um diferencial é que o gado Canchim serve para a produção de novilho precoce a campo, sem a necessidade de inseminação artificial. O rebanho nacional compreende cerca de 130 mil animais, 60% dos quais no estado de São Paulo.

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