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Josefa Cunha
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Maioria no PT defende coligações para 2000

Texto: Josefa Cunha

As alas petistas que defendem alianças para as eleições de outubro serão maioria no encontro que o partido realizará amanhã para a escolha da nova direção municipal. Duas das três chapas que disputam o comando - "Nossa Tendência é o PT" e "Opção

Ética na Política" - entendem que o PT de Bauru não tem condições de lançar uma candidatura própria a prefeito, motivo pelo qual pregam a necessidade de conversas com outras legendas para estabelecer coligações. Sozinha, a terceira chapa - "100% PT" - parte para as eleições internas com a proposta de independência total. O encontro petista será na Câmara Municipal, das 9 às 17 horas.

A chapa "Nossa Tendência é o PT" é encabeçada pela coordenadora regional do partido, Estela Almagro, e agrega os apoiadores do vereador José Carlos Batata. O grupo vem disputando há anos o comando da legenda com o núcleo ligado a Roque Ferreira, que estará representado no encontro de amanhã pela chapa "100% PT".

A relação entre Batata e Ferreira não passa por nenhum ponto comum. As divergências entre ambos, aliás, motivaram consecutivos adiamentos do encontro municipal e exigiram a intervenção da direção estadual para amenizar as contendas locais. Roque Ferreira sabe desde já que suas posições políticas serão derrotadas amanhã, mas insiste em dizer que o grupo vencedor terá credibilidade duvidosa. "A renovação da direção municipal é uma discussão superada, mas não posso deixar de criticar os métodos que foram aplicados para legitimá-la", reclamou.

O alvo do ataque de Roque Ferreira são os filiados que ingressaram no partido através do núcleo de Batata. Alegando várias irregularidades no procedimento das filiações, Ferreira tentou, sem êxito, impugnar os novos militantes.

"A manutenção desses filiados coloca em risco a credibilidade da futura direção", afirma. O grupo recém-ingresso é fundamental para garantir a vitória da chapa "Nossa Tendência é o PT", embora os demais concorrentes tenham possibilidade de eleger representantes na direção. O partido trabalha com proporção de votos, abrindo chance para que todas as vertentes internas tenham voz no comando.

Roque Ferreira tem perspectivas de eleger dois membros no diretório e mais um na executiva, os quais ficariam com a responsabilidade de desenvolver esforços para ratificar a proposta da candidatura própria na convenção municipal marcada para abril - será neste evento que o PT definirá suas táticas para as eleições. "Nossa bandeira

é e sempre será de independência política. O PT foi criado para sustentar essa posição, agindo conforme os interesses da classe trabalhadora. Pregamos a fidelidade a esse compromisso para que o processo eleitoral não degenere os princípios do partido", sustenta.

Na outra ponta, as chapas que defendem coligações trilham quase no mesmo caminho. Batata vende uma postura mais aberta e parece não ter problemas em conversar com partidos de centro, como o PSDB e PMDB. Já os representantes da chapa "Opção Ética na Política", que agrega os movimentos sindical, popular e universitário, têm uma visão mais restrita quanto ao arco de alianças.

O sindicalista Jesus Garcia, por exemplo, não vê a menor condição de o PT fechar acordos com o PSDB e o PMDB, partidos, segundo ele, "infelizes sustentadores" da política neoliberal do presidente Fernando Henrique Cardoso. Nem mesmo o socialista PPS seria um bom aliado, já que traz em sua cúpula diversos nomes ligados à direita. "A avaliação não passa apenas pela ideologia partidária, mas pela trajetória política de seus membros. O PPS em Bauru tem a cara do malufismo", argumenta.

Na opinião de Garcia, o PT só poderia lançar apoio ao PDT e a Tuga Angerami e, mesmo assim, com a garantia de poder vetar os eventuais vices. "Não podemos sair da esfera da centro-esquerda, como também não podemos achar que o PT de Bauru vai chegar a algum lugar sozinho. A nossa bandeira também prega a qualificação das ações do partido, a renovação e as iniciativas institucionais", perfilou.

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