Menor de 8 anos é autuado com arma
Texto: Marcos Zibordi
Os menores R.S.S. e A.A. foram detidos ontem pela Polícia Militar em frente ao supermercado localizado no cruzamento das avenidas Nações Unidas e Nuno de Assis. R.S.S., de oito anos, foi detido por volta de 15h40 porque portava uma garrucha calibre 22, marca Rossi. Seu companheiro de 12 anos, também foi levado pela viatura ao plantão policial.
No momento do flagrante, A.A. comprava ração para passarinho e feijão para a mãe, enquanto R.S.S. estava sentado em frente ao mercado.
O frentista do posto de gasolina ao lado, que viu o menor com a arma, acionou a viatura do pelotão sudeste. Segundo o agente que atendeu a ocorrência, o menor tentou sair disfarçadamente pelo estacionamento, mas foi detido pelo policial. "Pensamos que fossem garotos maiores, de quinze anos para cima, que seria o perfil de quem pratica assalto
à mercadinho de vila. A gente deslocou para o local visando este tipo de garoto. Chegaram em torno de 10 policiais em cinco viaturas".
A operação chamou a atenção dos fregueses e funcionários do mercado, porque a solicitação partiu do posto vizinho e o pessoal do mercado nem estava sabendo que o garoto parado em frente podia estar armado. "Acho que nem freguês do mercado iria acreditar que um garoto daquele tamanho estaria com uma arma na cintura".
Segundo avalia o policial, a intenção dos garotos não era roubar, até porque a arma teria sido achada na grama durante a manhã, conforme alegaram os garotos, há cerca de 10 horas antes do frentista perceber e chamar a polícia. "A princípio eu acredito que ele não tivesse a intenção de praticar nenhum crime contra o mercado".
A preocupação, na verdade, fica por conta da arma que poderia ser levada para casa e cair na mão de alguém mau intencionado. A garrucha tem registro e, se o número que consta tiver documento compatível, o prorpietário pode ser localiado. A arma comporta dois cartuchos calibre 22 que podem ser acionados um atrás do outro sem abrir o mecanismo.
Os menores saíram ontem por volta de seis horas da manhã do Jardim Ivone (rodovia Bauru-Iacanga, ao lado da Vila São Paulo) para irem até o semáforo da avenida Nuno de Assis com a Nações Unidas pedirem esmola ou, eventualmente, guardarem algum carro. No trevo André de Blóis Montoro, a dupla encontrou na grama a arma, que chamou a atenção do menores pelo brilho prata reluzindo aos primeiros raios de sol do segundo dia do ano dois mil.
Os dois tem mãe. Nenhum tem pai. A.A., de 12 anos, foi representado no plantão policial por uma tia, porque a mãe amamentava em casa um recém-nascido. R.S.S., que estava com a arma, tem padrasto, que não o acompanhou. Ele já possui R.G., apresentado pela mãe, onde consta o carimbo "não alfabetizado". Na mensagem de ano novo que o presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) dirigiu à nação brasileira, afirmou que "96% das nossas crianças" estavam na escola. Os dois menores devem fazer parte dos outros 4%, porque nenhum dos dois freqüentou uma escola na vida.
Esta é a primeira vez que eles foram autuados. A mesma viatura da PM que levou os menores do mercado ao plantão, os levou para casa porque nem eles, nem a tia e nem a mãe tinham passe de ônibus, apesar da insistência dos menores em voltarem para o semáforo.
Feito o termo de Ato Infracional, eles agora serão apresentados dia seis de janeiro, às 14 horas da quinta-feira, junto com os responsáveis, na sexta vara da Infância e Juventude.