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Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

99 foi o pior ano para o supermercados

99 foi o pior ano para supermercados

Texto: Márcia Buzalaf

Este foi o pior dos últimos seis anos para os supermercados. A afirmação foi do presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Ômar Assaf, 48 anos, que, apesar de otimista, confessa que o ano atingiu negativamente tanto pequenos, quanto médios e grandes supermercados.

Mesmo assim, o setor de supermercados não tem do que reclamar. A queda no faturamento dos supermercados no Estado de São Paulo - de 2,23% entre janeiro e outubro, em relação ao ano passado - está longe de anular os ganhos que o Plano Real proporcionou aos supermercadistas.

Em termos de vendas, nos últimos cinco anos, os supermercados acumularam um crescimento próximo de 50%. Em 94, as vendas cresceram 14%; em 95, 8%; em 96, 2,7%; em 97, houve uma queda de 0,6%; em 98, o crescimento das vendas foi de 5,5%; e, este ano, o setor deve amargar uma queda entre 1,5% e 2%.

Recuperação, para este ano, é impossível. Para fechar positivo, Assaf diz, os supermercados precisariam crescer 24% em dezembro para recuperar os 12 primeiros meses do ano.

A concorrência causada pelas redes multinacionais de supermercados

é criticada pela Apas pela forma com que foi feita. Assaf afirma que a empresa nacional paga, por mês, o que a empresa estrangeira paga por ano de juros. "Isso não é convite para investimento", opina.

Para Assaf, não há diferença entre pequenos e grandes supermercados na competitividade. O representante dos supermercadistas do Estado diz que só sobrevive quem administra bem e quem busca a modernização. A busca da competitividade e a adequação ao novo mercado, segundo Assaf, é a característica que garantiu um certo crescimento para os supermercados neste último ano.

Assaf afirma que, no Brasil, há uma concentração de supermercados nas mãos de poucos muito menor do que outros países têm. "Na França, Austrália, a concentração das cinco maiores empresas vai de 65% a 75%. O Brasil não vai ter nunca a concentração que tem estes países", opina.

O primeiro mercado nacional é a grande São Paulo, que concentra em torno de 21% do total do Brasil. O Interior de São Paulo corresponde a 20,5% do mercado nacional, ocupando a segunda posição. Rio de Janeiro, segundo maior estado da federação, é responsável por 12% do mercado. "Praticamente metade do segundo mercado nosso que é o Interior", explica.

Preços & etiquetas

Assaf garante que os supermercados deflacionaram os preços em 32% em relação ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O índice oficial do governo registra 6,53% até outubro, dentro do supermercado, este índice

é de 3,87% - ou seja, uma diminuição de 60% do índice oficial.

A análise de preços da Apas leva em conta a média do supermercado. O aumento de preços acumulado de janeiro até abril foi de 4,01%; de janeiro até julho, caiu para 0,55%; de janeiro até outubro, voltou a crescer, e fechou em 3,87%.

O recorde do preço da cesta básica em novembro - de R$ 135,6 - também é justificável pela sazonalidade dos produtos e das reservas. "Nesta época, os supermercados começam a colocar em oferta os produtos natalinos. Com isso, volta ao normal aqueles produtos da cesta básica", afirma Assaf.

A etiquetagem dos produtos, determinada pelo Superior Tribunal de Justiça, ainda não está vigente. Apesar de um portaria interministerial determinar as etiquetas nos produtos, Assaf defende que o aumento de custo que as etiquetas iam causar para o consumidor é grande. "Eu sou contra pelo retrocesso, pelo custo. O momento é para evoluir, não para voltar atrás", explica.

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