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Transgênicos

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 5 min

Frankenstein Foods - o que é isso?

Frankenstein Foods - o que é isso?

Texto: Andréia Alevato

As mudanças genéticas são feitas em alimentos que se produzem em grande escala, como a soja, milho, batata, feijão, arroz, canola e algodão.

Tudo começou com o desenvolvimento da Engenharia Genética. Em 1.953, James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins descobriram a estrutura do DNA. O DNA é responsável pela conservação dos caracteres hereditários. Vacinas, como a contra a Hepatite B, ou a insulina, para os diabéticos, são resultados dessa Engenharia Genética. Agora, a discussão gira em torno dos alimentos modificados geneticamente, que receberam o nome de Frankenstein Foods.

"As mudanças na forma de vida estão relacionadas com as necessidades de sobrevivência do homem, como moradia, segurança, alimentos. Ou podem ser relacionadas às aspirações humanas como o conhecimento e a arte. A possibilidade de mudanças o mundo tem benefícios, custos e riscos inesperados, que por sua vez, afetam os grupos sociais de maneira diferenciada", disse a endocrinologista Maria Cristina Corradini, que participou do IV Congresso Brasileiro de Obesidade e do 8.o Simpósio Internacional sobre Obesidade, no primeiro semestre deste ano, e que teve o tema "Alimentos Transgênicos" colocado em discussão.

Os estudos sobre os alimentos trangênicos começaram em 1.983. O objetivo era pesquisar e produzir cereais resistentes

à pragas e vírus, pois, segundo eles, não seria mais necessário o uso de grande quantidade de agrotóxicos ou ainda, não usar mais nenhum tipo de agrotóxico. Em 1.996, havia 1,7 milhão de hectares plantados com transgênicos em todo o mundo. No final do ano passado, esse número saltou para 27,8 milhões de hectares, sendo que 14,5 milhões são de soja - o equivalente a 52% -, 8,3 milhões de hectares são de milho, ou seja, 30% da área, e o restante, 18% são plantações de algodão, arroz e canola. Dos 27,8 milhões de hectares de plantações transgênicas, 20,5 milhões estão nos Estados Unidos, que têm 1.300 empresas de biotecnologia em funcionamento, que empregam mais de 100 mil pessoas e movimentam aproximadamente US$ 13 bilhões por ano. A Argentina tem 4,3 milhões de hectares plantados com transgênicos, e o Canadá, 2,8 milhões. Nos Estados Unidos, 55% da soja cultivada

é modificada geneticamente e plantada desde 1.994. A Argentina e o Japão pnatam desde 1.996, e o Canadá, começou a plantar os transgênicos em 98. As estimativas são de que até o final deste ano, a área total ocupada pelo cultivo de transgênicos ultrapasse os 40 milhões de hectares.

No Brasil, as plantações de transgênicos foram liberadas em maio, pelo Ministério da Agricultura. A Monsanto era a empresa que estava autorizada a produzir e comercializar as cinco variedades de soja transgênica no País. Na época, a empresa tinha cerca de 48 lavouras experimentais nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, e cinco milhões de hectares de soja alterada geneticamente plantados nos Estados Unidos, além das produções de algodão, milho e canola transgênicas.

Para a liberação, foi realizada uma análise pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança

(CNTBio). No parecer técnico conclusivo, a Comissão afirmou que "não haviam evidências de risco ambiental ou à saúde humana ou animal decorrentes da utilização da soja em questão (transgênicas)". Quanto aos aspectos de toxidade e alergenicidade, a CTNBio ressaltou que "após a utilização da soja modificada geneticamente e de seus derivados em países das Américas do Sul, Central e do Norte, Europa e Ásia, não foi constatado nenhum caso de reações alérgicas em humanos que não fossem previamente alérgicos

à soja convencional". Disse também que os indivíduos sensíveis à soja convencional continuariam sensíveis

à soja transgênica.

As plantações no Brasil deveriam ser monitoradas pela Monsanto e pela própria CNTBio por um período de cinco anos, e que as pesquisas poderiam ser suspensas a qualquer momento.

Em junho, a Justiça federal concedeu uma liminar ao Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), suspendendo todas as autorizações já concedidas pelo governo para o plantio das cinco variedades desenvolvidas pela Monsanto.

A polêmica

A polêmica dos transgênicos é grande. O JC Saúde entrevistou 15 pessoas, em supermercados da cidade, sobre os alimentos transgênicos. Dessas 15 pessoas, oito definiram alimentos transgênicos, mas não sabiam reconhecer um. Cinco pessoas não sabiam o que eram, e duas, preferiram não responder.

Maria Inês Piovesani Lersanetti foi uma das entrevistadas que definiu alimentos transgênicos, mas não tinha certeza se as batatas que estava comprando era ou não modificada geneticamente.

"Essas batatas de hoje são diferentes. São maiores e com a casca muito fina. Eu acho que já existem alimentos modificados geneticamente à venda em supermercados", disse Maria Inês.

Para ela, os consumidores devem ser informados, nos rótulos dos produtos, se os alimentos são ou não transgênicos.

A consumidora Tamara Wieck afirmou não saber o que são os transgênicos e que também não saberia reconhecer um, por isso acha que a população precisa ser melhor informada sobre o assunto.

A endocrinologista Maria Cristina Corradini, acredita que os transgênicos precisam ser estudados por mais tempo, porque não se sabe os que eles podem causar ao organismo do ser humano e ao meio ambiente.

"Temos que ser humildes em admitir que precisamos estudar mais sobre isso. Há necessidade de mais estudos sobre os alimentos trangênicos, antes de colocar algo no mercado que não se tem certeza do que é e não sabe o que vai repercutir. Ningué sabe se eles vão produzir mais ou menos toxinas no organismo do homem e nem se acabará a biodiversidade dos alimentos. Não sou contra os transgênicos, só acho que devem ser mais estudados. Também acho que o consumidor tem que ser mais informado a respeito. Ele tem o direito de saber o que é sim", afirmou a médica.

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