Governo preservará a classe trabalhadora?
Governo preservará a classe trabalhadora?
(*) B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade de Bauru
Entre as poucas ou quase inexistentes manifestações sobre o assunto, na condição de ex-sindicalista e simpatizante da organização da classe trabalhadora, gostaria de externar a indignação pelo tratamento que a classe vem recebendo do governo nos últimos tempos.
No Congresso, acaba de ser extinta, na Justiça do Trabalho, a figura do juiz classista. Como se sabe, até agora, os tribunais trabalhistas contam com representantes patronais e dos empregados durante os processos e julgamentos. Não é novidade, também, para ninguém, que o sistema dos vogais, bastante questionado, não é perfeito. Contudo, a nosso ver, o caminho mais correto seria o aperfeiçoamento dessa condição, jamais o seu sepultamento puro e simples. A medida adotada por Brasília já dá margem a conjecturas tais como com a extinção dos juizes classistas, uma categoria ficará mais desprotegida do que a outra diante da balança da Justiça. Adivinhe qual delas será a mais prejudicada: o empregado ou o patrão?
Contudo, pouco se pode questionar dentro das circunstâncias em que se discute (pasme) a extinção da própria Justiça do Trabalho! Salvo engano, os detentores do poder central devem estar raciocinando muito além do que imaginam os operários brasileiros. Talvez, no programa, esteja a própria extinção dos trabalhadores. Para o terceiro milênio, o governo talvez programe a construção e o desenvolvimento de um Brasil virtual. O novo ideal seria passado para as telas dos computadores e o País imaginário seria vendido diariamente pela Internet.
Mas e os aposentados ou aqueles que um dia sonharam com um descanso merecido, um afastamento com dignidade após tantos anos de atividade? Aqueles que ilusoriamente passaram para essa condição ou os que ainda têm esperança em fazê-lo também são tripudiados pelos magnatas do poder. Várias vezes o governo tem tentado morder uma contribuição previdenciária dos aposentados, como se pretendesse organizar, também, uma nova aposentadoria decente para após a morte, já que falhou na convencional.
Quem ouviu a notícia de que a aposentadoria seria concedida de acordo com a expectativa de vida deve até ter ficado feliz. Nada mais justo. E, hoje, com a informática e a Medicina bastante avançadas, não seria difícil aposentar (com todos os direitos) um diabético hipertenso um pouco mais cedo, pois, afinal, sua expectativa... Também com relação a outras doenças. Também com relação a determinadas profissões desgastantes ou insalubres. Quem pensou que o governo estava nesse caminho incorreu em ledo engano. Esta via não tem mão dupla. O governo não entra nesses detalhes. Vai nivelar por cima
(da idade) e não há preocupação com as pessoas, cujas evidências indicam que viverão menos. A preocupação é só com o mais que arrombado caixa da Previdência. Nessa conjuntura, é pertinente questionar: será que o governo pretende mesmo preservar para o futuro a classe trabalhadora?