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Gestão de saúde

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 6 min

Gestão pessoal de saúde será o desafio profissional do século XXI

Texto: Patrícia Zamboni

Enquanto a maioria dos empresários e profissionais de diversas

áreas se vêem às voltas com preocupações referentes a investimentos em tecnologia e conhecimentos múltiplos, o mundo se aproxima do grande desafio profissional do século XXI: gestão pessoal de saúde. No Brasil, tendo sua sede principal instalada na cidade de São Paulo, existe uma associação de vanguarda especializada em assuntos de qualidade de vida, que desenvolve processos de transformação organizacional. Trata-se da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), fundada em 1994 por empresas e profissionais de diversos setores. Além de ser um fórum de debates, uma troca de experiências, realizar pesquisas e estudo, a ABQV promove anualmente o Prêmio Nacional da Qualidade de Vida, que tem como objetivo incentivar a implantação de programas de qualidade de vida nas empresas, premiando organizações que realizam ações específicas e inovadoras neste âmbito de atuação e que alcançam

êxito na melhoria da qualidade de vida de seus colaboradores.

Toda empresa moderna precisa possibilitar ao empregado o desenvolvimento do seu potencial de crescimento profissional. Isso se dá pela oferta de um ambiente de trabalho adequado, que no sentido mais amplo, engloba atenções tanto com o meio ambiente quanto com o bem-estar pessoal. De acordo com Flávio Próspero, vice-presidente da ABQV, essa Associação tem duas finalidades básicas. A primeira é criar dentro das empresas um espaço de discussão para melhorar o ambiente organizacional como um todo. "Isso significa criar um ambiente solidário entre as pessoas para que elas possam ter um maior rendimento, serem mais felizes e mais identificadas com o próprio trabalho", explica Flávio Próspero.

O segundo objetivo segue na linha do desenvolvimento de cada indivíduo, de cada funcionário. "Esse objetivo se desdobra em duas coisas. A primeira delas é reduzir o risco de doenças através de uma reeducação. Em geral, as pessoas encontram riscos na alimentação, na falta de exercício físico, na vida sedentária, nos hábitos de fumo, drogas ou álcool, risco de stress e por aí afora. Tudo isso é tratado através da mudança da qualidade do ambiente organizacional solidário, o que reduz drasticamente o stress. O segundo objetivo é desenvolver as pessoas. Isso significa dar mais conhecimento para aumentar o grau de consciência. As pessoas precisam ser mais conscientes para poder ter mais responsabilidade sobre a gestão da sua própria vida, da saúde, sobre a gestão ecológica da sua relação com o meio ambiente, sobre a gestão da sua relação com outras pessoas para poder desempenhar melhor os seus papéis", relata o vice-presidente.

Segundo Próspero, a ABQV procura criar um espaço de reflexão dentro das empresas para que as pessoas possam melhorar o seu nível de consciência e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos de doenças. Ao melhorar o ambiente organizacional, os funcionários acumulam pontos positivos e ganhos significativos no dia-a-dia de trabalho. Ganhando os funcionários, ganha a empresa. Nesse ciclo, a qualidade de vida se transforma de recurso humano em capital humano, como observa o vice-presidente da Associação.

Participação e premiação

As empresas que participam desse programa de qualidade de vida têm acesso livre à ABQV. De acordo com Flávio Próspero, são realizadas reuniões mensais na sede da Associação abertas à participação dos interessados. Nesses encontros são desenvolvidas conferências e apresentados "cases" de empresas que implantaram o programa de gestão pessoal de saúde. Quem quiser saber mais sobre o trabalho da ABQV pode acessar a home page da Associação na Internet, pelo www.abqv.org.br O e-mail

é abqv@abqv.org.br

Segundo Flávio Próspero, atualmente a ABQV conta com cerca de 2.000 sócios no Brasil todo, sendo 500 empresas e 1.500 profissionais. Existem sedes regionais da Associação situadas em Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Brasília

(DF), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). A adesão das empresas ao programa de qualidade de vida da ABQV é livre, bem como o seu processo de desenvolvimento dentro do ambiente de trabalho. Para participar do Prêmio Nacional da Qualidade de Vida os concorrentes têm que passar por uma auditoria. Podem participar organizações de qualquer área e de qualquer porte, independetemente de número de funcionários, faturamento ou constituição. O principal critério de seleção é ser uma empresa que tenha realizado, no ano anterior ao da premiação, qualquer ação específica e inovadora no âmbito da qualidade de vida e que tenha resultado em melhora significativa para os colaboradores.

Empresas como Walita, Bank Boston, Gessy-Lever e Banco Sudameris são algumas das premiadas em anos anteriores. Em 99 as vencedoras foram Abril, Alcoa, Asea Brow Boveri, Bank Boston, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Prefeitura Municipal de Curitiba, Siemens, Tribunal Regional Federal e Weg Motores.

O ano passado a ABQV também promoveu o I Congresso Internacional de Qualidade de Vida, em Curitiba. A cidade foi escolhida para sediar o evento por ser reconhecida pela ênfase na qualidade de vida. Este ano o Congresso será em São Paulo.

Despertar

O processo de conscientização em torno da importância de se investir em qualidade de vida, tanto para empresários quanto para os próprios profissionais atuantes no mercado de trabalho, é lento. Segundo Flávio Próspero, no Brasil ainda não é possível dizer que essa consciência já existe. O que se pode afirmar

é que existe um processo de despertar. "O processo

é lento mas é crescente. Nós percebemos um interesse cada vez maior de empresas que querem estudar o assunto. Mas esse é apenas o começo", afirma o vice-presidente da ABQV. De acordo com o presidente da Associação, Ricardo De Marchi, os processos de qualidade de vida costumam percorrer quatro degraus. O primeiro é a conscientização, ou seja, despertar o funcionário para este conceito. Na segunda etapa é preciso investir na educação. Na terceira, ocorre a mudança de comportamento, e em seguida, a mudança de cultura na empresa.

Segundo Flávio Próspero, existem resultados de pesquisas americanas e canadenses sobre os resultados obtidos pelas empresas com a implantação desse conceito de qualidade de vida. No Brasil ainda não é possível levantar dados concretos. Nos Estados Unidos e no Canadá as pesquisas mostram que para cada dólar investido em qualidade de vida

é obtida uma média de US$ 3 de retorno anual em produtividade, diminuição dos custos com assistência médica e melhorias em vários níveis, como uma maior identificação dos funcionários com a empresa. A longo prazo existe a redução dos riscos de doenças. "Isso significa que você prepara aposentados sadios, sendo que o Brasil é uma fábrica de aposentados doentes. Se nós criarmos uma classe de aposentados sadios isso vai resultar numa redução brutal nos custos de assistência médica de um lado, e de outro lado, há mão-de-obra experiente para atuar no terceiro setor e em projetos voluntários, por exemplo. Isso é muito comum nos Estados Unidos e no Canadá, enquanto aqui no Brasil o aposentado vira um marginal", observa Próspero.

Segundo o vice-presidente da ABQV, com o desenvolvimento de atividades voltadas à qualidade de vida os benefícios individuais aparecem em aproximadamente dois anos. "Se a pessoa tem uma vida sedentária e começa a praticar exercícios, nos primeiros meses já sente uma diferença brutal. Em dois anos entra no processo de diminuição total de riscos", afirma Próspero. Na empresa, os resultados positivos aparecem cerca de três anos após o início da implantação de programas de gestão de saúde e qualidade de vida.

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