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Márcia Buzalaf
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Inquérito sobre perito do INSS já ouviu quinze denunciantes

Texto: Márcia Buzalaf

O inquérito da Polícia Federal que investiga a denúncia de corrupção do médico-perito do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), Paschoal Mazzuca Neto, já ouviu 15 pessoas que confirmaram a ação do médico em cobrar propina para a liberação da aposentadoria e de auxílio-doença através do órgão. De acordo com o delegado que lidera a investigação, Washington da Cunha Menezes, 38 anos, a suspeita é de que o médico teria praticado corrupção.

As pessoas que estão sendo ouvidas são as proprietárias dos cheques em branco que foram apreendidos no consultório do médico depois de denúncia feita pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região ao Ministério Público Federal, em setembro do ano passado.

A desconfiança da idoneidade das perícias realizadas pelo médico começou a ser levantada em maio do ano passado. O delegado diz que todas as pessoas confirmaram que teriam sido vítimas de chantagem.

Cada uma delas, de acordo com Menezes, havia deixado 30 cheques em branco para o médico conceder o benefício. De acordo com as denúncias, Mazzuca Neto cobrava até 30% do valor do benefício para conceder a aposentadoria.

O delegado afirma que muitas das pessoas que sofreram o crime são realmente doentes, ou seja, conseguiriam normalmente o direito que lhes foi cobrado. "Para um deles, o médico chegou a dizer que se a pessoa não desse o cheque, ele seria prejudicado em todos os benefícios do INSS", conta.

Alguns dos denunciantes são doentes mentais e a maioria deles era de uma camada social mais desprivilegiada. Segundo o delegado, uma das pessoas que teria deficiência mental acabou por deixar os cheques em branco e, depois pedi-los de volta, mas o médico negou.

Ainda faltam cerca de quatro pessoas para serem ouvidas pela Polícia Federal, mas o delegado afirma que, aparentemente, não faltam provas para comprovar este crime.

Com a conclusão das oitivas, nome desta fase do processo, o delegado deve pedir a quebra do sigilo bancário do médico, da sua esposa e da sogra. Segundo Menezes, há suspeitas de que parte do dinheiro era depositado na conta da sogra do funcionário público.

Do resultado da investigação, a Polícia Federal deve chegar ao crime médico do qual o médico é investigado. Depois, deve encaminhar à Justiça, quando o perito deve ser formalmente denunciado e, mais tarde, se for o caso, julgado. Menezes estima que, se nada de diferente ocorrer, em 30 dias o inquérito deve ser finalizado.

O médico está sendo investigado em três processos distintos: pelo Conselho Regional de Medicina, pela Polícia Federal e pelo próprio INSS, através de uma sindicância interna. As peças do inquérito foram distribuídas pela Polícia Federal para os demais envolvidos na investigação.

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