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Pecuária

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 6 min

Verão também pede suplemento mineral

Texto: Márcia Buzalaf

O suplemento mineral é uma das maiores exigências do mercado de pecuária hoje em dia - em quase todas as

épocas do ano. Ao contrário do que muitos pensam, o suplemento mineral também deve ser usado no verão, mesmo com as chuvas. O elevado metabolismo dos animais nesta época do ano e a baixa quantidade fósforo e energia são os motivos da exigência do uso. As fazendas que não fazer a suplementação ficam deficientes em produtividade.

O suplemento mineral é uma das maiores fontes para amenizar a carência de vários organismos no animal, principalmente em uma região como Bauru, que tem um solo carente de fósforo como a maioria do Brasil.

Muitos anos atrás, o suplemento mineral só despertava a atenção do pecuarista quando ele estava no preparo para o confinamento de inverno. Nesta época do ano, os pastos ficam secos, diminuindo a quantidade de nutrientes necessária para o animal se manter, engordar, criar e recriar.

Hoje em dia, além de ser usado em bezerros a partir de 30 dias (como é o caso do creep-feeding) também

é procurado com bastante freqüência durante o verão, com a baixa quantidade de fósforo e energia que o pasto fica com as chuvas.

De acordo com o Eduardo Gallucci Toloi, 32 anos, zootecnista sócio-proprietário da Zootropic, fábrica misturadora de suplementos minerais, o metabolismo dos animais sobre uma mudança também no verão, ficando mais intenso e, assim, precisando de maior reposição de minerais. "Durante o inverno, o pasto pode estar ruim, mas o animal também tem um metabolismo menor", diz.

Afonso Mauro Peres, 42 anos, diretor comercial da Agropecuária Garça, empresa que revende há 25 anos produtos de suplementos minerais, afirma que o comportamento do pecuarista está muito diferente do que era antes, e que o mercado vem acompanhando a mudança. Como exemplo, ele fala dos suplementos destinados para bezerros e novilhas tomarem depois de até 30 dias de vida, fazendo com que a energia da mãe seja canalizada exclusivamente para sua recuperação.

Ele também diz que atualmente, além da distinção entre minerais brancos e os proteinados, o mercado também oferece os suplementos minerais líquidos.

Como escolher?

O mineral a ser usado na pecuária deve ser escolhido a dedo. Várias propriedades usam hoje em dia misturas de minerais específicos para seu tipo de solo, de gado e de clima. Esta mistura deve ser feita por um especialista e conter precisamente a demanda do local e do animal.

Além de indicar os minerais mais importantes para aquela criação, o especialista no uso de suplementos geralmente indica também o quanto está sendo gasto sem necessidade do animal e do próprio ambiente. Toloi diz que, muitas vezes, o pecuarista usa cálcio e fósforo a mais do que o necessário, o que significa no final do ano um alto custo na criação bovina.

Os minerais que mais podem causar deficiência no animal, no caso da carência deles, são o fósforo, o cálcio, o zinco, o cobre, o manganês, e o cobalto

(veja tabela ao lado). Por isso, a recomendação do zootecnista é de que haja uma medição de três em três meses para que seja analisada a condição do solo e a carência nutricional do animal.

Estes minerais são usados em todos os animais, mas os eqüinos e os bovinos são os que mais precisam do suplemento nutricional.

Na prática, as fábricas fazem apenas a mistura dos minerais, destinados para uma função determinada ou simplesmente feitos em produção comercial. Por isso, a recomendação que vem dos dois misturadores

- Fanton e Zootropic - é que o pecuarista deve prestar muita atenção à embalagem e à origem do produto, para que os minerais usados como suplemento nutricional não tenham o efeito contrário. De acordo com Fanton, quando os minerais são de baixa qualidade, eles costumam ficar no animal, prejudicando então a qualidade da carne do boi.

Como usar?

A forma com que se usa os suplementos minerais é tão importante quanto a escolha do produto em si. O tamanho do chocho, a quantidade colocada e o tamanho do lote de animais costumam interferir no resultado esperado na suplementação nutricional.

De acordo com Toloi, nos minerais linha branca, o cocho deve ter 1 metro linear para cada lote de 50 animais adultos. Nos proteinados, a proporção deve ser de 10 a 12 centímetros linear de cocho por cabeça.

O aumento de animais por lote na opinião de Toloi é prejudicial para a suplementação mineral, já que, na concorrência, vários animais acabam ficando sem a quantidade necessária de minerais e, outros, ficam com uma quantidade maior.

A média da quantidade de suplementos minerais que o pecuarista deve ter em mente para o gado é de 1 saco de suplemento para cada animal por ano. O preço do produto fica entre R$ 13,00 e R$ 15,00.

O elemento usado varia de espécie para espécie, mas a deficiência de sódio é generalizada. Geralmente, a mistura mineral com este produto procura suprir 100% da necessidade do animal. Vale lembrar que o sal comum é usado justamente para atrair o animal, que tem um apetite natural para este elemento.

As pastagens de cerrado são mais carentes em alguns elementos, como o fósforo, o zinco, o sódio, o cobre, o cobalto, o iodo e o selênio.

Toloi lembra que alguns animais precisam de mais suplementos do que outros. Segundo ele, fêmeas em produção e animais jovens com elevado ganho de peso são as espécies mais carentes de suplementos minerais.

As fêmeas em produção, aliás, precisam de fósforo o ano todo. Os animais com estresse nutricional ou produtivo são os que mais precisam de minerais associados a compostos orgânicos.

Pesquisa desenvolve suplemento para região

Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu deve desenvolver suplementos minerais para Bauru e região, principalmente para as áreas de Bauru e Paulistânea.

Os dois profissionais de medicina veterinária de grande porte, Alexandre Secorun Borges, 31 anos, e Rogério Amorim, 31 anos, devem realizar a pesquisa em parceria com a iniciativa privada. A empresa misturadora de minerais Fanton vai participar com a estrutura para que as pesquisas seja verificadas e testadas a campo.

O objetivo da pesquisa é pesquisa os minerais e a quantidade específica para a imunidade, crescimento e reprodução. Os estudos já começaram a ser desenvolvidos há um ano, e a parte prática deve ser desenvolvida agora.

O trabalho de doutorado dos dois pesquisadores da universidade está sendo orientado pelo professor de clínica de grande animais da Unesp, Márcio Rubens Grat Kuchembuck, que foi a ponte entre a pesquisa e o desenvolvimento dos produtos com a Fanton. De acordo com o médico veterinário e proprietário da empresa, Emílio Benedito Fanton, 52 anos, a parceria que a empresa tem com as universidades e com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

é sempre bem-vinda e leva adiante o próprio mercado pecuário. A importância disso é evidente: o Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, já que o da Índia é o que tem mais quantidade mas não

é vendido comercialmente.

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