CPFL deve construir termelétrica
Texto: Paulo Toledo
A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) deve investir, neste ano, na instalação de uma usina termelétrica, na região de Americana, a Usina Carioba, que será movida a gás natural. Carlos José Barreiro, 43 anos, diretor de Distribuição da empresa, disse que o assunto vem sendo estudado. A Agência Nacional e Energia Elétrica (Aneel) já deu a autorização para que a unidade geradora seja construída.
Barreiro disse que a empresa tem, também, o apoio do Ministério das Minas e Energia, uma vez que novas fontes de geração são importantes para o País, em razão dos previstos problemas que o País pode enfrentar. Vale destacar que, nos últimos anos, poucos investimentos na área de geração foram realizado e, com isso, há um temor de que o Brasil possa enfrentar problemas com o crescimento da demanda.
No ano passado, a CPFL investiu em sua área de concessão cerca de R$ 130 milhões, em transmissão e distribuição de energia elétrica e para melhorar a rede. De acordo com ele, enquanto estatal, a Paulista fazia investimentos entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões por ano. Em 98, já privatizada, esse montante chegou a R$ 140 milhões, cerca de 55% a mais do que antes.
Neste ano, a Paulista prevê um investimento de R$ 150 milhões. Deve ser implantado um projeto de reorganização empresarial na área de distribuição, criando a filosofia de "gerência de ativos" e as chamadas centrais de "serviço de campo", em busca de aprimorar os serviços da empresa, em busca de obter um melhor resultado operacional global, favorecendo o consumidor.
A companhia está iniciando a substituição da sua base de dados, que é considerada boa, mas tem 25 anos, por uma totalmente nova. Esse projeto deve demorar cerca de três anos e serão investidos quase R$ 100 milhões.
Barreiro disse que a CPFL tem indicadores de qualidade que estão entre os melhores do País, que evoluíram 30% em relação ao que eram enquanto empresa privada. Além disso, disse o diretor, os custos de vários serviços da companhia para o consumidor foram reduzidos, em termos nominais, em torno de 35%.
Barreiro disse que a Paulista vem investindo no atendimento ao consumidor. A nova medida é a criação de um "call center", com ligação gratuita, que pretende atender em 24 horas qualquer consumidor da área de concessão no Estado. "Estamos criando centrais de serviços em todas as áreas que vão permitir que cada um seja atendido em tempo real, o tempo todo, diretamente pelo nosso empregado que vai estar lá a postos para atender as demanda do consumidor, alguma emergência, queda de energia, e assim por diante", afirmou.
A intenção da CPFL era criar um serviço terceirizado, para a empresa Matec. Porém, o Sindicato dos Eletricitários
(Sinergia Pró-CUT) obteve uma liminar que impede a empresa de fazê-lo. No entender da Justiça do Trabalho, o
"call center" só poderá ser montado se for com funcionários próprios. Jesus Garcia, diretor da entidade disse que a terceirização vai gerar mais desemprego.
Para Barreiro, a empresa pretende tentar buscar na Justiça a derrubada da decisão liminar. Ele diz que no mundo todo esse tipo de serviço é terceirizado e no Brasil não tem sentido ser diferente. Porém, diz que se houver impedimento legal até uma última instância, os consumidores não serão prejudicados, pois será adotada a operação própria.
O faturamento da CPFL em 99 foi de aproximadamente R$ 2,2 bilhões. Os números só serão divulgados oficialmente neste mês. Desse total, a região de Bauru corresponde a 12%, ou seja, cerca de R$ 264 milhões. No ano passado, em termos estaduais, a CPFL teve um aumento de 2% no consumo de energia elétrica e de 5% no número de consumidores. Barreiro disse que a crise instalada no País fez com que em certos meses de 99 alguns setores, como o industrial, em determinadas regiões do Estado, tivessem um decréscimo de consumo. Houve uma melhora, mas não para dar um crescimento sustentável mais expressivo. "Diante do quadro, o resultado foi muito bom em 1999", afirmou.
Investimento na região chegou a R$ 4,3 milhões
A regional de Bauru da CPFL fez um investimento de R$ 4,3 milhões na manutenção preventiva da rede. Lúcio Esteves Júnior, 41 anos, gerente de Distribuição da empresa, afirma que o resultado pôde ser verificado já no final do ano, no período das chuvas mais intensas, quando os desligamentos ocorridos estiveram abaixo do que era a média em anos anteriores.
De acordo com Esteves Júnior, além dos investimentos diretos em novos equipamentos e veículos, foi realizada uma parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), para podas de árvores. Isso também ajudou na redução dos índices de desligamento, pois a "convivência da árvore com a rede elétrica nem sempre é passiva".
Esteves Júnior disse que, no fechamento do chamado "Plano dos 180 Dias", que durou de abril a setembro, no qual foram feitos investimentos visando atingir os melhores resultados. Ele disse que, no ano passado, apesar de Bauru ter enfrentado o "blecaute nacional" (que foi expurgado dos índices) e um outro blecaute localizado, que durou duas horas, durante a madrugada, também em março, o distrito ficou em quarto lugar na classificação do Estado, entre 18 conjuntos elétricos do Estado. "Sem aquele problema no disjuntor da subestação, ficaríamos em segundo lugar, muito próximo do primeiro.
Para este ano, a CPFL vai fazer a ampliação da Subestação Estoril, que tem uma potência instalada 25 MW e vai passar a 65 MW. Segundo o gerente, o maior número de alimentadores possibilita manobras em caso de problemas, podendo restabelecer mais rapidamente a energia em caso de problemas.
No ano passado, a cidade de Bauru teve um crescimento de 6,5% no número de clientes, chegando a 106.808, sendo o maior aumento o na área residencial com 6,6%, em razão da entrega de núcleos habitacionais. Na região, esse número chegou a 147.067 usuários, num aumento de 5,2%.
Na área comercial, destaca Ricardo Ferreira Júnior, 39 anos, especialista em negócios da regional Bauru, destaca que a empresa vem buscando melhorar o atendimento ao público. Segundo ele, desde outubro, o departamento comercial vem trabalhando de forma descentralizada do atendimento técnico.
Ele destaca que, em fevereiro, a empresa deve passar a oferecer aos consumidores da região um seguro que dá proteção financeira durante quatro meses, em caso de desemprego ou incapacidade temporária, seguro de vida por morte ou invalidez permanente, pago por um período de 12 meses, e seguro residencial num valor até 500 vezes o valor mensal da conta de energia, entre outras coberturas e assistências. Para isso, o consumidor paga o equivalente a 7,49% de sua conta mensal.
Ele destaca que a Paulista não tem problemas graves com a inadimplência, que gira em torno de 2%, que também
é a média estadual. Segundo ele, os clientes já se habituaram com a nova sistemática implantada, que reduziu os tempos de corte. De acordo com ele, a quantidade de cortes por falta de pagamento foi reduzida em 99.