Reitor acha que provão abalou imagem da Unesp
Reitor acha que imagem da Unesp foi abalada com o último provão
Texto: Rita de C. Cornélio
O reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), professor-doutor Antonio Manoel dos Santos Silva, esteve ontem em Bauru. Ele participou de uma série de inaugurações da Faculdade de Ciências, do câmpus local. O reitor admitiu que a imagem da universidade perante a comunidade ficou abalada com o resultado do último provão.
Ele disse que esperava ter, pelo menos, 17 notas A, mas a Unesp teve somente nove conceito A. "Eu pedi um levantamento para verificar se todos os alunos compareceram. O simples fato de não comparecerem para fazer o provão faz com que o conceito da universidade caia", disse.
De acordo com Silva, os conceitos de qualificação do corpo docente e de infra-estrutura continuaram recebendo o conceito A em todos os cursos. "O que baixou foi o desempenho dos alunos no provão.
O reitor afirmou que na universidade há grupos de alunos que boicotam a avaliação." Existe um movimento de boicote, mas isso é uma coisa que eu não vou avaliar", frisou.
Na opinião dele, o mal desempenho da universidade tem que ser levado em conta. "São vários os fatores que podem ter influenciado. Pode ser que em algumas unidades da universidade os padrões, critérios de desenvolvimento de cursos, não estão seguindo aquilo que é estabelecido pelo Ministério da Educação
(MEC). Essa pode ser uma razão, não quer dizer que seja", disse.
Na opinião de Silva, a queda de 6.º no ranking das melhores universidades do País, em 98, para 21.º lugar neste ano pesa na imagem da Unesp perante à sociedade.
"Gera uma imagem negativa. Pesa negativamente, disto eu não tenho dúvida."
Ele enfatizou que não é favorável ao grau pontual do provão. "Não concordo com o grau pontual, mas o provão é importante para a universidade, para o sistema superior brasileiro e até para a Unesp. Porque se nós verificarmos que todos os alunos compareceram, algum problema nós estamos tendo. Se temos problemas, temos que tentar corrigir".
Reitor inaugura seis prédios no câmpus de Bauru
A Central de Laboratórios de Pesquisa, um dos prédios inaugurados ontem, vai abrigar 15 laboratórios. A Unesp investiu R$ 210 mil e, em contrapartida, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) concedeu R$ 3 milhões para a obra.
Os laboratórios vão possibilitar a formação de recursos humanos ao nível de pós-graduação e uma imensa contribuição ao setor privado nas questões tecnológicas. O prédio do Programa de Pós-Graduação, também inaugurado ontem, tem 342 metros quadrados de área construída e atenderá professores e alunos do curso reconhecido pela Capes e com área de concentração em ensino de Ciências.
O novo prédio do Departamento de Educação, também inaugurado ontem, vai beneficiar os docentes que atuam diretamente na licenciatura de Psicologia, Educação Física, Matemática, Ciências Biológicas, Física e Educação Artística. Também foram inaugurados a Oficina Mecânica de Física, Laboratório de Química Analítica e Cromatografia e o Laboratório de Catálise e Eletrocatálise.
De acordo com o reitor da Unesp, o câmpus de Bauru foi o que mais recebeu investimentos na sua gestão. "Se compararmos todos os investimentos feitos em todos os câmpus, o de Bauru ficou com mais de metade dos investimentos", disse.
Segundo ele, falta a central de salas de aula, que está pronta para ser liberada. A central de sala de aula da Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação (Faac) já foi liberada. Falta, ainda, parte da Educação Física que é importante, isso não depende de uma gestão só", ressaltou.
O reitor classificou o câmpus de Bauru como o mais carente.
"Bauru foi incorporado e não foi previsto na incorporação o que deveria ser feito em relação à infra-estrutura. Estava mais carente de estrutura física e equipamento. Na minha gestão, o câmpus passou a ter prioridade."
Ele acha que, mesmo com as inaugurações, o câmpus de Bauru está aquém dos demais, mas chega num patamar médio na universidade. Sobre a contratação de professores, o reitor disse que a abertura de concursos, para ocupar as vagas dos aponsentados foi feita em setembro.