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Ressaca

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

"Receitinhas" não previnem a ressaca

Acabou-se o mito. Colheres de azeite ou óleo, antiácidos efervescentes, torrradas com mel, leite ou desintoxicantes não servem para prevenir ou curar a pessoa que está de ressaca.

Segundo o gastrenterologista Moacyr Moraes de Abreu Júnior, não há como evitar a ressaca, a menos que cada pessoa estabeleça seus limites e os respeite, para que não passe mal depois. "Não há subterfúgios que evitem a ressaca do dia seguinte. É importante não extrapolar com a bebida".

Em geral, quem adota práticas "anti-ressaca", o faz porque tem a intenção de beber muito mais do que o organismo pode suportar. Aí, não há remédio que ajude o organismo a se hidratar e ficar bem no dia seguinte, salienta Abreu Júnior. "O melhor

é beber socialmente para não prejudicar o corpo".

Algumas dessas "práticas" como antiácidos, têm resultados positivos e até curam asia, por exemplo, mas não são todos que têm o poder de fazer desaparecer os sintomas da ressaca.

Mesmo assim, há explicações para o uso de dicas da "vovó" contra a ressaca. O azeite ou o óleo, por exemplo, dificulta a passagem do

álcool para a corrente sangüínea. Uma provável explicação, segundo o gastrenterologista, seria que esses condimentos atuariam recobrindo a mucosa (parede) do estômago, dificultando sua absorção e diminundo, assim, o risco de intoxicação aguda. "O efeito

é muito mais psicológico do que fisiológico, pois, na verdade, não há nenhuma comprovação científica a respeito".

Em alguns casos, ainda assim, são verificadas intoxicações graves em pacientes que relatam o uso desses métodos, o que vem a corroborar com a invalidade científica dessas fórmulas.

Outra questão, refere-se à ingestão de água durante a "bebedeira". A justificativa para esse método é que enquanto houver álcool no sangue, o indivíduo permanecerá urinando em demasia e continuará eliminando a quantidade adicional que ingerir, na tentativa de evitar a desidratação.

O importante é repôr o que se perdeu de volume tanto líquido quanto de sais minerais e procurar manter uma alimentação adequada com o intuito de prevenir a hipoglicemia (falta de açúcar no sangue) e lesões estomacais conseqüentes do efeito irritativo do álcool.

O ideal é que o consumo de alimentos seja concomitante ao uso de bebidas alcoólicas, pois consegue-se, com isso, diminuir a quantidade de álcool ingerido por se alcançar mais rapidamente a saciedade. Os alimentos ocupam o espaço da bebida, além de proteger o estômago.

Bebidas destiladas são as piores

Quando não há como evitar, o melhor é escolher uma bebida que faça menos mal. As de fermentação e baixo teor alcoólico são as mais recomendadas, mas não pelos médicos.

O gastrenterologista Moacyr Moraes de Abreu Júnior diz que a bebida que faz menos mal é a que tem menos álcool. "Se alguém for tomar só um pouco de alguma bebida, pode ser a cerveja, por fazer menos mal, devido a pouca dosagem de álcool", frisa.

As bebidas destiladas são as que têm alto teor alcoólico. Entre esses produtos há também aqueles que possuem 40% de graduação alcoólica, uma porcentagem muito alta para o organismo, como vodca e pinga. Já o uísque é um dos que possuem baixo teor, cerca de 20% de graduação, outros como o vinho e alguns licores 8%, e, por último vem a cerveja com cerca de 5%.

Isso corresponde a um certo grau de álcool, independente da quantidade que se obtém em cada garrafa. Por exemplo, cada 100 litros de pinga contendo 42% de álcool, resultará em 420 ml de álcool, ou então, em cada 10ml de vodca se obterá 4,2 ml de álcool.

Mesmo que a bebida tenha pequena dosagem de álcool, Abreu Júnior avisa que em um certo momento a quantidade ingerida, "seja qual bebida for, será alta e resultará numa ressaca".

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