Poluição pode ter provocado morte de peixes no Tietê
Texto: Luciano Augusto
A morte de peixes e moluscos detectada no último final de semana no trecho do rio Tietê entre Barra Bonita e Macatuba pode ter sido provocada pela poluição da água, segundo a Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê (uma facção privatizada da Cesp), e não por contaminação por produtos químicos, supostamente usados na limpeza da eclusa de Barra Bonita, como se pensou inicialmente.
Conforme a assessoria de imprensa da empresa, testes feitos no dia 13 de janeiro acusaram baixa oxigenação da água e tanto a Cetesb quanto a Polícia Florestal foram alertadas.
A hipótese de contaminação por produto químico utilizado na limpeza da eclusa de Barra Bonita foi levantada pelo Instituto Ambiental Vidágua, de Bauru. Mas, segundo a companhia de geração de energia, a limpeza não aconteceu no local. As peças da eclusa foram retiradas e limpas fora do rio. "Temos total condição de afirmar que não houve contaminação", garantiu o assessor Antônio Carlos Garcia. Ele reclamou ainda de que a empresa não foi procurada pelo Instituto para emitir sua versão sobre o assunto.
De acordo com ele, testes realizados pela empresa na última quinta-feira, dia 13, constataram que a oxigenação da água era baixa, provocada por poluição,
"situação que todo mundo sabe". As comportas foram abertas para movimentar a água, numa tentativa de melhorar os índices de oxigenação naquele trecho do Tietê. Com a abertura das comportas, a geração de energia fica interrompida.
O escritório da Cetesb em Bauru informou ontem que técnicos do órgão estiveram no local no último sábado, dia 15. O gerente em exercício do escritório, Alcides Tadeu Braga, afirmou que a equipe de plantão teve que atender mais duas chamadas e que, por isso, só chegou ao local no final da tarde.
Braga confirmou que a companhia de geração de energia havia contatado o escritório da Cetesb, no início da noite (pouco depois das 19 horas) da quinta feira passada. Os técnicos foram informados sobre o aparecimento de "alguns" peixes mortos. Entretanto, no dia seguinte, a empresa voltou a ligar para a Cetesb, "e o funcionário disse que não havia mais peixes mortos". Mesmo assim, uma equipe da Cetesb percorreu o trecho da barragem de Barra Bonita até o viaduto da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, em Pederneiras.
Braga reiterou que a Cetesb "tinha informações de que, antes da barragem, a oxigenação da água era baixa". Disse ainda que "este trecho do rio é crítico", com o lançamento de esgoto, e a barragem
é o primeiro ponto de acúmulo de resíduos.
Com a abertura das comportas, segundo Braga, pode haver desprendimento do lodo do fundo do rio, diminuindo o oxigênio da água.
Ontem, a Cetesb voltou ao local para coletar, em pontos estratégicos do Tietê, mais amostras da água, que será analisadas pelo laboratório de Marília. O resultado das análises será conhecido no final de semana.
Rodrigo Agostinho, do Instituto Ambiental Vidágua, considera que ainda não está descartada a hipótese de contaminação, uma vez que o problema foi detectado a partir da barragem. "Descartamos poluição porque, se fosse isso, os peixes estariam morrendo desde Botucatu", esclareceu. Além disso, segundo ele, diversas pessoas ligaram para o Instituto Vidágua informando sobre o uso de produtos químicos.
Outro fato que pode confirmar a hipótese de contaminação
é a grande quantidade de moluscos mortos. Como os moluscos vivem próximos à barragem, o problema pode ter ocorrido a partir dali.
Agostinho também rebateu a reclamação da Companhia de Geração de Energia Elétrica do Tietê de que o Instituto não havia procurado a empresa. Segundo ele, a empresa foi procurada, mas não houve possibilidade de localizar nenhum responsável durante o final de semana.
O Vidágua aguarda, agora, o resultado das análises feitas pelo Centro de Toxicologia (Ceatox), da Unesp de Botucatu. Ele deve ser conhecido no final da semana.