Brasil Empreendedor terá juro baixo
Brasil Empreendedor terá juro baixo
Texto: Márcia Buzalaf
A Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) assinou ontem um convênio com a Caixa Econômica Federal
(CEF) para a implantação do programa Brasil Empreendedor, que deve viabilizar empréstimos para a indústria, o comércio e a área de serviços a juros baixos e com pouca burocracia. No total, o Governo Federal está disponibilizando R$ 8 bilhões para todo o Brasil implantar o programa.
O Brasil Empreendedor é voltado principalmente para o financiamento de capital de giro e de investimento para micro (que fatura anualmente até R$ 244 mil), pequena (até R$ 1,2 milhão) ou média empresa (até R$ 32 milhão), e envolve os bancos federais para a liberação de recursos e o Sebrae para a análise dos projetos - quando necessários.
O custo baixo do recurso que pode ser liberado pelo programa é a grande novidade. Para Cássio Carvalho, presidente da Acib, os juros cobrados são comparados com aqueles de empréstimos para as empresas em falência. "TR mais 1% só era liberado para as empresas que estavam quebrando", diz.
Além do baixo custo, Carvalho destaca a desburocratização que o programa propõe. A CEF afirma que vai priorizar os associados da Acib que entrarem no programa para a liberação mais rápida dos recursos.
A reclamação dos empresários, segundo Carvalho,
é justamente da falta de recursos no mercado financeiro.
"Tem uma demanda reprimida dos empresários. A inflação, também, pode disparar. Por isso, quanto mais recursos tiverem disponíveis no mercado, mais você segura a inflação", explica.
O superintendente da CEF em Bauru, Júlio César Scaramuzze de Toledo, afirma que, desta vez, a análise para a concessão de crédito está levando em conta a empresa e os sócios. "No Brasil, o empresário pode ter mais recursos do que a empresa. Por isso, nós estamos levando em conta também o patrimônio dos sócios", diz.
O empreendedor que tiver interesse em fazer parte do programa
- seja para abrir uma empresa ou para injetar recursos nela - deve procurar uma agência da Caixa. Quem quiser recursos para o desenvolvimento de um projeto específico, terá que ser avaliado pelo Sebrae.
Reinaldo Cafeo será o responsável por fazer uma análise da viabilidade dos projetos de abertura de empresas. Para isso, o economista fez um curso de dois dias com a equipe Sebrae, que fornece toda a estrutura para analisar os projetos. Mesmo assim, o empresário não precisa necessariamente fazer análise de projeto ou capacitação para conseguir estes recursos.
O contrato com a Acib abrange as seguintes linhas de crédito: GiroCaixa, GiroCaixa Instantâneo, Proger Micro e Pequenas Empresas, GiroCard Caixa, Proger Autônomos, Proger Profissionais liberais, Sasse Caixa Seguros, Cheque Empresa Caixa, Cartão de Crédito Business Card, Poupança de Crédito Imobiliário Pessoa Jurídica e para a instalação de novas empresas.
Cada agência da CEF terá um agente empresarial, encarregado de manter contato com as empresas e com a associação comercial, para colocar no mercado recursos com mais facilidade.
"A pessoa pode querer o dinheiro para capital de giro, para mecanização ou até mesmo para abrir uma empresa", explica.
A região de Bauru tem 27 agências da CEF, que abrangem 95 municípios. O Escritório de Negócios da Caixa em Bauru é o quinto escritório que mais aplica em micro e pequena empresas do País. "Mas nós não queremos ser o quinto", avisa Toledo. O objetivo da CEF é ser o banco que mais vai fechar contratos para o programa Brasil Empreendedor, garante o superintendente.
Exemplo O primeiro contrato de financiamento foi firmado ontem mesmo, com Orlando Alves Rocha. Empresário do ramo de óticas da cidade há três anos, Rocha está emprestando dinheiro pela primeira vez através do programa Brasil Empreendedor.
Rocha afirma que vem se mantendo no mercado em equilíbrio, mas que, para crescer, foi preciso buscar recursos para investimento. O empresário se diz satisfeito com o atendimento que teve na CEF. Ele conta que, em menos de 12 dias, conseguiu fechar o contrato com o banco para recursos a serem aplicados no capital de giro da empresa.