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B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

Tio Sam abusa do direito de abusar

B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade

O governo dos Estados Unidos parece estar indo longe demais nesta questão que envolve o pequeno Elián González, o garoto de seis anos encontrado em novembro do ano passado, no mar, nas proximidades da Flórida, agarrado a um pneu. Conforme já tivemos a oportunidade de explicar neste espaço, Elián e mais uma dúzia de pessoas, entre as quais a mãe e o padrasto, seguiam de Cuba para os EUA numa lancha que afundou. O pequeno Elián, então com cinco anos de idade (ele completou seis anos em solo norte-americano) também foi lançado na água, pela embarcação que emborcou. Desafortunados, seus parentes e companheiros de viagem pereceram no acidente. Para Elián, o destino enviou uma bóia improvisada e uma série de problemas. Tormentos que até hoje, em virtude de sua tenra idade e do castigo doce que lhe está sendo imposto, ele ainda não tem condições de identificar.

Os parentes cubanos do menino, moradores no bairro de Pequena Havana, associados aos interesses de política externa dos Estados Unidos e adicionando a isto sua longa divergência com Cuba, viram no pequeno e em sua saga uma oportunidade de transformá-los num instrumento. E é o que vêm fazendo com grande desenvoltura.

Quando o pequeno náufrago foi retirado do pavor, da imensidão do Oceano, e levado para a segurança da terra firme, imaginou-se que sua tragédia chegaria ao final. Mal se podia prever que seria o início de um novo e complicado problema.

É curioso que tão logo se soube que em Cuba seu pai e seus avós paternos e maternos imediatamente passaram a pedir o seu retorno, as pessoas mais instruídas, assim como as mais ignorantes dos EUA, de Cuba, do Brasil, do Japão, da África do Sul, Quênia, França ou Alemanha, não tiveram a menor dúvida: Elián deve ser entregue à sua família, em Cardenas, Cuba. Como se sabe, o menino está com parentes, na Flórida, mas a família, as pessoas do mesmo lar, têm prevalência sobre parentes ou amigos na guarda do pimpolho. E isto geralmente

é o que pensa a mais alta corte e as pessoas sem a mínima instrução, no mundo inteiro. É o pátrio poder.

Mas Washington insiste em não se curvar diante do óbvio, do elementar. Não quer perder a partida diante de um pequeno público. Prefere que a derrota ocorra, um pouco mais adiante, frente toda opinião pública mundial. Afinal, o pneu foi um objeto achado. A criança não é objeto!

Há poucos dias, o Serviço de Imigração e Naturalização dos EUA determinou que Elián deveria ser devolvido antes do dia 14 de janeiro. Agora, parlamentares estão querendo levar o garoto para depor no Congresso. Ora, qualquer incauto prevê que, de qualquer maneira, como resultado, teremos três alternativas: devolver ao pai, devolver ao pai ou devolver ao pai!

Como um dos 100 mais famosos advogados dos Estados Unidos, Hillary Clinton, na condição de advogada e de mãe, bem que poderia livrar o país de mais este vexame.

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