CPFL doa equipamentos para a AHB
Texto: Paulo Toledo
A Associação Hospitalar de Bauru (AHB) está recebendo 23 equipamentos hospitalares da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). É o segundo ano que a empresa realiza doação desse tipo para a entidade, dentro de um programa que vai destinar R$ 1,5 milhão para 36 santas casas de várias regiões do Estado. O presidente da CPFL, Ronald Jean Degen, disse que os equipamentos doados foram escolhidos pela AHB.
A entidade vai receber seis monitores cardíacos, cinco carros maca, 10 cadeiras de roda, um eletrocardiógrafo e um aparelho de anestesia infantil - Shogun Pró, que é a grande "vedete" entre todos.
O presidente da AHB, Joseph Saab, afirmou que o aparelho de anestesia infantil é muito importante e o hospital ainda não possuia nenhuma unidade. De acordo com ele, esse equipamento vai beneficiar todos municípios que dependem da AHB, pois nenhum hospital da região que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) possui. "Criança de dois a 14 quilos só podiam ser operadas em Marília ou Botucatu. Muitas vezes não resistiam ao transporte e morriam. Agora, com a doação deste aparelho será possível realizar as cirurgias em Bauru", afirmou.
Degen destaca que a Companhia tem uma grande preocupação com a boa utilização de suas doações. Tanto que, ao invés de dinheiro, entrega equipamentos (que são escolhidos pela entidade que vai receber). Periodicamente, a CPFL faz uma auditoria para saber sobre a utilização dos aparelhos.
O objetivo da CPFL é buscar formas de atender à população carente, que é justamente a função básica das santas casas, que geralmente dão atendimento pelo SUS.
O presidente da CPFL disse que a Paulista busca dar o exemplo para que outras empresas também busquem colaborar com as santas casas de todo o Estado. A Companhia investe nas entidades que estão dentro de sua área de concessão.
"Queremos incentivar outras empresas a seguir o nosso exemplo.
É preciso começarmos a ter consciência que temos que fazer alguma coisa. Não podemos abandonar a população e nem esperar que as santas casas façam isso sozinhas porque não têm condições", afirmou.
História
Degen historiou que a comunidade foi o grande pilar de sustentação dessas entidades. O conceito de santa casa foi criado pelos portugueses na época das colônias. Poder manter uma santa casa era uma das condições para que uma aldeia pudesse ascender à categoria de vila. A idéia era que os cidadãos de boa vontade daquela aldeia tinham que construir e manter uma santa casa.
As santas casas eram mantidas por essas pessoas, que eram chamadas de irmãos, que contribuíam mensalmente e usufruíam dos serviços (quase como um plano de saúde dos dias atuais). Além disso, as comunidades, geralmente, realizavam festas de caridade e chás para arrecadar dinheiro. Isso ocorreu durante décadas.
Com a entrada do governo brasileiro ao sistema de saúde, as santas casas recebiam uma tabela privilegiada, com valores três vezes maiores do que os outros hospitais, uma vez que atendia as populações carentes que não eram filiadas ao sistema governamental (o direito à assistência não era universal). Com isso, as contribuições da sociedade foram colocadas em segundo plano, já que o dinheiro repassado pelo governo era mais do que suficiente.
Porém, no final dos anos 80, essa tabela especial foi suprimida e começaram a receber apenas o valor da tabela do SUS, que não cobre sequer o próprio tratamento a que se destina.
Para Degen, é importante resgatar a história e, mais uma vez, os cidadãos de boa vontade manterem essas entidades.