Ações de despejo cresceram 35%
Ações de despejo cresceram 35%
Texto: Paulo Toledo
O número de ações de despejo por falta de pagamento de aluguel teve um aumento de 35,19%, em outubro, em relação ao mês anterior, crescendo de 54 para 73. Se a comparação for com o mesmo mês do ano passado, quando foram registradas 62 ações, a alta é de 17,74% (veja quadro), segundo levantamentos do diretor do Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru, Claudemir Jair da Silva.
No acumulado do ano, no entanto, há uma queda de 15,57% em relação a 1998. De janeiro a outubro, foram propostas 575 ações de despejo por falta de pagamento, enquanto que no mesmo período do ano passado esse número chegou a 681.
Outro numero que cresceu foi o de despejos por ação ordinária, aqueles que são feitos por interesse do proprietário em reaver o imóvel. No acumulado deste ano, foram apresentadas 30 ações, enquanto que no mesmo período de 98 foram 26, numa alta de 15,39%.
O delegado regional do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis
(Creci), Giasone Albuquerque Cândia, destaca que o aumento está ligado às dificuldades econômicas pelas quais vem passando o País. De acordo com ele, os proprietários esperaram o que puderam antes de entrar com as ações, já que muitos inquilino prometeram acertar os aluguéis atrasados, mas não o fizeram. "Os locatários estão prometendo e não estão cumprindo. O proprietário tem seus compromissos. Então, não tem jeito, a ação acaba sendo proposta", afirmou.
Cândia diz que o crescimento das ações em outubro é um reflexo do mercado, que está difícil. Ele diz que o problema é que tem pessoas que são boas pagadoras e só não estão cumprindo com a quitação do aluguel porque tiveram problemas financeiros.
O delegado do Creci diz acreditar que há uma tendência de estabilização, com sensível redução, uma vez que muitas pessoas devem aproveitar os recursos do 13.º salário para colocar em dia seu aluguel. "Uma coisa
é certa, os proprietários estão reduzindo o prazo para ajuizamento das ações de despejo, até como uma forma de evitar prejuízos maiores.", afirmou.
Cândia disse que os proprietários e as administradoras estão abertas à negociação, como forma de evitar as ações judiciais. Ele conta que alguns inquilinos estão procurando as imobiliárias e deixando cheques pré-datados para o 13.º, como forma de acertar a situação.
Wânia Pôrto, presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), destaca a crise econômica chegou num momento crucial para o mercado e o aumento das ações de despejo são apenas um reflexo da falta de emprego e perda de poder aquisitivo da população. Para ela, a tendência é de crescimento do número de ações, em razão do fato de muitos proprietários terem esgotado as tentativas de negociação.
Wânia Pôrto concorda com Cândia no que diz respeito a uma possível melhora da situação com a chegada do 13.º salário, quando vários inquilinos devem tentar acertar a situação de seus aluguéis.