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Gasoduto

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 6 min

Bauru quer ramal do gasoduto

Texto: Márcia Buzalaf

De acordo com um levantamento realizado pela regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo

(Ciesp), a cidade tem potencial de consumo energético suficiente para atrair a Agip do Brasil, ganhadora da licitação para explorar a distribuição de gás natural na região. Bauru concorre com várias cidades do Estado e da região para receber um ramal de distribuição do gás, e que estar entre os primeiros investimentos do consórcio. Para conhecer mais a pretendente, a Agip vem a Bauru no dia 8 de fevereiro.

Bauru entrou oficialmente na disputa por um ramal do gasoduto Bolívia-Brasil. Esta semana, o Ciesp terminou de tabular uma pesquisa realizada entre as indústrias de Bauru sobre a demanda de energia. Das 32 indústrias que receberam o questionário, 13 enviaram respostas e colaboraram, assim, para fornecer mais atrativos para que a Agip do Brasil construa um ramal de distribuição do gasoduto em Bauru.

As informais não-oficiais é de que Bauru está entre as primeiras cidades a receber um ramal do gasoduto, investimento para os próximos cinco anos. Para que a informação se confirme, o diretor de mercado da Agip do Brasil vai estar se reunindo com o setor industrial no próximo dia 8.

Na opinião do José Luiz Miranda Simonelli, diretor regional do Ciesp, a pesquisa mostra um potencial grande de consumo em Bauru e região, com sua localização privilegiada e as recentes instalações de órgãos, como a Estação Aduaneira Interior (Eadi), a regional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que costumam atrair a instalação de indústrias.

Simonelli diz que o consumo de lenha das indústrias consultadas

é de 1.230 metros cúbicos; de óleo combustível, 1.333.100 Kg; e de gás de cozinha, de 163.675 Kg. Como todos eles tem um fator de conversão para o gás, fica difícil calcular por esta amostragem o quanto seria utilizado de gás em Bauru, mas os dados, segundo o diretor do Ciesp, são animadores e mostram o potencial de consumo da cidade. Os principais setores que participaram da pesquisa foram o alimentício e o metalúrgico.

Parte da decisão da Agip em instalar o ramal em Bauru, Marília, Ourinhos ou Botucatu, cidades que também estão desenvolvendo levantamentos de consumo, leva em conta a localização da região. Outra questão importante é o consumo de energia. Segundo Simonelli, Bauru

é atrativa nos dois pontos.

Bauru também é a cidade mais próxima do gasoduto no traçado, já que está localizada a 54 quilômetros da estação de recebimento e medição do gás, chamada "citygate", em Iacanga. Por isso, a extensão do ramal pode ser mais fácil para Bauru do que para as outras cidades que pleiteiam o ramal.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico também comprou a idéia de investir em uma fonte de energia alternativa e vem fornecendo subsídios para que a concessionária do serviço opte por investir primeiramente em Bauru. Para isso, o titular da pasta, Roberto Rufino, enviou à Agip um vídeo sobre a cidade, oferecendo inclusive uma área para a instalação da sede administrativa que a empresa vai precisar instalar no Interior.

Na opinião de Simonelli, é desta forma que Bauru pode conseguir sair à frente e ganhar o ramal do gasoduto, que só tende a beneficiar a região toda. A união de todas as entidades de classe com a população em geral pode ser a saída para que Bauru tome uma decisão importante: mudar a energia utilizada.

Mudança de mentalidade

Para usar o gás natural, Bauru terá que mudar seu sistema de geração: de hidroelétrica para termoelétrica. Na prática, há duas formas de se fazer isso.

A cidade que quiser usar do gás natural na indústria poderá optar por construir uma termoelétrica, opção cara, mas atualmente incentivada pelo Governo Federal; ou criar dutos nas indústrias para a mudança da matriz energética. Em Pederneiras, por exemplo, onde se usa muito óleo combustível para a produção de cerâmica. A um duto fosse instalado lá, a troca poderia ser feita.

Já a construção de uma termoelétrica poderia ter a abrangência ainda maior do que a construção de dutos. Se a idéia é realmente usar o gás natural, que é considerado um bem abundante, a termoelétrica poderia propiciar até mesmo o uso doméstico do gás natural.

O Governo Federal está incentivando a construção de termoelétricas através de um financiamento específico no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

(BNDES).

Canal para a distribuição do gás, nós tempos, garante Simonelli. A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), ao invés de comprar energia elétrica da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), poderia comprar da termoelétrica.

Esta economia de energia elétrica é muito importante para o futuro. Como se sabe, os recursos hídricos são cada vez mais escassos, o que deve fazer com que o preço da energia elétrica suba cada vez mais. Inclusive, a água está sendo considerada por economistas como o petróleo do século XXI. Energia hoje é um produto, regulado pelo governo, mas cotado na bolsa de valores", alega o diretor do Ciesp.

Dois fatores justificam a mudança de atitude. Não há investimentos suficientes nas hidroelétricas e o uso do gás natural é mais ecológico do que a queima de combustível ou de lenha.

Além de não apresentar restrições ambientais, já que não emite cinzas, reduz sensivelmente a emissão de partículas e quase não polui o ar, operacionalmente é mais barato, já que dispensa estocagem, tem bom rendimento técnico e aumenta a vida

útil dos equipamentos, evitando o aumento de lixo industrial. Também dispensa frete, instalação e operação de equipamentos de controle de emissão. Também só

é pago depois de sua utilização.

Os setores industriais que mais podem ser beneficiar do uso do gás natural são o setor elétrico, alimentício, de vidros e cristais, químico/farmacêutico, papel e celulose, siderúrgico/metalúrgico, cerâmico, plástico, eletrônico, de bebidas, residencial, automotivo, comércio, hospitais, hotéis e termoelétricas/co-geração de energia.

O aumento do consumo de gás no mundo é da ordem de 3,5 a 4% ao ano. Simonelli conta que, nos Estados Unidos, praticamente só se usa gás natural.

O duto

A construção de um ramal do gasoduto para a distribuição de gás em Bauru e região depende da Agip do Brasil. Simonelli afirma que tem tido um contato estreito com a empresa, buscando sempre uma aproximação maior para a cidade.

A idéia do dirigente do Ciesp é trazer a Agip para conhecer a cidade e a região e para proferir palestras sobre o gás natural, como foi feito com o consórcio da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia Brasil S.A.

(TBG), que esteve recentemente na cidade.

O gasoduto Bolívia-Brasil começou a ser construído a partir da Bolívia, e sua tubulação mestra passa por Três Lagoas, Araçatuba e Lins, podendo gerar ramificações na região. Até agora, já gerou 25 mil empregos diretos e indiretos.

Seu projeto tem a finalidade de transportar o gás natural da Bolívia, junto com o produto que é produzido na bacia de Campos, no Rio de Janeiro e na bacia de Merluza, em São Paulo, para atender os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O projeto começa em Rio Grande, na Bolívia, passa pela cidade de Puerto Suarez, na fronteira com o País, chega ao território brasileiro pela cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, passando por Campinas e terminando em Porto Alegre.

O gasoduto tem uma extensão de 3.150 km, e atravessa 135 municípios ao longo do seu trajeto. A capacidade de transporte

é de 30 milhões de metros cúbicos por dia, mas o objetivo da TBG é atingir um volume de 134 milhões de metros cúbicos em dez anos.

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