40% dos portadores de HIV rejeitam o coquetel
40% dos portadores de HIV rejeitam o coquetel
Usado em Bauru desde 1996, o coquetel, mistura de drogas para o tratamento de portadores do HIV e doentes de aids, continua com alto índice de rejeição: 40% das pessoas que iniciam o uso do medicamento, o abandonam, segundo a infectologista Denise Arakaki. Hoje é comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids com vários eventos realizados na cidade.
(veja boxe).
Denise explica que o uso irregular do coquetel acontece em maior número por pessoas que são usuárias de drogas.
"O paciente inicia o tratamento e se sente tão bem que começa a levar uma vida normal, freqüentando festas e reuniões. Nesses encontros, ele tem vontade de tomar uma cerveja, por exemplo, e sabe que a bebida não é compatível com o remédio que ingere diariamente, então prefere deixar de tomar o coquetel para tomar cerveja", conta.
Outro exemplo, são os usuários de drogas injetáveis, que também não devem ser administradas juntamente com o tratamento. Nesse caso, o doente fica um tempo sem usar o coquetel e quando volta a tomar o medicamento, é como se fosse um novo início.
Outras pessoas não conseguem suportar os efeitos colaterais causados pelo coquetel. Anemia, neuropatia e cálculo renal e biliar são os mais comuns.
Denise explica que o coquetel tem um efeito limitado. Ele é elaborado com a mistura de diferentes tipos de drogas. Depois de algum tempo de uso, normalmente dois a três anos, essa mistura tem que ser trocada, porque o vírus cria resistência a essa droga.
Com a quantidade de drogas que existem para a elaboração do coquetel é possível fazer diferentes combinações. Depois de um certo tempo de uso, que pode variar de acordo com cada paciente, o vírus se torna imune a todos os tipos de drogas e então o coquetel já não é efetivo. Conscientização
Denise afirma que as pessoas ainda não estão conscientes em relação a gravidade do problema da aids. "O número de portadores do vírus, mais de mil casos em Bauru e região, continua aumentando porque o grau de vulnerabilidade individual é muito alto. As pessoas ainda não exigem o preservativo", afirma.
O preservativo feminino ainda não é muito procurado nas farmácias. Segundo Denise, isso acontece porque as mulheres têm dificuldades em falar abertamente com seus parceiros sobre o assunto e também o valor não é acessível à maior parte da população. A caixa vendida pelo preço de R$5,80 vem com duas unidades.