Garça produz violeta com qualidade
Texto: Márcia Buzalaf
O produtor de violetas Cléber Braga, da AgroFlores, diz que todo produtor da flor é maluco. Pudera. O ciclo do cultivo é curto, de até 12 semanas, e envolve o controle de temperatura, umidade e luminosidade 24 horas por dia. Qualquer distração e a perda pode atingir um lote todo de flores. Mas o resultado compensa: um chão de violetas, de mais de 20 cores.
Um viveiro em Garça está levando o nome da região para o Brasil todo, carregado por lindas violetas. O diferencial da AgroFlora, fazenda dos Irmãos Braga é a mecanização e o alto controle dos fatores naturais, como a umidade, a temperatura e a luminosidade. Os 7.700 vasos por semana comercializados passam antes por uma estadia rápida de 12 semanas no viveiro antes de partirem para a Holambra.
No centro de comercialização, as violetas são classificadas de acordo com a qualidade. De lá, partem para os atacadistas, que fornecem para as floriculturas. O preço do vaso varia muito em relação à produção e à época do ano em que é produzido. Braga diz que a violeta é vendida em leilão em Holambra por uma faixa de preços grande, que pode variar de R$ 0,40 a R$ 1,30, nas fases de mais escassez.
Atualmente, os produtores estão vendendo o produto a preço de custo, já que a venda é muito pequena. No dia das mães, é claro, o preço sobe. "No ano passado, quem mandou flor para lá pegou no mínimo R$ 1,00 por vaso", afirma.
2,3 mil metros quadrados dos 8 mil da propriedade são ocupados pelas estufas que abrigam a produção. O processo de cultivo das violetas envolve dois estágios em estufas diferentes. O primeiro, dura quatro semanas, e envolve deste o plantio das mudas até o espaçamento. Os recursos tecnológicos desta estufa na fazenda são limitados, e mais manuais do que automáticos.
Já na segunda estufa, onde a violeta fica aproximadamente 7 semanas, o espaçamento é maior, os recursos mais avançados e a produção mais tecnológica. Para se desenvolver, a violeta precisa de mais luminosidade nesta fase.
É nesta fase que o viveiro tem que ter maior controle. Braga diz que o trabalho é incessante, já que a quantidade de luz e de calor e a temperatura devem estar dentro de uma média constante. A luminosidade é controlada por uma manta eletrônica holandesa chamada LS; o calor, por um exaustor; e a umidade é intensificada com irrigação e reduzida com aquecimento.
O produtor diz que o ideal é que a violeta esteja sob o calor entre 18 graus e 30 graus; uma luminosidade entre 8 mil e 12 mil lux; e uma umidade do ar variando entre 60% e 70%.
Em série
Violeta dá o ano todo. Segundo Braga, o que altera nos 12 meses do ano é justamente o custo de manter a produção com qualidade - com luminosidade, umidade e calor adequados. Na
época da seca, há a exigência de manter a estufa úmida. A fazenda é irrigada através de aspersão.
Braga esclarece que a água é a fonte de vida da violeta, o que desmente a idéia já aceita de que esta flor para crescer não pode ser molhada. Realmente, segundo Braga, a flor não deve ser molhada, mas as folhas da violeta adoram água, e precisam ser aguadas diretamente para se desenvolverem bem.
Isso aumenta o custo da produção. Braga diz que hoje em dia há uma pressão muito grande para que o preço da violeta caia, já que o produto passou a ser vendido em vários supermercados. Mas o produtor alerta: quanto mais barata, mais baixa a qualidade. "O descarte vai para o supermercado", afirma.
Braga conta que o produtor pode perder grande parte da produção se não estiver atento ao ciclo do cultivo, que é muito pequeno. "É muito curto o período de plantio até a floração. Se você deixar passar alguma coisa, você chega a perder de lote", diz.
Além dos fungos e insetos, que são vilões das violetas, o desperdício também prejudica a produção. O índice de perda das violetas é de 5% a 8%. Para Braga, aí está o segredo de se baixar o custo. Seu trabalho tem sido feito para reduzir a perda dos vasos e, assim, ter mais produção e preço melhor.