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Ressaca

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

Intoxicação por álcool pode matar

A intoxicação alcoólica pode matar. É o que se constata na maioria dos prontos-socorros que atendem casos de ingestão aguda de álcool. Visto que o alcoolismo

é a terceira doença que mais mata no mundo, só perdendo para os problemas cardíacos e para o câncer.

Estima-se que de 50% a 90% da população mundial têm algum contato com o álcool, sendo que de 3% a 5% tornam-se alcoólatras.

Fica a pergunta, então: quanto de

álcool uma pessoa pode beber sem se tornar alcoólatra?

O gastrenterologista Moacyr Moraes de Abreu

é da opinião e, "bate" na mesma tecla, de que cada pessoa tem seu limite individual e deve respeitá-lo. E enfatiza: "Existem pessoas que não têm resistência para uma mínima dose de álcool".

A chefe da seção de Emergência Psiquiátrica do Núcleo de Apoio Psico-Social (Naps), Josiani Fernandes Lozigia Carrapato, que atua nessa área, também vê a questão do álcool sob o mesmo ponto de vista. "Todo organismo tem uma certa tolerância para a bebida, se a pessoa começa a ingerir além do que consegue, o risco de ela se tornar dependente é maior. E, o que ocorria ocasionalmente, passa a ser constante", explica.

Há uma pesquisa elaborada pela professora do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Unesp de Botucatu, Florence Kerr-Corrêa, que revela a quantidade tolerável de bebida que homens e mulheres podem ingerir, sem ter futuros problemas. O homem pode consumir até dois drinques ao dia, já a mulher, apenas um (leia quadro). Segundo Josiani, a ressaca é um sintoma do bebedor. Ela acredita que só bebendo de forma segura é que as pessoas não correrão riscos de tornarem-se alcoólatras.

Há certas raças, como os amarelos, que têm menor tolerância ao álcool por terem naturalmente menor capacidade de metabolizá-lo no fígado. Por isso, corre o risco maior de entrar em coma alcoólico com doses pequenas, que em outro tipo de indivíduo causaria apenas pequena euforia, efeito causado pelo álcool no ínicio.

Abreu Júnior contou a história de um japonês que havia casado e, em sua festa de casamento, por ter consumido duas taças de champanhe entrou em coma alcoólico e teve que ser levado ao hospital. "Por isso, é importante prestar atenção na quantidade de bebida que se está ingerindo. Mesmo quem já é habituado a beber altas doses deve se lembrar que em determinado momento vai sofrer com os excessos".

Nos casos de internação hospitalar por intoxicação alcoólica, em que a pessoa bebeu além do que agüenta e está desmaiada, não há outro meio senão aplicar a glicose. De acordo com o médico Mateus de Ávilla Campanholi, a glicose tem o efeito de "devolver" a consciência da pessoa que está em intoxicação alcoólica.

"No caso de pacientes desacordados devido a grande ingestão de bebida alcoólica é fundamental que forneçamos glicose na veia do paciente, já que esta substância

é o principal combustível (fonte energética) do cérebro humano. Ele acrescenta: "É impressionante ver o despertar do paciente logo após a aplicação da injeção de glicose. Isso vale também para qualquer situação que resulte em hipoglicemia (baixa quantidade de açúcar no sangue), tais como seqüelados de derrame que se alimentam mal e diabéticos em uso excessivo de insulina".

Além disso, o álcool também

é um grande inimigo do coração e, se não bastasse isso, a pessoa ainda fica desidratada.

Em geral, não há uma variação da faixa etária de quem fica em coma. Conforme a diretora do Pronto-Socorro, Marília Simões Garcia, tanto adultos quanto jovens chegam ao hospital em estado de intoxicação alcoólica. Ela afirma que a incidência dessas ocorrências aumentam nas épocas festivas como Réveillon e Carnaval, quando muitas pessoas perdem o controle sobre a bebida alcoólica.

Associar fumo e bebida pode causar câncer

Todos sabem dos efeitos danosos que o cigarro causa ao organismo, não só no que se refere aos danos pulmonares diretos, como também em relação ao desenvolvimento de cânceres. Contudo, poucos têm consciência de que a associação do fumo e de bebidas alcoólicas é uma verdadeira "bomba" para o organismo. Isso porque o álcool age como um importante potencializador do efeito carcinogênico do cigarro, ou seja, cigarro com álcool causa muito mais cânceres e muito mais rapidamente do que o cigarro isolado.

Para exemplificar, um fumante tem 12 vezes mais chances de desenvolver câncer na região da cabeça ou pescoço do que uma pessoa não-fumante. Entretanto, se este também for um bebedor inveterado, estas chances passam a ser de 92 vezes.

Um câncer fortemente associado à essa combinação perigosa é do esôfago, que tem o inconveniente de ser descoberto tardiamente pelos médicos, matando a pessoa de inanição. Segundo o médico Mateus de Ávilla Campanholi, a maioria dos casos dessa doença quando diagnosticados encontram em estado avançado, permitindo apenas procedimentos paliativos, que impeçam que o paciente morra por não se alimentar. Alguns são sondas, que levam alimentos diretamente para o estômago ou mesmo próteses esofágicas, que perfuram o tumor.

E, ao contrário do que muitos pensam, não é válido não beber durante a semana e tomar "porres" nos finais de semana. Alerta a chefe de seção da Emergência Psiquiátrica do Núcleo de Apoio Psico-Social (Naps), Josiani Fernandes Lozigia Carrapato.

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