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Material escolar

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Preço do papel encarece lista escolar

Texto: Márcia Buzalaf

Um dos produtos que mais teve reajuste na lista escolar do ano passado para este ano foi o papel, que acaba influenciando o preço final de vários itens. Na opinião das papelarias, a lista escolar deste ano está com o mesmo preço do ano passado, mas os consumidores não concordam e reclamam que estudar os filhos está cada dia mais caro.

Nas lojas, o movimento já é intenso e deve se estender até março. De acordo com gerentes e proprietários de papelarias, os consumidores estão antecipando a compra dos materiais escolares este ano, o que deve facilitar as compras restantes em fevereiro, quando a maioria das escolas retoma as atividades.

O gerente de uma papelaria e livraria da cidade, Rogério Dal Evedove, 27 anos, afirma que os preços estão variando muito pouco em comparação com 99, sendo que o único reajuste significativo foi no preço do papel sulfite e nos cadernos.

Concorda com essa idéia o proprietário de outra papelaria, Valmir Aucielli, 33 anos. Para ele, apenas o papel apresentou um preço mais elevado.

Os importados também estão sendo os vilões das papelarias. Com o valor bem mais caro do que no ano passado, os produtos passaram a ser artigos de luxo.

As papelarias começaram a comprar os produtos escolares entre setembro e outubro. Deste período até agora, quando a compra dos consumidores começa, a oscilação do dólar variou pouco, fazendo com que mesmo os itens importados mantivessem o mesmo valor deste período.

Aucielli diz que não comprou nenhum produto importado este ano, justamente para ir contra os aumentos e fornecer produtos mais baratos para os consumidores.

A lista dos produtos escolares variam de escola para escola, mas podem ser encontrados por preços entre R$ 19,00 e R$ 300,00. As lojas garantem que estão recebendo pedidos de orçamento o dia todo, todo dia. "Hoje, ninguém deixa de pesquisar bastante", diz Aucielli.

Os livros, que representam aproximadamente 70% do preço da lista do material escolar, estão bem mais caros.

Evedove espera para este ano o mesmo volume de vendas do ano passado. Mesmo assim, a empresa comprou aproximadamente 15% a mais do que no ano passado.

Consumidor

Os encarregados das lojas não souberam precisar o tamanho do aumento no custo dos materiais escolares, mas os consumidores afirmam que foi grande.

A empregada doméstica, Sílvia Regina do Nascimento, 34 anos, sente na pele o reajuste dos livros. De acordo com ela, enquanto que no ano passado havia pago R$ 100,00 pela lista escolar com todos os produtos, ontem, estava comprando apenas os quatro livros escolares de que precisa para o filho da 4.ª série por R$ 107,00. "No ano passado, eu comprei livro, mochila e todo material por este preço, e à vista. Este ano, eu vou ter que parcelar", lamenta Sílvia. Ela fica feliz por ter apenas um filho e por estar empregada. "Graças a Deus eu e meu marido estamos empregados e vamos poder dar educação para nosso filho", diz.

Pelo mesmo esforço de estudar os filhos, o casal Márcio Luiz Serra Pinheiro, 32 anos, pista de pedágio, e Luciana Aparecida Cruz, 28 anos, deslocou-se de Avaí até Bauru para comprar a lista de material escolar dos filhos, que estão na 1.ª, 2.ª, 3.ª e 4.ª séries. Segundo eles, como Avaí é uma cidade muito pequena, os donos de papelarias costumam comprar de Bauru e "colocar o preço lá em cima".

Os dois acharam os valores cobrados na cidade baratos, se comparados com o município da região. Eles dizem que, enquanto na cidade de Avaí o preço da cola é R$ 0,90, em Bauru, o mesmo produto custa R$ 0,30. O preço das listas escolares dos quatro filhos ficaria em torno de R$ 38,00.

1,99 e outros

As lojas de R$ 1,99 e de R$ 1,98 também entraram na disputa dos materiais escolares. Estojo de metal ou de tecido, caderno de seis matérias, caderno com 96 folhas, kit com quatro tipos de réguas, dez rolos de 10 metros de durex, kit básico

(com régua, borracha, cola, grafite, lapiseira e tesoura), seis tubos de cola...

Todos estes itens podem ser encontrados nas lojas de R$ 1,99 e R$ 1,98, por este mesmo valor unitário. Os únicos produtos que são mais caros são as mochilas, que variam o preço entre R$ 3,00 e R$ 7,90. A gerente de uma das revendas de produtos afirmou que o movimento está crescendo, e que as próximas entregas devem trazer mais diversidade e mais concorrência às papelarias.

Outras lojas que tradicionalmente não vendem produtos deste setor investem nos escolares no começo do ano. Maria de Lurdes Bastazini Pereira, 32 anos, gerente de uma loja de confecção que vende produtos escolares no começo de cada ano, afirma que o movimento tem sido muito grande.

Os preços oferecidos pela loja são chamados populares, e as marcas são as mais variadas possíveis. O caderno, por exemplo, pode ser encontrado por preços que variam de R$ 0,50 (caderno de 96 folhas) a R$ 7,99 (caderno-pasta, de 20 matérias).

Com tantas marcas e variedades, o consumidor deve pesquisar muito os preços e produtos antes de comprar, e não deixar para a última hora a procura pelos produtos.

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