Geral

Pesque-e-pague

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 6 min

Em contato com a natureza

Texto: Roberta Mathias

O verão convida a família para a pescaria. Longe dos rios de piracema, onde a pesca é proibida, os pesque-e-pague procuram oferecer o mesmo prazer do ambiente natural.

O Pesca & Lazer está visitando os pesqueiros de Bauru e região e esteve neste último domingo no Pesqueiro Zuim (Bacia dos Pombos). Com um grande lago, o pesqueiro oferece uma boa variedade de espécies de peixe, desde os mais esportivos como o matrinxã e dourado, até os cobiçados pintado e pirarara, ambos da família dos bagres, também proporcionam muita emoção ao pescador. Só

é preciso tomar cuidado com o exemplar fisgado, a raridade do peixe deixa o precinho um tanto salgado. Mas vale a pena.

O lago é rodeado por árvores com sombras e tranquilidade. Há espaço para todos os gostos. Oswaldo dos Santos

(Oswaldão), 80 anos, é um frequentador assíduo do pesqueiro. Mesmo com chuva ele está lá. "Semana passada peguei chuva pra burro, mas deu para pegar uns peixes." Ele confirma a história contada pelo filho, João Lourenço, 45 anos, acrescentando que o fato ocorrido não

é incomum em pescarias. "Você pode confirmar com o Toninho da Mabel, ele viveu uma história igual, só que no Xingu."

O que ocorreu no pesqueiro foi até engraçado. Como sempre, eles estavam pescando separados. Oswaldão prefere o lado oposto ao da lanchonete, um espaço tranquilo, de onde se comunica com o filho por sinais e gritos. Um certo dia de pescaria, Lourenço foi avisado que estavam puxando a sua vara. Ele correu, mas o peixe levou vara e tudo, até o suporte da vara. Irado, ele já estava se preparando para ir atrás de seu equipamento com o barco.

Enquanto isso, do outro lado da lagoa, Oswaldão perguntou onde ele havia arremessado, dizendo que iria recuparar a vara. Ninguém deu crédito. Mesmo assim ele arremessou.

"Eu gritei - Peguei a sua vara! Mas eles não acreditaram e seguiram com o barco", lembra Oswaldão. Quando ele puxou e eles resolveram verificar, perceberam, com espanto, que além de recuperar todo o equipamento, havia um pacu enroscado no anzol. A história foi confirmada e, provavelmente é verdadeira. Afinal, pescador não inventa, só aumenta.

Oswaldão é pescador desde criança e agora aproveita para se divertir no pesqueiro, o único inconveniente

é a falta de atendimento em volta da lagoa. Isolado, só pode tomar uma cervejinha quando Lourenço resolve dar uma caminhada entre um pacu e outro e abastecer o pai. Lourenço

é outro apaixonado por pesca e sempre está acompanhado do amigo Nicanor Manuel Júnior, 45 anos. Juntos eles frequentam o pesqueiro aos domingos. Aproveitando para tomar uma cervejinha e comer uma porção de torresmo.

Já Augusto Fukuji, 63 anos, pesca sempre na sua folga mensal. O curioso é que, apesar de ter muita habilidade para a pesca - ele estava com o samburá carregado de pacus -, Fukuji não come peixe. "Gosto só de pescar, os peixes eu levo para minhas irmãs e amigos."

Amizade diferente

José Cacciola Júnior (Juca), 44 anos, frequenta o Pesqueiro Zuim todas as semanas. Pescador convicto, às vezes prefere fazer sua isca, em outros momentos usa a do pesqueiro. O que afirma e comprova com fotos é que nunca volta para casa sapateiro. O mais curioso, porém, é o seu grande amigo no pesqueiro: o ganso Belo. Fazendo cócegas e com o ganso entre os braços, Juca conta que o Sérgio Uehara (proprietário do pesqueiro) trouxe sete ovos de cisne para chocar. "Eu levei para chocar em galinhas. Somente um ovo vingou. Eu cuidava daquele cisne com muito carinho, levava ele no bolso quando ia para o estacionamento, fazia cafuné. Ficamos amigos. Só descobrimos que era um ganso quando nasceu o chifrinho nele."

O ganso, que possui uma natureza agressiva, passeia como um animal de estimação e até atende aos chamados para uma refeição rápida.

Lanchonete e restaurante

O Pesqueiro Zuim possui, além da lanchonete à beira da lagoa, um restaurante que fica aberto aos domingos e feriados e, segundo informou o proprietário Fernando Zuim, 31 anos, na próxima semana terá cavalos para passeio. O lugar oferece serviço à la carte e possui um videokê para os visitantes. "Não é preciso pagar", lembra Fernando.

Na lanchonete, eles oferecem diversos tipos de porção como lambari, rosado, batata e torresmo. Fernando está organizando uma forma para atender os pescadores na lagoa. "Vamos colocar isopores à disposição, o pescador leva uma quantidade de bebida e paga o que consumir."

Iscas

Isca certa para o peixe certo. É com esse pensamento que o pescador prepara sua isca, experimentando, inventando. Rogério Zuim, 20 anos, diz que é preciso usar da isca certa para pegar a pirarara e o dourado. "São peixes predadores, que exigem iscas vivas, como a tuvira e o lambari." Já há também aqueles peixes que podem ser fisgados nas iscas artificiais. "Matrinxã e piraputanga saem bem na artificial, principalmente nas de superfície", conta Rogério. Na verdade, o pescador deve escolher como vai enganar os peixes e fisgá-los. Mesmo em pesque-e-pague, a batalha é quase a mesma. É preciso conhecer o peixe.

Serviço

O Pesqueiro Zuim (Bacia dos Pombos) fica na rodovia Bauru-Ipaussu, três quilômetros após o trevo de entrada de Piratininga. O local fica aberto de terça a domingo e também em feriados. Podem ser encontrados os peixes pacu, tambacu, tambaqui e carpa (R$ 4,50); piauçu (R$ 4,80); tilápia (R$ 3,00); pirarara (R$ 23,00); pintado e dourado (R$ 13,00), o quilo. O local possui também um restaurante com vários tipos de porções e videokê. Telefone para contato (14) 971-3417. Restaurante Bacia dos Pombos (14) 972-7878. A entrada é R$ 2,00 para todos os visitantes e inclui a limpeza dos peixes e o uso de varas de bambu. Há também barco para locação e o restaurante também pode ser reservado para festas.

********** História de Pescador*************

À beira do rio

Há cerca de seis meses, alguns pescadores estiveram reunidos

à beira do rio, concentrados à procura de peixes. Eu e meus amigos Eliseu Alvarez Neto e Eliane Gasparini estávamos em Reginópolis, onde o rio Batalha é muito mais volumoso, pescando pacus. Conhecendo o hábito alimentar da espécie, usávamos como isca coquinhos, um de seus alimentos preferidos.

O lugar era muito agradável, com diversas espécies de aves, macacos e peixes. A manhã ia seguindo e a pescaria também. Em um determinado momento, eu fiz um arremesso muito longo, que chegou a atravessar o rio e enroscar nas árvores. Como não consegui desenroscar naquele momento, peguei outro caniço e retomei minha pescaria. Deixei aquele de lado, para depois ver o que poderia fazer.

O tempo foi passando e a pescaria estava tranqüila. Conversa vai, conversa vem, um arremesso, um peixe. Tudo certo. De repente, a gente começou a ouvir um grande alvoroço na mata. Olhamos para a outra margem procurando desvendar o que estava acontecendo. Após alguns minutos, descobrimos que um dos macaquinhos havia fisgado a mão no anzol da minha vara. Desesperado, ele fez muito barulho e mobilizou toda a macacada. Nesse momento, aproveitamos para cortar a linha e livrar o animal daquele incômodo. Apesar de parecer, esta não é uma mentira de pescador. Apenas uma história interessante vivida às margens do Batalha.

Oswaldo dos Santos é pescador, grande conhecedor dos rios brasileiros e contador de histórias

************ Troféu Pescador***************

"Eu peguei esta truta marrom, no rio Oreti, entre as cidades de Te Anau e Queenstown (Nova Zelândia). Eu usei uma mosca chamada Royal Wulf (dry fly) com uma vara de fly peso #2. Depois de fisgada, tive que corrrer uns 500 metros rio abaixo para não perdê-la. Eu soltei todos os peixes que peguei. A truta foi calculada em mais de quatro quilos..."

(Gerson P. Kavamoto é brasileiro, tem 30 anos, mora no Japão, é um pescador apaixonado e fisgou esta truta em janeiro de 2000)

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